A dor que não se cala: Túlio Gadêlha se solidariza com Raquel Lyra diante de cartazes que reabrem o luto
Existem dores que a política insiste em não deixar cicatrizar, e foi diante de uma delas que o candidato ao Senado Túlio Gadêlha (PSD) tomou a palavra neste domingo (30), em Palmares, na Mata Sul de Pernambuco. Cartazes apócrifos, espalhados sem assinatura pelas ruas do Recife, voltaram a explorar a memória do empresário Fernando Lucena, marido da governadora Raquel Lyra (PSD), morto em 2022, aos 44 anos, na véspera do primeiro turno daquela eleição, vítima de um infarto que interrompeu abruptamente uma vida e reabriu, agora, uma ferida que jamais deveria ter sido tocada por mãos anônimas.
Do palanque, em meio à caminhada que reunia lideranças da região, Túlio não hesitou em cravar posição. Com a voz de quem reconhece na crueldade alheia um padrão já visto, disse: “Eu gostaria de me solidarizar a você, Raquel. Esses que te atacam, a gente sabe o que fizeram em outras eleições. Você vai além disso, é um exemplo pra Pernambuco.” A frase, curta e direta, carregava o peso de quem escolhe nomear o gesto sem rodeios, não uma crítica política qualquer, mas um ato de lealdade humana diante de um sofrimento que extrapola qualquer disputa de votos.
Na sequência, o parlamentar foi além do gesto de conforto e apontou para a dimensão simbólica da trajetória de Raquel, capaz, segundo ele, de atravessar recortes de gênero e geração: “Sua força não inspira só as mulheres, inspira homens na política, inspira jovens. Você olha pro futuro de um povo trabalhador que merece uma mulher séria no governo do nosso estado.” Nessas palavras, a solidariedade se converte em reconhecimento, o de uma liderança que, mesmo golpeada onde mais dói, segue de pé perante o eleitorado.
A própria Raquel, horas depois, reagiu em vídeo publicado nas redes sociais, com a voz embargada de quem viu reaberto, em praça pública, aquilo que só deveria pertencer à intimidade do luto. Contou ter se deparado com as imagens dos cartazes bem quando saía para a agenda na Mata Sul, e pediu, num apelo que ultrapassava qualquer linguagem de campanha: “Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor.” Não foi um discurso político, foi o brado de uma mulher que pede, simplesmente, que a deixem chorar em paz o marido que perdeu.
Entre a fala de Túlio em Palmares e o vídeo de Raquel nas redes, desenha-se um mesmo fio: o de uma solidariedade que não se contenta em ser gesto protocolar, mas que se ergue como resposta à tentativa de transformar a perda em instrumento, devolvendo à dor o lugar que os cartazes anônimos tentaram lhe roubar, o da dignidade.
VÍDEO:
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