A crônica domingueira. Por Magno Martins

Por Magno Martins – Jornalista, poeta e escritor –  O primeiro sentimento de amor que tive, o maior de todos, veio de minha mãe Margarida na infância, que em vida se revelou, literalmente, numa flor margarida. Neste domingo das mães, reafirmo que tive uma mãe doce, amável, mas dura no trato.

Que o diga meu pai Gastão, que perdeu alguns votinhos preciosos para sua eleição de vereador pelo afobamento de mamãe. Mas tudo na vida tem lá sua razão e limites. Certa vez, mamãe estava aguando o quintal da nossa casa em Afogados da Ingazeira e se depara com um bêbado intrépido, que exige que ela lave os seus pés por ser eleitor de meu pai.

Mamãe pegou ar. “Eu não lavo nem os pés do meu marido, imagine os de quem não conheço. Tome vergonha na cara!”. E assim foi logo dando o tom da sua indignação e depois o expulsou do seu quintal.

Mamãe era temperamental, de não levar desaforos para casa. Papai já era um tremendo engolidor de sapos, extremamente conciliador. Mamãe dizia que odiava política, mas de vez em quando eu a flagrava pedindo votos para o marido amado.

E depois para Augusto Martins, meu irmão, que repetiu a história do meu pai: quatro vezes vereador, vice-prefeito do município. “Quem inventou política foi o diabo”, dizia ela. Mas mamãe sabia de tudo que rolava na política. Foi criada ouvindo as admoestações de dom Mota e depois dom Francisco pela rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira.

Católica ardorosa, mamãe me levava para a igreja todos os dias do mês de maio, o mês mariano. Não sei para que, na verdade, porque mal começava a missa, eu já estava dormindo no seu colo. Que saudade daquele colo cheiroso, caliente e acolhedor! Mãe jamais devia morrer. É um ser divino, misericordioso.

Quanta saudade sinto neste Dia das Mães da minha flor margarida! Era alegre e jovial. Adorava um bom vinho e dizia, em tom de brincadeira: “Quer vinho, venha”. Gostava de dançar. Foi rainha do Clube da Terceira Idade. Ninguém animava com tanta energia essa confra do que ela.

Neste Dia das Mães, o amor está em alta. Não há um amor mais natural, sincero e leal do que o amor de mãe. O amor de mãe é o combustível que capacita um ser humano comum a fazer o impossível. Mãe ouve o coração bater fora do corpo e se emocionar com cada batida.

Amor de mãe é o único que nasce antes mesmo do primeiro olhar e permanece para sempre. Mãe é a personificação do amor incondicional, a força que nos guia e o refúgio que nos acolhe.

O amor de mãe não conhece limites, distância ou dificuldade. Se descrever o amor já é uma tarefa difícil, imagina descrever o amor de mãe! O amor de mãe é força que enfrenta o impossível, abrigo que acolhe sem limites e entrega que nada exige em troca.

É um sentimento único, capaz de atravessar desafios e permanecer eterno no coração. Reconhecer essa grandiosidade inspira gratidão, fortalece vínculos e ajuda a valorizar o maior amor que existe. O amor de mãe é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho.

E Machado de Assis tinha razão: amor de mãe é a mais elevada forma de altruísmo. Uma das maiores forças do universo reside no amor de mãe.

É de Carlos Drumond, o maior de todos os poetas: “Mãe não tem limite / É tempo sem hora / Luz que não apaga”. “A mãe dá ao filho o que tira de si mesma: o sono, a melhor comida, em alguns casos até a sua saúde”, protagonizou Friedrich Nietzsche, grande pensador e poeta alemão.

Para mães ausentes, Carlos Drummond de Andrade reflete sobre como elas sempre permanecem por perto e dentro da gente porque são feitas de eternidade: “Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade.”

Com Mario Quintana, aprendemos que as palavras de louvor às mães nunca serão suficientes se comparadas ao amor que elas nos dedicam. “Para louvar a nossa mãe, todo bem que se disser nunca há de ser tão grande como grande o bem que ela nos quer.”

Share this content:

Publicar comentário