Vídeo: “É Lula, é Raquel, é Túlio”: no Recife Antigo, a turma do barzinho coroa a candidatura de Túlio Gadêlha ao Senado

Em 85 segundos de vídeo, o encontro de Túlio Gadêlha e Raquel Lyra com eleitores no Recife

 Antigo entrega a espinha dorsal da candidatura ao Senado: a escolha feita pela governadora, a aliança declarada com o presidente Lula e o abraço de quem trabalha na rua, do balcão do bar ao posto do SUS.

Legendado “Minha governadora!”, o vídeo mostra Raquel Lyra sendo abraçada por uma apoiadora no Recife Antigo, com Túlio Gadêlha ao lado, o abraço que a campanha batizou de “LuQuel”. Imagem: reprodução do vídeo de campanha.

A cena que resume a candidatura

Boa parte do que a candidatura de Túlio Gadêlha ao Senado quer dizer cabe em 85 segundos. Nas imagens, gravadas à noite no Bairro Histórico do Recife, com as placas da Rua do Bom Jesus e da Rua dos Judeus ao fundo, as mesas dos bares e o letreiro de uma marca de cachaça bem pernambucana, o candidato circula entre a população de camiseta rosa, cola o adesivo do seu número no peito de um eleitor e ouve, um a um, os depoimentos da base popular que pretende transformar em votação.

Fala primeiro a “voz da experiência”, como o vídeo chama o frequentador do balcão. Em seguida é a vez da turma das motos, os motoboys, que se apresentam com orgulho: “é moto e metal”. E chega a vez da profissional do SUS, que desfila argumentos sem deixar o candidato completar a frase: “Nosso estado tá melhorando, eu trabalho no SUS, eu tô vendo chegar insumo, eu tô vendo chegar recursos.” A cena é a síntese do estilo de campanha que Gadêlha defende em palcos e sabatinas, a de um mandato de escuta, feito de pauta trabalhista, saúde e quem pega estrada de madrugada.

“Rapaz, o senador não falou nada, que ela já falou tudo pelo senador”, provoca uma apoiadora, no trecho em que a imagem legenda “Minha governadora!” e mostra Raquel Lyra abraçada à eleitora, com Gadêlha sorrindo ao lado. E então vem a frase que dá título à matéria, dita por outra pessoa da roda: “Eu já vi que esse voto é igual o meu, ó: é Lula, é Raquel, é Túlio.” O coro final entrega o bordão: “Quem é LuQuel, faz o L, faz o 5 aí”, o L de Lula e o 5 do PSD. No texto que acompanha o vídeo, a página do candidato resume: “Recife Antigo é 100% LuQuel! O time que trabalha e tá com Lula a turma reconhece. […] É Lula, é Raquel, é Túlio! Essa chapa tá mais que fechada com o nosso time.”

Selfie da “melhor turma” na Rua do Bom Jesus: o vídeo carimba cada cena com o selo “Túlio Senador 555”. Imagem: reprodução do vídeo de campanha.

A escolha de Raquel

A candidatura nasce de uma escolha. Em abril, Túlio Gadêlha deixou a Rede, legenda pela qual foi reeleito deputado federal em 2022, e filiou-se ao PSD em ato com Raquel Lyra, em Caruaru, no Agreste, para disputar o Senado na chapa da governadora . A oficialização veio na convenção de 2 de agosto, no Bairro do Recife, quando o partido confirmou o nome dele para a disputa majoritária (g1), e o lançamento formal da postulação ao Senado ocorreu em 13 de agosto .

“Me sinto honrado em ser o senador de Raquel Lyra que vai construir a ponte com Lula”, publicou o candidato no dia da convenção. Na mesma linha, ao anunciar a filiação, o parlamentar definiu a costura que está por trás da candidatura: “A construção política, liderada pela governadora, também foi avalizada pelo Palácio do Planalto, que enxerga ganhos eleitorais com a presença de uma candidatura progressista na chapa majoritária”. Ele afirma ainda contar com o apoio de mais de 100 prefeitos e prefeitas ao redor do estado, e a imprensa registra que a capilaridade construída na disputa projeta também seu nome para o futuro da capital, a partir de 2028.

Na convenção, Gadêlha antecipou o espírito do encontro do Recife Antigo: “Eu sei que eu posso construir as pontes com o presidente Lula para trazer mais desenvolvimento pra Pernambuco. […] Nesse palanque aqui não existe ódio. Aqui existe respeito a quem pensa diferente, a quem luta e trabalha por Pernambuco”.

O senador aliado de Lula

Manter a aliança com o presidente Lula foi condição imposta pelo próprio Gadêlha para migrar ao PSD e concorrer ao Senado, exigência aceita pela legenda. “Eu sou o senador do povo pernambucano, escolhido pela governadora Raquel Lyra e aliado do presidente Lula”, resumiu o candidato, em sabatina ao Sistema Jornal do Commercio de Comunicação.

“Eu já vi que esse voto é igual o meu, ó: é Lula, é Raquel, é Túlio.”Apoiadora ouvida no vídeo de campanha de Túlio Gadêlha, no Recife Antigo

Na mesma conversa, o candidato detalhou a leitura que faz da relação entre o presidente e a governadora: “Lula gosta de Raquel Lyra, admira o trabalho dela, porque ela faz como ele faz”, afirmou, citando ações de combate à fome, habitação, geração de emprego e abastecimento de água. O candidato lembrou ainda que acompanha o petista desde os momentos mais duros da trajetória dele, inclusive na véspera da prisão, em 2018, e prometeu postura ativa: se for preciso “bater na mesa” em Brasília para destravar obras destinadas a Pernambuco, garante que baterá. A ponte com o governo federal, articulada com a gestão estadual, é apresentada como o motor da candidatura, a via para trazer investimentos que o estado precisa.

Da escuta na rua ao projeto de Senado

Recifense de 38 anos, formado em Direito pela UNICAP, Túlio Gadêlha passou pela direção da Fundacentro, do Postal Saúde e do ITERPE antes de chegar à Câmara dos Deputados, onde foi eleito em 2018 e reeleito em 2022. No mandato, atuou como titular da Comissão Especial da escala 6×1, defendendo o fim da jornada, e integrou comissões ligadas ao meio ambiente, à transição energética e à produção de hidrogênio verde, além de ter apresentado projeto para acelerar o julgamento de crimes de trabalho análogo à escravidão.

Ao Senado, a candidatura declara como prioridades acelerar a construção da Ferrovia Transnordestina, ampliar a regularidade do abastecimento de água por meio da Adutora do Moxotó, fortalecer a produção pernambucana e pautas do cotidiano, como novas creches, moradia e o CEU da Cultura em parceria com o governo do estado. É o mesmo programa que o vídeo traduz em linguagem de balcão: recursos chegando, insumo no posto de saúde, trabalho na rua.

A caminho do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a candidatura encerra o raciocínio como começou, no Recife Antigo. Ao colar o adesivo na camiseta do eleitor, Gadêlha ouve o veredito da turma: “Agora tá completa a chapa.” É Lula, é Raquel, é Túlio.

Vídeo:

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