A CENA MUDA

REVISTA OESTE – Embriagado de admiração pela própria imagem, Lula saboreou a homenagem recebida na Marquês de Sapucaí como se não houvesse amanhã. Mas há. Ainda que não tenha visto motivos para proibir a realização da gigantesca propaganda eleitoral disfarçada de desfile, a ministra Cármen Lúcia — que ora acredita que o “cala-boca já morreu”, ora entende que é preciso controlar o que dizem “213 milhões de pequenos tiranos soberanos” — deixou o alerta: “Não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais areia movediça”, afirmou em seu voto. “Quem entra, entra sabendo que pode afundar”. Em junho, Cármen deixará a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que passará a ser ocupada por Kassio Nunes Marques, com André Mendonça como vice. O Palácio do Planalto tem motivos para ficar de olho na consistência da areia.
Nomeados para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Nunes Marques e Mendonça passaram os últimos anos à sombra dos arroubos de Alexandre de Moraes, das manobras de bastidores de Gilmar Mendes e das bravatas de Flávio Dino, fora o resto. Na maior parte do tempo, mantiveram-se longe dos holofotes, principalmente Nunes Marques — Mendonça chegou a protagonizar debates tensos quando ousou discordar do imparável Moraes. Agora, no entanto, chegou a vez de ambos exercerem algum protagonismo. Depois de Mendonça ter assumido a relatoria do caso Master em substituição a Dias Toffoli, Nunes Marques começa a entrar em cena. Muitas vezes chamados de “mudinhos do Bolsonaro” pela pouca visibilidade, ambos têm a oportunidade de mudar este cenário.
Fonte: REVISTA OESTE

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