A crônica domingueira. Por Magno Martins

Por Magno Martins – Jornalista, poeta e escritor –  Chegou o dia delas! O que seríamos de nós sem elas? Louvemos nossas mulheres neste Dia Internacional da Mulher! Diz o princípio bíblico que a mulher foi gerada da costela de Adão. A costela, segundo o livro de Gênesis, simboliza que a mulher está ao lado do homem, não abaixo. Não foi criada para ser pisada, nem acima para dominar, mas perto do coração para ser amada.

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, ensinou a filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir em sua obra “O Segundo Sexo”, na qual defende que o gênero é uma construção social e cultural, não um destino biológico. Ela argumenta que a sociedade molda comportamentos, impondo papéis femininos ao longo da vida.

Mamãe Margarida, minha heroína, que Deus arrebatou nas primeiras trovoadas de 2013, leu Simone de Beauvoir. Por isso, foi guerreira, não se curvou às convenções sociais que fabricam comportamentos considerados adequados. Desafiou as normas tradicionais. Fez a sua família e trajetória com dignidade. Pariu 9 filhos, sob o auxílio de parteira. Todos conquistaram o mundo, também com muito suor e a valentia sertaneja.

Minha Nayla, do tronco dos Valença de São Bento do Una, sangue sertanejo da abençoada Sertânia, carrega coragem no peito, rompeu os limites impiedosos da seca, com heroísmo e fé na vida. Aprendeu cedo com sua Mãe Quitéria, avó que a criou quando a mãe Ivete foi obrigada a buscar a terra prometida em São Paulo, que para resistir, conquistar e libertar-se precisa ter coragem.

Não é qualquer vento que a derruba. Suas armas de guerra são a sua voz e a sua inteligência. Também a determinação, o pulso firme, uma força implacável que quebra limites e inspira conquistas. É dona de toda a força que precisa. O Dia Internacional da Mulher é o bom combate do dia após dia. A data de hoje é apenas mero simbolismo.

Historicamente, nasceu em reconhecimento às operárias de tecelagem na Rússia que, em 1917, iniciaram a greve “Pão e Paz” contra a fome e a desigualdade, simbolizando a luta pelos direitos trabalhistas e sociais. Serve para homenagear figuras históricas e contemporâneas que lutaram contra a desigualdade e o sexismo.

Mulheres como Maria da Penha, biofarmacêutica cearense que se tornou símbolo na luta contra a violência doméstica, dando nome à lei que protege mulheres no Brasil. Passou quase 20 anos lutando para que o seu agressor fosse punido, depois de passar seis anos sofrendo agressões e quase ser assassinada por seu ex-marido, que a deixou paraplégica em uma das tentativas. Durante o processo, Maria escreveu o livro “Sobrevivi… posso contar”, em 1994.

Mulheres como Malala Yousafzai, do Paquistão, com seu ativismo pela educação de meninas. Foi a mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. Mulheres, igualmente, como Dandara dos Palmares, quilombola que lutou contra a escravidão, símbolo de resistência e força feminina no período colonial.

Mulheres, também, como a americana Rosa Parks, líder do movimento de libertação do preconceito racial, negra e corajosa, que se recusou a ceder seu lugar a um homem branco no ônibus, tornando-se ícone do movimento pelos direitos civis.

Mulheres ainda como Marie Curie, conhecida, principalmente, por suas pesquisas sobre radioatividade. A cientista foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, em 1903, e também a única a conquistar este prêmio duas vezes, a segunda vez foi em 1911, além de ser a primeira professora contratada pela Universidade de Paris, uma grande conquista para uma mulher na época.

Mulheres, por fim, como Indira Gandhi, que lutou por uma presença ainda mais intensa na política. Foi a primeira mulher a se tornar chefe de governo na Índia, permanecendo em exercício no cargo por 18 anos. Após ser assassinada por seus guarda-costas em 1984, seu filho mais velho assumiu e começou um mandato. Além dos seus feitos e de ter sua imagem estampada em moedas das rúpias indianas, Indira foi eleita a “Maior Mulher do Milênio”, conforme votação da BBC no final do século XX.

Não dá para esquecer uma guerreira como Bárbara de Alencar, comerciante e revolucionária pernambucana, primeira presa política do Brasil, considerada heroína da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador. Foi presa em 1817 e condenada a trabalhos forçados, passando por severas perseguições na Bahia e no Ceará. Era mãe do revolucionário José Martiniano Pereira de Alencar e avó do escritor José de Alencar.

Em 2014, seu nome foi incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves. Bárbara rompeu as convenções de gênero de sua época ao se engajar diretamente na política.

Celebrar tantas mulheres importantes na nossa vida não é uma data no calendário, é uma escolha de todos os dias. Pode até ser um lugar comum ou redundância, mas toda mulher carrega a coragem para transformar o mundo.

Viva elas!

Share this content:

Publicar comentário