TÚLIO GADÊLHA, O DEPUTADO QUE COLOCOU A INFÂNCIA NO CENTRO DO MANDATO
Pré-candidato ao Senado por Pernambuco, parlamentar preside frente de combate ao trabalho infantil e atua contra retrocessos que ameaçam direitos conquistados
Enquanto o Brasil convive com números que envergonham, Túlio Gadêlha tem feito do combate ao trabalho infantil uma das marcas centrais de sua atuação parlamentar. Em 2024, o país registrou 1,65 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O número representa crescimento de 2,1% em relação ao ano anterior.


Diante desse cenário, o deputado federal por Pernambuco e pré-candidato ao Senado em 2026 insiste em uma afirmação que deveria unir o país: lugar de criança é na escola, na brincadeira, na convivência familiar e na construção dos próprios sonhos. Nunca no trabalho precoce.
Desde 2019, Gadêlha preside a Frente Parlamentar Mista de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem. O colegiado reúne parlamentares comprometidos com a erradicação do trabalho infantil e com o fortalecimento da aprendizagem como caminho de inclusão social, formação profissional e desenvolvimento humano.
Os números nacionais já são graves. No Nordeste, a realidade é ainda mais dura. A região tinha 547 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2024, com crescimento de 7,3% em relação ao ano anterior. Foram 37 mil jovens a mais empurrados para uma condição que rouba tempo, futuro e dignidade.
Pernambuco, estado onde Túlio Gadêlha construiu sua trajetória política e projeta sua candidatura ao Senado, está inserido nesse contexto regional de vulnerabilidade. O trabalho infantil, especialmente no Nordeste, não é apenas uma estatística social. É uma ferida aberta pela desigualdade, pela pobreza persistente e pela ausência de oportunidades.
O perfil das vítimas revela a profundidade do problema. Crianças e adolescentes negros, pobres e moradores de áreas socialmente vulneráveis concentram a maior parte dos casos. Mais de 30% dos jovens de 16 e 17 anos em situação de trabalho infantil cumprem jornadas de 40 horas semanais ou mais, carga equivalente à de trabalhadores adultos.
São meninos e meninas com a infância interrompida. Jovens que trocam o caderno pela enxada, o recreio pelo balcão, a sala de aula pela obrigação precoce de ajudar no sustento da casa. Quando uma criança trabalha antes da hora, o país inteiro fracassa um pouco.
A permanência desse quadro mantém o Brasil distante da meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que prevê a erradicação do trabalho infantil em todas as suas formas. A distância entre o compromisso assumido e a realidade das ruas, feiras, lavouras, oficinas e sinais de trânsito mostra que o país ainda precisa transformar discurso em política pública permanente.
No Congresso Nacional, Túlio Gadêlha tem buscado transformar a pauta em ação concreta. A Frente Parlamentar que preside funciona como espaço de articulação, fiscalização e reação institucional diante de ameaças aos direitos de crianças e adolescentes.
Um dos episódios mais recentes ocorreu em maio de 2026, quando o pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema declarou ser favorável à flexibilização das regras sobre trabalho infantil no Brasil. A resposta da Frente foi imediata. Gadêlha protocolou representação no Ministério Público do Trabalho contra as declarações, classificando a fala como grave retrocesso institucional na proteção da infância.
O argumento do parlamentar foi direto. Para ele, defender que crianças possam atuar em “questões simples” inverte a lógica protetiva da Constituição e trata meninos e meninas não como sujeitos de direitos prioritários, mas como potenciais agentes econômicos. Essa visão, segundo Gadêlha, ameaça conquistas históricas e relativiza uma proteção que deveria ser inegociável.
A legislação brasileira proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14. Também veda o trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos. Mais do que uma regra formal, trata-se de uma escolha civilizatória: proteger a infância para que o futuro não seja sacrificado pela urgência da sobrevivência.
A representação apresentada pela Frente pede a abertura de inquérito civil, recomendação de retratação pública e não descarta ação por dano moral coletivo. Além do Ministério Público do Trabalho, também foram acionados o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Conselho Nacional dos Direitos Humanos.
Em abril de 2026, Túlio Gadêlha oficializou sua filiação ao PSD e anunciou a pré-candidatura ao Senado Federal, em articulação com a governadora Raquel Lyra, que disputará a reeleição ao governo de Pernambuco. O movimento reposiciona o parlamentar na disputa majoritária do estado, mas não altera o eixo principal de sua atuação pública.
Ao longo do mandato, Gadêlha associou sua imagem à defesa de crianças e adolescentes, ao combate às desigualdades e à valorização da aprendizagem como instrumento de inclusão. Sua atuação no tema não aparece como pauta ocasional, mas como compromisso político construído ao longo dos anos.
Para o parlamentar, o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho, não é uma data meramente simbólica. É um chamado à vigilância. A luta segue enquanto houver uma criança carregando peso no lugar de livro, enquanto houver um adolescente trocando a escola por uma jornada de adulto, enquanto a pobreza continuar impondo à infância uma responsabilidade que não lhe pertence.
Se a pré-candidatura ao Senado se consolidar, Túlio Gadêlha levará essa bandeira para uma disputa ainda mais ampla. E, no centro desse debate, permanece a ideia que atravessa sua atuação desde o início do mandato: toda criança brasileira tem o direito de ser, antes de tudo, criança.
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