Manifestações de amanhã serão termômetro para eleição, avalia cientista político
A Avenida Boa Viagem será mais uma vez espaço para manifestação de grupos de direita e de oposição ao governo federal. As mobilizações reivindicam a saída do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em razão dos escândalos envolvendo o Banco Master e o suposto envolvimento do ministro Dias Toffoli com o empresário dono do banco, Daniel Vorcaro, o nome do magistrado também aparece nas postagens das redes sociais que anunciam a manifestação.
Com o tema “Acorda, Brasil!”, o ato está marcado para iniciar às 14h e deve contar com a participação de diversos representantes da direita no estado. Na pauta estão pedidos de impeachment, prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), questionamentos a decisões recentes do STF, entre outros.
Análise
Para o cientista político Isaac Luna, as manifestações devem servir como termômetro eleitoral e têm relação direta com o cenário de pré-campanha presidencial. Segundo ele, caso haja adesão expressiva, o ato pode sinalizar força política e engajamento da militância.
“Eu acredito que essa movimentação tem a ver com o teste sobre a capacidade de mobilização das bases. Se consegue botar gente na rua agora, nesse momento, porque aí sim já é um patamar, já é um start para a campanha, ela já muda de patamar”, afirmou.
Na avaliação do especialista, manter e ampliar a polarização política no campo nacional é estratégico para a direita e para a esquerda. Pautas como o impeachment e ataques a ministros do STF são ingredientes para acirrar o ambiente político, de acordo com Luna.
“A própria ideia do impeachment é sempre uma ideia que polariza muito. Colocar Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no mesmo balaio com Lula é justamente para dizer quem são os adversários desse grupo político que está se mobilizando para ir às ruas protestar”, disse.
Além de manter em evidência os dois principais opositores entre si, a tática evita o crescimento de uma terceira via do centro ou centro-direita.
STF
A escolha da mais alta corte jurídica do país como alvo não é exclusividade da direita brasileira, conforme continuou explicando o cientista político. De acordo com ele, as supremas cortes do mundo todo são atacadas pela extrema-direita por serem contramajoritárias, e não guiarem suas decisões pela opinião pública.
“O STF decide olhando para a Constituição e os políticos populistas elaboram narrativas que confirmem o que as pessoas já pensam. É o que a ciência política chama de viés de confirmação”, pontuou.
O cientista político enxerga que partir para o embate com a corte pode ser vantajoso do ponto de vista eleitoral para os membros desse grupo, pelo fato de a atuação da instituição estar presa aos limites institucionais. Isaac Luna alerta, no entanto, que os ataques podem trazer implicações na institucionalidade.
“O TSE e o STF são as duas instituições que garantem juridicamente a validade das eleições e as regras do jogo eleitoral e do jogo político. Então, claro que sempre envolve aí uma margem de risco de eleger o STF como inimigo prioritário”, disse.




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