GAZETA PERNAMBUCANA – Antecipação expôs João Campos ao desgaste
O prefeito do Recife, João Campos, pode ter cometido um erro estratégico ao se lançar de forma antecipada na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026. Ao decidir sair da zona de conforto da prefeitura e se colocar como pré-candidato ainda em 2024, João entrou cedo demais na vitrine do desgaste. O que parecia ousadia e posicionamento se transformou em exposição desnecessária, e, pior, em perda de força política entre aliados naturais, que precisaram seguir outro rumo por conta de compromissos administrativos e eleitorais imediatos.
A antecipação da candidatura fez com que lideranças importantes do interior do estado, sobretudo prefeitos e gestores com responsabilidade direta sobre obras e entregas, optassem por se alinhar à governadora Raquel Lyra. Isso não se deu, necessariamente, por discordância política com João Campos, mas sim por uma questão de sobrevivência e pragmatismo. Esses líderes precisavam viabilizar projetos em suas cidades, acessar recursos estaduais, entregar obras e mostrar serviço para seus eleitores. E quem tem a caneta do Estado na mão hoje é Raquel. Com isso, muitos que poderiam apoiar João em um outro contexto, optaram por seguir a cartilha do Palácio.
Ao mesmo tempo, as pesquisas mais recentes mostram uma realidade dura: o crescimento de João Campos, que no início da pré-campanha parecia promissor, estagnou. Pior, há sinais claros de queda nas intenções de voto, reflexo direto do tempo excessivo sob os holofotes e da ausência de entregas contundentes que sustentem seu discurso estadual. A pré-candidatura prolongada expôs João a ataques mais constantes e permitiu que seus adversários ganhassem terreno. A crítica à sua gestão na prefeitura passou a ser utilizada como argumento para questionar sua capacidade de governar o Estado. O que antes era visto como liderança jovem promissora passou a ser retratado como uma aposta arriscada e imatura.
Além disso, a exposição prolongada transformou João Campos em alvo preferencial de adversários, que hoje contam com tempo e munição para atacar e construir suas próprias narrativas. Cada falha administrativa no Recife virou argumento estadual contra ele. Cada obra parada, cada promessa não cumprida, se torna munição para minar sua imagem. A governadora, por sua vez, opera com inteligência e discrição, fortalecendo sua base, distribuindo investimentos e ampliando a rede de apoio sem se desgastar no campo da antecipação política.
João Campos não perdeu o jogo, mas comprometeu parte do seu capital ao tentar jogá-lo com muita antecedência. O tempo que ele queria controlar pode se transformar em armadilha. Se não reagir com rapidez, reposicionar seu discurso e entregar resultados objetivos, corre o risco de virar símbolo de um projeto que se esvaziou antes de começar. A política exige estratégia, mas também leitura precisa do tempo. E nesse quesito, talvez João tenha se precipitado.
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