Raquel Lyra amplia vantagem para nove pontos e encaminha vitória em primeiro turno
A nova pesquisa do Simplex, feita em parceria com o Blog do Elielson, apresenta a governadora Raquel Lyra (PSD) à frente do principal adversário, o ex-prefeito João Campos (PSB). A gestora aparece com 45%, enquanto o socialista soma 37,9%. Nos votos válidos, Raquel chega a 53,5%, quase nove pontos a mais que João, que teria 44,9%.
Ivan Moraes (PSOL) somou 1,1%. Renan Hallais (Missão) ficou com 0,2% e Professora Camila (UP) com 0,1%. Guilherme Fonseca (PSTU), Professor Jeremias do Banco (Democrata) e Victor Assis (PCO) não pontuaram. Brancos e nulos somam 4,6%, enquanto 11,1% não responderam.
Num eventual segundo turno entre Raquel Lyra e João Campos, a governadora alcança 46,4%, enquanto o socialista fica com 39,9%. Brancos e nulos somam 4,1%, e 9,6% se dizem indecisos. Nos votos válidos, Raquel tem 53,7% e João, 46,3%.
A vantagem da governadora reduziu com relação ao último levantamento do Simplex, divulgado em 24 de agosto. Naquela ocasião, o instituto apontou Raquel com 46,2%, contra 36,1% de João.
O Simplex ouviu 1.067 eleitores de Pernambuco entre 16 e 20 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais e o grau de confiabilidade é de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número PE-07901/2026.
Uma arrancada que parecia improvável
Para entender o tamanho do que Raquel Lyra construiu, é preciso voltar um ano no tempo. Em agosto de 2025, o cenário era completamente diferente. Pesquisa Genial/Quaest daquele período mostrava João Campos com 55% das intenções de voto, contra apenas 24% da governadora. Uma diferença de 31 pontos que parecia sepultar qualquer chance de reeleição.
João Campos não era apenas um candidato forte. Era o herdeiro de uma das mais poderosas dinastias políticas de Pernambuco, filho de Eduardo Campos, bisneto de Miguel Arraes, com uma máquina política consolidada e altíssimos índices de aprovação à frente da Prefeitura do Recife. Nos bastidores, muitos já tratavam a eleição de 2026 como favas contadas.
O que aconteceu entre agosto de 2025 e setembro de 2026 foi uma das viradas mais expressivas da história política recente de Pernambuco. Raquel Lyra não apenas recuperou o terreno perdido. Ela inverteu a lógica da eleição.
Pesquisa Quaest de julho de 2026 já mostrava Raquel à frente, com 43% contra 37% de João. O índice de aprovação do governo disparou para 68%. O AtlasIntel de meados de setembro confirmou a tendência, apontando empate técnico no primeiro turno, mas vantagem de Raquel no segundo cenário, com 51,1% contra 47,3%.
O dado talvez mais revelador do AtlasIntel: 50,5% dos pernambucanos consideram que Raquel merece ser reeleita, contra 42,7% que discordam. A imagem positiva da governadora alcança 53%, com 38% de avaliação negativa. João Campos tem 47% de imagem positiva e 45% de negativa.
A força de quem chega junto ao povo
Os números das pesquisas contam apenas parte da história. A outra parte se escreve nas ruas, nos mercados públicos, nas feiras, nas portas das casas, nos municípios do Sertão, do Agreste e da Zona da Mata.
Em Caruaru, no Agreste, Raquel Lyra foi recebida no desfile cívico de 7 de Setembro com gritos de “minha governadora”. Não era um público de conveniência. Era gente que lembrava. Raiane Vital, mãe de uma criança de quatro anos, fez questão de registrar o motivo do seu apoio. “Raquel sempre trabalhou muito por Caruaru. Quando meu filho nasceu, assinei com ela a Lei do Bom Parto, que garante o direito ao parto humanizado. Esse cuidado não se vê em todo lugar. Ela olha para as pessoas de forma muito humana.”
Em Salgueiro, no Sertão, a governadora percorreu o centro comercial, entrou nas lojas, conversou com comerciantes e clientes. Não foi uma passagem protocolar. Foi uma caminhada de escuta. A comerciante Maria Aparecida Castro de Oliveira resumiu o sentimento de muitos. “Eu vejo na televisão ela ter propostas para essas áreas. Outros candidatos também têm. A diferença é que ela faz. Como fez em Caruaru, ela vai fazer em todo o estado.”
Em Arcoverde, também no Sertão, a recepção não foi diferente. Raquel Lyra tem conseguido algo raro na política pernambucana contemporânea: atravessar territórios que tradicionalmente pertencem a outros campos políticos e ser recebida com genuína simpatia, não por imposição de máquina, mas por reconhecimento de trabalho.
Um líder político local resumiu com precisão o fenômeno. “A capacidade de conquistar votos de Raquel é impressionante. Quando as pessoas ainda não a conhecem, ela chega, se apresenta, conta sua trajetória, e é impossível não votar nela depois.”
A comunicação que rompeu o script
Raquel Lyra também promoveu uma transformação profunda na forma de fazer campanha em Pernambuco.
A estreia do programa eleitoral foi, no mínimo, ousada. Em vez de abrir com vinheta, música e locução empolgada, a governadora apareceu sentada na sala de casa, respirou fundo e ficou em silêncio por longos 25 segundos. Depois, olhou diretamente para a câmera e falou sem teleprompter, sem cortes, sem trilha sonora.
Falou do dia mais difícil da sua vida. Do falecimento do marido, Fernando Lucena, em 2022, justamente no dia do primeiro turno da eleição que a levou ao governo. Falou de como transformou a dor em serviço. Falou de Pernambuco.
O vídeo, que ficou conhecido como “Raquel sem cortes”, ultrapassou as fronteiras do estado. Circulou em grupos de comunicação política em todo o Brasil. Especialistas apontaram o movimento como uma resposta sofisticada a um cenário em que o eleitor desconfia cada vez mais de produções grandiosas e conteúdos gerados por inteligência artificial.
“A gente procurou apresentar Raquel de forma objetiva, clara, direta: uma conversa olho no olho, na sala da casa dela, sem muitos recursos de produção, com ela se abrindo”, explicou o coordenador de comunicação da campanha, Igor Paulin.
O resultado foi uma conexão que pesquisas qualitativas difficilmente capturam, mas que se percebe no olhar de quem assiste. Raquel não falou para o eleitor. Falou com o eleitor.
O digital como território de disputa
João Campos construiu, ao longo de seus anos à frente da Prefeitura do Recife, uma das mais eficientes operações de comunicação digital da política brasileira. Sua presença nas redes era tratada como imbatível, especialmente entre o eleitorado mais jovem e urbano.
Raquel Lyra entrou nesse território e mudou as regras do jogo.
A principal virada foi de linguagem. A campanha abandonou o formato de relatório de gestão e adotou a narrativa. Uma obra não começa mais com o discurso de autoridade, mas com o rosto de quem esperou anos por ela. Uma agenda não é mais uma sequência de cumprimentos a aliados, mas uma história com começo, meio e fim.
“O algoritmo não conhece governador, senador ou deputado. Ele conhece retenção”, analisou o colunista José Trabulsi Júnior. “A comunicação política deixou de ser apenas disputa de opinião. É disputa de segundos de atenção.”
A campanha também investiu em formatos que dialogam com o público mais jovem, incluindo animações e conteúdos que traduzem políticas públicas para a linguagem das redes. O resultado é visível: Raquel Lyra conseguiu disputar atenção, engajamento e até simpatia em um terreno que antes parecia monopólio do adversário.
A costura fina da política pernambucana
Existe um desafio específico para qualquer candidato de centro-direita em Pernambuco. O estado deu vitórias expressivas ao campo liderado pelo PT nas últimas eleições presidenciais, com margens que chegaram a dois terços dos votos válidos. Ao mesmo tempo, o eleitorado pernambucano tem uma forte tradição de autonomia nos pleitos estaduais.
Raquel Lyra navegou essa contradição com precisão cirúrgica.
Ela não rompeu com o presidente Lula. Mantém relação institucional respeitosa, agradece parcerias federais em obras e programas, e não transformou o palanque estadual em palco de confronto nacional. Isso permitiu que eleitores do campo petista se sentissem confortáveis em votar nela sem sensação de traição.
Ao mesmo tempo, Raquel não se apresentou como antagonista do bolsonarismo. Não colou sua imagem a nenhum dos polos nacionais. Construiu uma identidade própria, ancorada em entrega, gestão e proximidade.
“Raquel não precisa ser candidata de nenhum dos lados à Presidência. Precisa separar a decisão estadual da escolha nacional. Quanto mais ela conseguir impedir a nacionalização da eleição, melhor para ela”, analisou o colunista Igor Maciel.
Essa estratégia de descolamento da polarização nacional é, talvez, o ativo mais valioso da governadora neste momento. Em um estado onde a maioria do eleitorado tem preferências nacionais claras, Raquel Lyra conseguiu construir uma maioria estadual própria.
Treze dias para confirmar a história
A pesquisa Simplex divulgada nesta segunda-feira coloca Raquel Lyra a 53,5% dos votos válidos. A poucos dias da eleição, a governadora está mais perto de encerrar a disputa no primeiro turno do que de precisar de um segundo round.
Mas o que os números não mostram é o que acontece quando Raquel Lyra desce do carro e caminha. A forma como é recebida em Caruaru, em Salgueiro, em Arcoverde, no Sertão, no Agreste, na Zona da Mata, na Região Metropolitana do Recife. O jeito como comerciantes deixam suas bancas para apertar sua mão. Como mães seguram seus filhos para que ela veja. Como jovens tiram fotos e postam sem que ninguém peça.
Raquel Lyra construiu uma campanha que não depende de herança política, não se apoia em polarização nacional e não aposta em produção grandiosa. Apostou em presença, em escuta, em entrega e em verdade.
Faltam treze dias. E Pernambuco parece cada vez mais perto de tomar uma decisão clara, direta e definitiva já no primeiro turno.
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