Túlio Gadêlha, o nome que Pernambuco lançou ao Senado

Entre as muitas cenas que a convenção do PSD produziu neste domingo, 2 de agosto, no Parador, uma delas carregava um significado especial: a homologação de Túlio Gadêlha como candidato ao Senado por Pernambuco. O gesto não nasceu na convenção, veio sendo construído há meses, mas foi ali, sob o roxo da multidão que tomou o Recife Antigo, que ganhou a força do compromisso público, o momento em que uma pré-candidatura se converte em candidatura de fato, referendada pelo partido e apresentada ao Estado inteiro.

A cena que abriu o dia já dizia muito sobre o lugar que Túlio ocupa no projeto da governadora Raquel Lyra. Segundo o roteiro simbólico preparado para a manhã, Raquel deixou o Palácio do Campo das Princesas a pé, ao lado da vice-governadora Priscila Krause, e caminhou em direção à Ponte Buarque de Macedo, onde Túlio Gadêlha as aguardava para seguir junto até o Parador. Não foi um encontro qualquer. Foi a encenação pública de uma aliança que se consolidou ao longo dos últimos meses e que a convenção veio, enfim, selar.

Quando anunciou sua pré-candidatura ao Senado logo fez questão de deixar claro que a mudança de legenda não alterava seu compromisso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um alinhamento que ele nunca escondeu e que se tornou, aliás, parte central do papel que passou a desempenhar no palanque da governadora, o de ponte entre a base estadual e o governo federal.

Há, no percurso de Túlio Gadêlha até este palanque, algo que vale a pena registrar com justiça. Ele chega ao Senado não como um nome recém-descoberto pela política, mas como um parlamentar de trajetória construída na Câmara dos Deputados, com mandato em exercício desde 2019, e como uma figura que soube, ao longo do processo eleitoral, ampliar apoios que vão do Avante a outras legendas que também oficializaram adesão à sua pré-candidatura. Isso diz de um trabalho de articulação paciente, do tipo que raramente aparece nas manchetes, mas que sustenta candidaturas sólidas quando a hora da convenção finalmente chega.

Neste domingo, sob a multidão que lembrou pela força e pela cor o próprio Galo da Madrugada, Túlio Gadêlha deixou de ser promessa e passou a ser candidato. E fez isso ao lado da governadora que o convidou, na cidade que o viu nascer, num ato que Pernambuco não via com essa intensidade há quarenta anos. Que o Senado, agora, seja o próximo capítulo de uma caminhada que começou muito antes da Ponte Buarque de Macedo.

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