A crônica domingueira. Por Magno Martins

Por Magno Martins – Jornalista, poeta e escritor  – Nas férias, que se estendem até o próximo dia 1, optei por um roteiro cultural, histórico e romântico: as cidades históricas de Minas Gerais. Na companhia adorável da minha Nayla, de suas primas Tayse e Kelly, esta com seu esposo Cid Severo, comecei por Diamantina, terra de JK, com suas ruas de pedras e paralelepípedos construídas pelo suor dos nossos ancestrais em busca de ouro e diamante.

Calçadas históricas cobertas de sangue dos chicotes em negros escravizados, lavadas por lágrimas de dor. Entre montanhas e pedras, a Diamantina de JK é uma joia inquebrantável, um tesouro no coração de Minas. Tem a musicalidade das serenatas, igrejas bicentenárias, cheias de ouro.

A cidade, antes conhecida como Arraial do Tijuco, encanta com seu cenário único e sua rica herança cultural. É pura poesia e história. A etapa seguinte foi Ouro Preto, de uma beleza atemporal, traço da arte barroca, onde a alma mineira é muito mais explícita. Ouro Preto não se visita. Se sente!

Andar pelas ruas de Ouro Preto é ter a sensação de que na próxima esquina vamos encontrar algum personagem da História, numa volta ao passado em cada esquina, em cada casarão ou em cada igreja. Manuel Bandeira tem razão: Ouro Preto é a cidade que não mudou, e nisso reside seu incomparável encantamento.

Conhecer Ouro Preto é caminhar por ruas que contam histórias, é sentir o passado vivo em cada igreja, em cada pedra, em cada detalhe barroco. Ouro Preto é o pedaço das Minas Gerais de Tiradentes que abriga o maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca do Brasil, reconhecido pela Unesco.

No caminhar apaixonante da nossa agenda turística adentramos em São João del-Rei, berço de outro estadista, o ex-presidente Tancredo Neves, a terra onde os sinos falam, marcada pela fé, tradição e arquitetura colonial. Chão de inconfidentes, exala cultura, com ruas charmosas, sinos sonoros e o famoso trem Maria Fumaça, encantando visitantes com sua atmosfera única de primavera constante.

Em São João del-Rei, a surpresa do belo nos espreita de onde não se suspeita nem espera. É só abrir os olhos e ver. Percorrer suas ruas é viajar no tempo, entre becos coloniais e o som inconfundível dos sinos. Entre a Rua das Flores e a Ponte dos Suspiros, São João del-Rei se revela um cenário de contos de fadas mineiro.

No nosso roteiro não podia faltar Tiradentes, de grande valor histórico para o país, com muitas atrações, lugares ricos em história, arquitetura e gastronomia. Uma das cidades mais importantes no roteiro turístico do Brasil e de Minas Gerais, com uma arquitetura charmosa e que lembra também a de Paraty, no Rio de Janeiro.

Em Tiradentes, o tempo desacelera, a cidade tem forma de poesia. No fim da tarde, em cada esquina um suspiro poético. São 308 anos de história viva, escrita nas pedras das ruas e nas torres das igrejas. O entardecer em Tiradentes tem outro ritmo: o tempo desacelera e a cidade convida a ficar mais um pouco.

Tiradentes é memória, mas também é presente pulsante, feito de gente, cultura, arte e sabores. Mais que um lugar, uma experiência de afeto e aconchego. As origens de Tiradentes remontam aos primeiros anos do século XVIII, quando da descoberta de minas de ouro na região da bacia do Rio das Mortes.

A aglomeração inicial, chamada Arraial Velho, era vinculada à vila de São João del-Rei. Em 1718, foi elevada à categoria de vila e recebeu o nome de São José. O nome de Tiradentes está escrito no Panteão da Pátria e da Liberdade Brasileira, no Livro dos Heróis da Pátria desde 21 de abril de 1992.

A Bandeira de Minas Gerais é composta por um triângulo vermelho sobre fundo branco, contornado pela expressão em latim “Libertas quae sera tamen” — lema da Inconfidência Mineira —, que significa “Liberdade ainda que tardia”.

E liberdade está associada ao seu grande herói, Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, principal líder da Inconfidência Mineira, movimento separatista contra a dominação portuguesa. Foi o único inconfidente condenado à morte, enforcado e esquartejado em 21 de abril de 1792, tornando-se herói nacional e mártir da República.

Para o homem que trocou a vida pela liberdade do Brasil, escolhi a sua frase mais famosa, antológica, que está no livro “Heróis da Pátria”, para encerrar esta crônica: “Pois seja feita a vontade de Deus. Mil vidas eu tivesse, mil vidas eu daria pela libertação da minha pátria!”

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