Remendo que Arrebenta a Corda: A Crise da Nomeação e o Desgaste Político de João Campos
Quando o gesto de emendar um erro expõe, com mais força ainda, o buraco na confiança do povo
Recife, janeiro de 2026.
O que parecia mais uma decisão administrativa foi, na verdade, um dos mais graves erros políticos da gestão de João Campos (PSB) à frente da Prefeitura do Recife. Ao nomear o advogado Lucas Vieira Silva, filho da procuradora de contas Maria Nilda Silva (TCE-PE), para o cargo de procurador municipal com base numa reclassificação tardia por TEA (Transtorno do Espectro Autista), João feriu princípios elementares do concurso público: a isonomia, a vinculação ao edital e o respeito à ordem de classificação.
Lucas havia ficado na 63ª posição. Anos depois, apresentou um laudo que o enquadraria como PCD e, por decisão administrativa, passou a ocupar a vaga originalmente destinada a Marko Venício dos Santos Batista, o único PCD classificado segundo o edital. A nomeação foi publicada no apagar das luzes de 2025. O escândalo, contudo, brilhou com toda sua força ao amanhecer de 2026.
A reação foi imediata: juristas, procuradores, entidades de classe, a opinião pública e adversários políticos denunciaram a manobra como escandalosa. E pior: com a suspeita de favorecimento a uma figura influente do Tribunal de Contas. Ainda que não haja prova pública de contrapartida ou trânsito de favores, a simples percepção de privilégio foi devastadora.
O prefeito recuou. Anulou a nomeação de Lucas e nomeou Marko. Mas a emenda foi pior que o soneto. O recuo rápido, embora necessário, tornou-se confissão de erro. E como canta o Trio Nordestino na clássica “Na Emenda”: “Na emenda tem moça que quebra jura, depois não pode emendar”.
João Campos, jovem, dinâmico, herdeiro político de Eduardo Campos, vinha construindo uma imagem de gestão moderna e eficiente. Mas com esse gesto, que misturou imprudência jurídica e arrogância administrativa, ele lançou sombra sobre a confiabilidade de suas decisões. Em ano eleitoral, isso pesa.
O caso não será esquecido. Será rememorado, explorado, ampliado. Um erro assim não passa sem custo. João não apenas nomeou mal: ele rompeu a corda da esperança de muitos que ainda viam nele um quadro promissor da nova política nordestina.
Como na canção do Trio Nordestino: “Na emenda, o vovô emendou vovó na hora de emendar”. Aqui, o prefeito tentou emendar um erro com outro remendo. E o povo, que assiste a esse remendo estourado, sente na pele a dor da desconfiança. Em 2026, essa corda pode rebentar de vez.
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