Túlio Gadêlha e Lula: a amizade que atravessa crises e faz de Túlio a ponte política mais valiosa de Pernambuco

Em um cenário de alianças cruzadas, o candidato ao Senado aposta na lealdade construída nos piores momentos para se consolidar como o elo entre o presidente e o governo de Raquel Lyra

Poucos políticos no Brasil podem dizer que estiveram ao lado de Lula nos momentos mais sombrios. Túlio Gadêlha é um deles. O candidato ao Senado pelo PSD, que integra a chapa da governadora Raquel Lyra, construiu ao longo de anos uma relação de confiança com o presidente que transcende partidos, coligações e conveniências eleitorais. E é exatamente essa amizade, forjada na adversidade, que Túlio agora projeta como sua maior credencial política.

Nesta sexta-feira (25), Túlio confirmou presença na caminhada de Lula no Recife Antigo. O ato, marcado para começar às 8h na Avenida Rio Branco, em frente à Bodega do Véio, reunirá o presidente e o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB), principal adversário de Raquel Lyra. Mesmo diante desse cenário de alianças distintas, Túlio não hesitou.

“Amanhã tem ato do presidente Lula e eu estarei ao lado dele, como sempre estive, inclusive nos piores momentos. Eu não sou um lulista de ocasião nem preciso de coligação partidária para declarar meu apoio ao presidente”, afirmou.

A frase resume não apenas uma posição política, mas uma trajetória. Túlio estará acompanhado do time LuQuel, grupo formado por eleitores e apoiadores da governadora Raquel Lyra que também defendem a reeleição de Lula. A presença dele no ato reforça a articulação política em torno da parceria entre o presidente e a governadora, mesmo que os palanques oficiais estejam separados.

“Eu estava lá quando ninguém queria estar”

Para entender a dimensão da relação entre Túlio e Lula, é preciso voltar a 2018. Naquele ano, às vésperas da prisão do então ex-presidente, Túlio foi um dos poucos políticos de Pernambuco a se posicionar publicamente ao lado de Lula. Não era conveniente. Não dava votos fáceis. Mas Túlio estava lá.

“Eu não esqueço. Quando Lula foi preso, eu estava lá. Tinha um grupo de cinco ou seis pessoas de Pernambuco. Nenhuma delas era do PSB”, relembrou Túlio em entrevista recente, em referência ao partido de João Campos.

Essa lealdade nos momentos de isolamento é o que Túlio chama de “lulismo de verdade”,não o de ocasião, não o de coligação, mas o de convicção. E é esse capital simbólico que ele agora mobiliza.

Em junho, quando Lula gravou um vídeo de apoio a João Campos, muitos interpretaram como um distanciamento entre o presidente e Túlio. O candidato ao Senado, no entanto, leu o episódio de forma diferente, e não escondeu o que pensava.

“Lula gravou aquele vídeo sem estar feliz. Quem conhece Lula sabe. Ele teve que gravar por conta de acordos partidários”, disse Túlio na ocasião.

A declaração, ousada, só foi possível porque Túlio tem convicção da solidez da relação. Ele não fala de fora. Ele fala de dentro.

A ponte entre Lula e Raquel Lyra

O poder de articulação de Túlio Gadêlha não está apenas na amizade com Lula. Está na capacidade de construir pontes onde outros veem muros.

Ele se define como “o senador de Pernambuco, escolhido pela governadora Raquel Lyra e aliado do presidente Lula”. A frase é calculada. Túlio não nega o apoio formal de Lula a João Campos. Mas também não abre mão de se apresentar como o verdadeiro interlocutor entre o Palácio do Planalto e o Palácio do Campo das Princesas.

E ele tem argumentos concretos. O PSD de Raquel Lyra, lembra Túlio, contribui com mais de 30 votos na Câmara para a agenda do governo Lula. É uma aliança de fato, não apenas de retórica.

“Lula gosta de Raquel. Ele admira o trabalho dela. Já ouvi isso dele em conversas reservadas. Ele reconhece que ela trabalha como ele trabalhava: focada em resultados, em moradia, em água, em combate à fome”, revelou Túlio.

Esse tipo de declaração, revelar o que Lula pensa em conversas privadas — só tem valor porque Túlio é percebido como alguém que tem acesso a essas conversas. É a política da proximidade. É a política da amizade.

Liderança em construção

Túlio Gadêlha não lidera apenas por cargos. Lidera por presença. Nos últimos meses, ele percorreu o interior de Pernambuco em uma agenda intensa, visitando municípios onde seu nome ainda é desconhecido. As pesquisas o colocam em quinto lugar na disputa ao Senado — atrás de Marília Arraes, Humberto Costa, Mendonça Filho e Eduardo da Fonte. Ele sabe disso. E não esconde.

“Muita gente ainda não sabe que sou candidato ao Senado. Mas quando eu chego, quando eu aperto a mão, quando eu olho no olho, as pessoas entendem. Meu nome cresce no corpo a corpo”, afirma.

É a mesma estratégia que o consagrou como o deputado federal mais votado de Pernambuco em 2018, quando conquistou mais de 190 mil votos. Na época, ele tinha apenas 29 anos e derrotou caciques da política pernambucana. O método era o mesmo: presença, escuta, proximidade.

Agora, ele aposta que a lealdade a Lula, e a capacidade de dialogar com Raquel Lyra, o coloque em outro patamar. A caminhada desta sexta-feira é um teste. Se Túlio conseguir andar ao lado de Lula sem romper com o campo de Raquel, ele terá provado que é possível ocupar um espaço que ninguém mais ocupa: o de ponte.

O que está em jogo

No cenário político pernambucano, as peças estão embaralhadas. Lula apoia João Campos. Raquel Lyra apoia Túlio. Túlio apoia os dois. Não há contradição, diz ele. Há articulação.

“Meu apoio a Lula não está condicionado a alianças partidárias. Eu não mudo de posição dependendo do palanque. Eu sou de Lula desde sempre. E sou de Raquel porque acredito no trabalho dela. Não vejo incompatibilidade nisso”, explica.

O eleitor, no entanto, vai julgar. E Túlio sabe que precisa ser claro para não parecer ambíguo.

“Convido todos que estão com Lula a reforçar a importância da sua reeleição neste ato. E também convido todos que estão com Raquel a entender que a melhor forma de ajudar Pernambuco é ter um senador que fala com os dois”, diz.

É uma aposta ousada. Mas Túlio Gadêlha nunca apostou no fácil.

A força da amizade

No fim, o que Túlio oferece ao eleitor não é apenas um cargo. É uma relação. Uma amizade que resistiu à prisão, ao ostracismo, à pressão partidária e às conveniências eleitorais.

“Eu não sou um lulista de ocasião”, repete ele. E quem o observa de perto sabe que não é.

Nesta sexta-feira, quando Túlio caminhar ao lado de Lula no Recife Antigo, ele estará fazendo mais do que política. Estará reafirmando uma escolha que fez há anos: a de estar ao lado de quem acredita, não importa o custo.

E é exatamente essa escolha, feita nos piores momentos, que pode levá-lo aos melhores.

Share this content:

Publicar comentário