Padre alega sofrer “assédio psicológico” e manda carta de renúncia para arcebispo de Olinda e Recife
Do Blog do Ricardo Antunes – Após 7 anos à frente da Igreja das Fronteiras, no Centro do Recife, o padre Fábio Potiguar deu por encerrada a missão como capelão daquela paróquia. Discípulo de Dom Helder Câmara, Potiguar teria alegado a amigos próximos que adoeceu justamente após sofrer “vários constrangimentos” advindos do instituto que leva o nome do falecido arcebispo emérito de Olinda e Recife.
A notícia caiu como uma verdadeira “bomba” nos meios católicos locais. Esta semana, o padre Fábio Potiguar entregou uma carta de renúncia ao atual arcebispo, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa.
Na carta que tivemos acesso, com exclusividade, ele disse que “enfrentou constrangimentos dentro e fora dos espaços institucionais, incompreensões, silêncios, resistências e situações difíceis”. No documento, ainda alegou que teria adoecido em função dessa perseguição e decidiu entregar a missão pastoral na Igreja das Fronteiras, mas permanecerá na Paróquia das Graças, também no Recife.
“Ele se licenciou por três meses, em função de doença, que teria sido causada por essas questões apontadas, que teriam vindo de constrangimentos causados pela diretoria do Instituto Dom Helder Câmara (IDHeC). Mas entregou a missão nas Fronteiras e não voltará mais a celebrar após a licença-saúde”, relatou uma fonte próxima ao pároco.

Patrimônio histórico, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção das Fronteiras fica no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife, e é conhecida por ter sido a residência de Dom Helder Câmara de 1968 até sua morte, em 1999. O local também abriga o memorial que leva o nome do arcebispo emérito, que reúne fotos, livros, roupas e objetos pessoais de Dom Helder. Em 2026, Fábio Potiguar completa 7 anos à frente da Igreja das Fronteiras.
O Portal entrou em contato com a diretora do IDHeC, a advogada Virgínia Pimentel, que negou qualquer interferência na eventual saída do padre. “O instituto não tem essa atribuição (de solicitar a saída do padre). Isso é com o arcebispo. Não tenho essa informação sobre sua saída, até porque nem ele nem a Arquidiocese nos comunicou qualquer coisa”, afirmou.
“Não posso dizer que essa polarização que assola o país tenha relação com esse fato, mas as mudanças de pároco são feitas de 6 em 6 anos”, completou a diretora do IDHeC, mostrando supresa com a decisão.
Muito querido pelos fiéis, o padre Potiguar tem uma vertente “mais à esquerda” e, em 2001, chegou a ser cotado para ser candidato ao Governo do Rio Grande do Norte. Seu irmão, Fabiano Piúba, tem um “alto cargo” no governo Lula e goza de prestígio com a cúpula do PT, ele é o atual secretário nacional de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura.
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