GAZETA PERNAMBUCANA – Luana: Lua nua feita de mel
Luana Piovani Imagem: Instagram/Reprodução
Do banho de espuma ao campo de desejo: a chama faisca, o olhar comanda.
Luana Piovani não entra numa cena. Ela altera a cena. Há um calor úmido que sibila e não é apenas o da água quente, é o de uma presença quando decide ferver por dentro. No banho de espuma, o íntimo não surge como curiosidade, mas como território. E o olhar, firme e sereno, não pede licença a ninguém. Ali, Luana Piovani não se explica. Ela se afirma.
Há imagens que passam. E há imagens que ficam, não pelo barulho, mas pela autoridade silenciosa. A espuma, nesse contexto, não é cortina. É bruma primordial. Sugere sem entregar. Delimita sem negar. E nessa economia de revelação a cena cresce, porque a sugestão elegante tem mais poder do que a exposição ruidosa. O que chama a atenção não é a pele, pois o mundo já está cansado de pele. O que chama é a soberania. É a diferença entre um corpo tratado como vitrine e um corpo vivido como autoria.
Sensualidade, quando é soberana, não é convite. É física pura. É o ambiente mudando de densidade ao redor de quem se reconhece como centro. É o ar ficando mais espesso, quase bebível, como se o espaço aprendesse a respirar diferente. A pele deixa de ser superfície e vira linguagem completa, capaz de sentir o toque da luz, o peso da umidade, o silêncio morno que encosta e não diz. E é aí que mora a verdadeira provocação, porque a provocação mais funda não grita. Ela permanece.
Há uma linha fina entre a curiosidade e o desejo. Curiosidade é olhar. Desejo é sentir que o olhar ganhou temperatura. E quando a temperatura sobe, a linguagem comum perde força. Entra o delírio, não como escândalo, mas como vertigem leve, esse estado em que tudo parece mais próximo, mais vivo, mais possível. O êxtase, por sua vez, não aparece como espetáculo. Ele nasce como pico silencioso, quando o tempo suspende a pressa e a presença vira comando.
Imagine a luz. Não uma luz crua, mas uma luz filtrada, ambarina, como se a água quente tivesse aprendido a iluminar por dentro. Ela não apenas ilumina, ela envolve. A espuma sugere contornos sem transformar o instante em vitrine. O espelho se cobre de embaçamento. A névoa do banho escreve e apaga, como se o momento se reescrevesse em tempo real. Tudo vira território do quase. Do toque que não se consuma, mas se promete em cada partícula de luz desviada, em cada fio de ar aquecido que se enrola ao redor. É nesse intervalo que a sedução se torna perigosa, porque não entrega a narrativa. Ela apenas acende.
O silêncio ganha peso. E Luana Piovani atravessa a cena como quem governa o próprio enredo. Não há oferta. Há posse tranquila de si. E isso produz delírio. Um delírio fino, controlado, que não precisa de gritaria. Um delírio que nasce quando o mundo percebe que está diante de uma mulher que não está ali para ser interpretada, e sim para existir com autoria. O êxtase, então, não explode. Ele suspende. Ele paira. Ele fica no ambiente como mel no vidro, escorrendo devagar, grudando na memória do leitor.
Este é o poder último, e o verdadeiro escândalo. Um corpo em repouso que se torna um evento sensorial, não por movimento, mas por potência imóvel. Não pela entrega, mas pela soberania. A nudez eventual, se existe, é detalhe. O que se revela, nua e crua, é a agência. Quem dita os termos do próprio corpo. Quem controla o próprio retrato. Quem transforma um instante íntimo em campo de força, onde o calor é palpável e o silêncio soa como um trovão abafado.
Por isso o fecho não pode ser morno. O que permanece depois da espuma não é espuma. É resíduo. É impressão. Desejo em alta, delírio sob controle, êxtase contido. E o resto, o rumor, a moral apressada, a opinião de balcão, dissipa-se ao primeiro sopro do cotidiano, quando encontra o sol pleno de uma consciência que já arde por si. Luana Piovani não precisa anunciar nada. Ela apenas aparece. E presença, quando é soberana, não se apaga. É fósforo que acende o fogo.
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