Osmar Ricardo cobra explicações sobre novo aditivo de R$ 5,1 milhões no Hospital da Criança do Recife

Inaugurada em abril, a unidade de Areias teve o prazo de um dos contratos prorrogado até a primeira semana de novembro. Os dois contratos da obra, somados os aditivos, chegam a R$ 228,4 milhões, segundo levantamento divulgado em outubro.

O vereador Osmar Ricardo (PT) cobrou do prefeito do Recife, Victor Marques, explicações sobre o novo aditivo de R$ 5,1 milhões na obra do Hospital da Criança do Recife Antonio Carlos Figueira, no bairro de Areias. Em publicação no Facebook, o parlamentar questionou o aumento do valor dos contratos e chamou a atenção para o fato de que um deles continuou em execução meses depois da inauguração. “Defender a saúde pública também é fiscalizar cada centavo investido nela”, escreveu.

A cobrança de Osmar Ricardo põe em discussão o que a Prefeitura contratou em duas etapas. Em 2024, a Construtora Celi venceu a licitação para construir o hospital por aproximadamente R$ 101 milhões. Em agosto de 2025, a mesma empresa venceu uma segunda licitação, no valor inicial de R$ 54,2 milhões, para executar serviços complementares. Foi esse segundo contrato que recebeu o aditivo de R$ 5,1 milhões. Segundo levantamento do Blog Manoel Medeiros, reproduzido pelo PE Notícias em 30 de outubro, os dois contratos, com suas alterações, somam R$ 228,4 milhões. A cifra corresponde ao valor contratado. O total já pago à empreiteira precisa ser apurado separadamente.

A Prefeitura inaugurou o hospital em 2 de abril, na gestão do então prefeito João Campos. Na ocasião, anunciou investimento superior a R$ 200 milhões, com recursos municipais e federais, e apresentou uma estrutura de 60 leitos destinados ao SUS, dez deles de UTI pediátrica. Segundo o levantamento divulgado em outubro, o sétimo termo aditivo do contrato complementar destinou os R$ 5,1 milhões a “serviços extras e excedentes” e estendeu o prazo de execução até a primeira semana de novembro. A descrição, porém, não esclarece quais serviços exigiram o acréscimo nem o valor de cada um.

A divulgação das contas do hospital já havia sido examinada pelo Tribunal de Contas da União. Em junho, o plenário do TCU apontou divergências entre os dados disponíveis no Portal de Compras da Prefeitura e os documentos relativos a aditivos e reajustes. Identificou também lacunas nas informações sobre a origem de recursos federais e sobre a execução dos contratos. A decisão tratou de falhas de transparência, sem concluir pela existência de sobrepreço. Em apuração distinta, o Ministério Público de Pernambuco instaurou inquérito civil em abril para investigar possível improbidade administrativa na contratação e na execução da obra.

Em julho, ao se manifestar sobre a decisão do TCU, a Secretaria de Projetos Especiais do Recife informou ao Jornal do Commercio que estava à disposição dos órgãos de controle para prestar esclarecimentos. A manifestação antecede o novo aditivo. A cobrança que Osmar Ricardo dirige agora à gestão de Victor Marques diz respeito a uma parcela específica da obra. Para respondê-la, a Prefeitura pode apresentar as planilhas dos R$ 5,1 milhões, as justificativas técnicas para cada serviço e as medições que mostram o que foi executado depois da inauguração.

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