Restos das eleições. Por José Paulo Cavalcanti Filho
Por José Paulo Cavalcanti Filho – Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. É um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comissão da Verdade –
Não há uma data certa, mas se considera que a frase vem do fim da Constituinte. Perguntado sobre o Congresso brasileiro, Ulysses Guimarães (o Senhor Diretas) disse “Está achando ruim? Então espere pelo próximo: será pior. E pior, e pior”. Creio que, vivo hoje, ele não repetiria essa frase. Por ser, o novo Congresso, bem melhor que o atual. A ver:
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- Grupo grande formado por presos na Lava Jato, “inocentados” pelo Supremo, saíram da cadeia para tentar voltar ao Congresso. E o eleitor não permitiu. Entre esses André Vargas, Delúbio Soares, Eduardo Cunha, José Dirceu…
- Simone Tebet (tenho a gravação) declarou “Lula foi o grande orquestrador do maior escândalo da história da República, que foi o Petrolão”. Mas, apesar de um evidente impedimento ético, aceitou ser sua ministra. Levou vaia grande esta semana quando voltou a sua terra, Mato Grosso do Sul, para passear. E outra vaia, em São Paulo, agora das urnas.
- Marina Silva, com ela deu-se o mesmo. Disse (tenho a gravação) “É corrupção, claro que é corrupção. Lula cometeu crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É crime de corrupção”. E também aceitou ser sua ministra (como pode?). E também levou grande vaia das urnas, em São Paulo.
- Tiririca largou São Paulo, onde não mais se elegeria, mudou-se para o Ceará e recebeu cacetada histórica por lá. Perdeu a graça, parece. Já Sikêra Júnior saiu de Belém para ser candidato em São Paulo e também levou bomba. O Brasil está mudando.
- Hugo Mota, presidente da Câmara dos Deputados, não elegeu seu pai. Aécio Neves ficou em sétimo, coitado. Os Renans, pai e filho, dançaram; e fazem, hoje, parte do passado. Ciro Nogueira, símbolo máximo do Centrão e íntimo de Vorcaro, perdeu no Piauí. Ele e boa parte do seu grupo, no Brasil todo.
- Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso Nacional, quebrou a cara no Amapá. E volta para a planície. Por falar no Amapá Davi Alcolumbre, capataz do governo Lula no Senado, viu ser eleito um inimigo, Dr. Furlan, que ainda fez a mulher senadora. Está pensando, talvez, em pedir ao amigo Dino para cassar os dois.
- A poderosa Gleisi Hoffmann, presidente do PT até o ano passado e Ministra Chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, dançou no Paraná. Sabendo que perderia para Deltan Dallagnol recomendou ao TSE que o cassasse. Querendo ficar com sua vaga. “Pra que? Pra nada!”, como diria Ascenso (Gaúcho), que acabou em quarto…
- Já Eduardo Paes requereu a nulidade da candidatura Garotinho esperando, com isso, ganhar no primeiro turno. Deu Ruas, que nem aparecia nas pesquisas. E que se arrisca, Ruas e não Paes, a levar no primeiro turno se anulados aqueles votos. Pior para ele é que Garotinho, depois de eleger seu filho Wladimir Deputado Federal, por pirraça já desistiu do recurso.
- Com a nova composição do Senado, parece inevitável que tenhamos votação de impeachments de Ministros do Supremo por lá. A começar pelo todo-poderoso Alexandre de Moraes. Que não deve estar achando isso muito salutar, imagino.
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Resumindo, e por tudo, a frase de Ulysses não vale para a eleição deste ano.
P.S. CORREÇÃO. Na última coluna transcrevi informação lida, num jornal português, de que na Dinamarca não podem votar os beneficiários de programas sociais. Como, aqui, se dá com o Bolsa Família (49 milhões de dependentes) e muitos outros similares. Leitores amigos corrigiram, e com razão – Edmar Bacha, George Cabral, Juca Kfouri. Prova de que não se pode, hoje, confiar em todas as informações que circulam. Na verdade, há uma explicação razoável para essa confusão. É que a vedação de voto para quem recebia “ajuda aos pobres” chegou a valer, na Dinamarca, durante mais de 100 anos. Nasceu com a Constituição de 1849 e vigorou até 1961, quando foi extinta. Não vale hoje, pois. Mas se trata de uma bela ideia e deveríamos estudar sua implantação por aqui. Para fortalecer a Democracia.
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