A operação para esvaziar a votação da 6×1 após a vitória da direita
A estratégia passa, inclusive, pelo quórum. Empresários de comércio, serviços e indústria têm pressionado senadores a não comparecer às sessões, enquanto a oposição tenta adiar a análise da proposta. Uma PEC precisa de pelo menos 49 dos 81 senadores em cada um dos dois turnos para ser aprovada.
O primeiro teste será nesta terça-feira. Davi Alcolumbre manteve a PEC 221/2019 na pauta do Senado e marcou para as 14h a primeira das cinco sessões de discussão exigidas antes da votação em primeiro turno. Outras sessões estão previstas para quarta e quinta-feira. O governo ainda pode tentar encurtar o caminho por meio de um calendário especial.
A operação de esvaziamento não é nova. Em setembro, quando a PEC passou pela CCJ, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, atribuiu diretamente a Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho uma articulação que impediu a tentativa de levar a proposta imediatamente ao plenário. Sem segurança de que conseguiria os 49 votos necessários, o governo recuou.
A diferença agora é o resultado das urnas. O avanço da direita no Senado e a chegada de Flávio ao segundo turno na frente de Lula reduziram o incentivo político para que senadores deem ao Planalto uma vitória justamente no momento em que o governo pretende explorar eleitoralmente a redução da jornada. Nos bastidores governistas, já há avaliação de que a votação se tornou politicamente muito mais difícil.
Alcolumbre, porém, mantém a tramitação. A PEC reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal, prevê dois dias de descanso e proíbe redução salarial. Na CCJ, apenas Rogério Marinho, Tereza Cristina, Hamilton Mourão e Jaime Bagattoli votaram contra o parecer favorável. O desafio do governo agora é descobrir quantos dos apoios que pareciam disponíveis antes de domingo continuarão presentes quando chegar a hora de registrar os votos.
Share this content:




Publicar comentário