GAZETA PERNAMBUCANA – Romero repete episódios de confronto em anos eleitorais e volta ao centro de polêmica no Recife
GAZETA PERNAMBUCANA – Deputado já havia agredido um cidadão em 2022; agora, em 2026, protagoniza novo episódio de tensão ao avançar contra o vereador Eduardo Moura dentro da Câmara Municipal do Recife, em ano eleitoral novamente.
O deputado estadual Romero Albuquerque voltou ao centro de uma grave controvérsia política em Pernambuco após protagonizar, em abril de 2026, um tumulto dentro da Câmara Municipal do Recife durante um embate com o vereador Eduardo Moura. O episódio ocorreu em plena sessão legislativa, com troca de ofensas, avanço em direção à tribuna e necessidade de intervenção para impedir que a confusão evoluísse para agressão física. A sessão chegou a ser suspensa diante da gravidade da cena.
O caso provocou forte repercussão no meio político e nas redes sociais, não apenas pelo ambiente em que ocorreu, mas principalmente porque não se trata de um fato isolado na trajetória recente do parlamentar. Em 2022, também em ano eleitoral, Romero Albuquerque apareceu em vídeo agredindo com um murro no rosto um homem no bairro do Cordeiro, no Recife, após uma denúncia de maus-tratos a um cachorro. Na ocasião, a agressão ocorreu diante de agentes públicos e gerou investigação policial.
A repetição de episódios de confronto em dois anos eleitorais distintos impõe uma pergunta politicamente inevitável: trata-se de coincidência ou de um padrão de comportamento marcado por destempero, exposição pública e tensão em momentos de maior visibilidade política? O que os fatos permitem afirmar com clareza é que os dois episódios ocorreram em contextos de forte repercussão e projetaram novamente o nome do deputado para o centro do debate público. O que não se pode afirmar sem prova direta é que tenha havido cálculo deliberado para produzir esse efeito. Esse ponto pertence ao campo da análise política e da interpretação pública.
No episódio mais recente, o cenário agrava ainda mais a situação. Desta vez, não se tratou de uma ocorrência de rua nem de uma reação fora do espaço institucional. A confusão aconteceu dentro da Câmara do Recife, durante o uso da tribuna por um vereador eleito pelo voto popular. Quando um deputado estadual avança em direção ao espaço de fala de um vereador, o que está em jogo deixa de ser apenas uma divergência pessoal. O gesto atinge o ambiente democrático, rompe a liturgia do mandato e afronta o respeito que deve existir entre instituições.
A cena é ainda mais grave porque o parlamento deve ser o lugar do argumento, e não da intimidação. Divergências políticas são naturais e até desejáveis em uma democracia. O que não pode ser naturalizado é a substituição do debate pelo confronto físico ou pela ameaça de agressão. Quando isso acontece dentro de uma casa legislativa, o dano ultrapassa os envolvidos e alcança a própria imagem da política perante a população.
Romero Albuquerque construiu parte de sua imagem pública como defensor da causa animal. Foi sob esse discurso que, em 2022, tentou justificar a agressão cometida contra um homem acusado de maltratar um cachorro. Mas nenhuma causa, por mais legítima que seja, autoriza um agente público a ultrapassar os limites da lei, do equilíbrio e da civilidade. A defesa de bandeiras sociais não pode servir de escudo para atos de violência, intimidação ou descontrole.
É justamente aí que surge uma contradição política que salta aos olhos. Um parlamentar que se apresenta como defensor da vida, da proteção e do cuidado não pode agir com impulsividade e agressividade quando o alvo é um ser humano ou um adversário político. Não cabe a quem exerce mandato escolher quando respeitar a dignidade alheia. O compromisso com valores humanitários precisa ser inteiro, e não seletivo.
A sucessão desses episódios amplia o desgaste político do deputado e alimenta a percepção de que existe uma recorrência de comportamento incompatível com a responsabilidade pública do cargo que ocupa. Em vez de firmeza, a imagem transmitida é a do destempero. Em vez de liderança, a do confronto. Em vez de autoridade política, a da imposição pela intimidação.
O Recife e Pernambuco enfrentam problemas concretos demais para assistir representantes eleitos transformarem o debate público em espetáculo de agressividade. A população espera dos seus parlamentares equilíbrio, preparo, responsabilidade e respeito às instituições. Não é admissível que casas legislativas se convertam em palco para cenas que rebaixam a política e ferem a confiança do eleitor.
O comparativo entre 2022 e 2026 é inevitável porque os dois episódios não estão separados apenas pelo tempo, mas unidos por um mesmo traço: o protagonismo de Romero Albuquerque em cenas de confronto justamente em anos eleitorais. Isso não autoriza condenações apressadas além dos fatos. Mas autoriza, sim, uma cobrança pública rigorosa sobre postura, limites e compromisso democrático.
No fim, a pergunta que permanece é simples: quantas vezes um agente público pode ultrapassar o limite do autocontrole antes que isso deixe de ser visto como episódio isolado e passe a ser entendido como traço de conduta? Essa é uma resposta que cabe ao eleitor, às instituições e à memória política da sociedade.
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