Jô Mazzarolo toma posse na Academia Pernambucana de Letras
Na noite desta quarta-feira, 14 de janeiro, às 19h, a sede da Academia Pernambucana de Letras abrirá suas portas para um momento simbólico: a posse da escritora Jô Mazzarolo como sua nova imortal. O ato solene marca não apenas a chegada de um novo nome à instituição centenária, mas a consagração pública de uma voz literária que se formou lentamente, por dentro de décadas dedicadas à observação do mundo.
Natural de Veranópolis, no Rio Grande do Sul, Mazzarolo construiu uma trajetória sólida no jornalismo brasileiro. Começou na TV Bandeirantes, integrou a RBS a partir de 1984 e, em 1988, passou a atuar na Rede Globo, no Rio de Janeiro, onde exerceu funções como editora do Jornal Hoje e chefe de produção do Jornal Nacional e do Jornal da Globo. Em 2000, assumiu a direção de jornalismo da Globo Recife, cargo que ocupou por 23 anos, liderando processos de modernização editorial e reestruturação de redações no Nordeste.
Essa longa travessia profissional, marcada pela escuta sensível, pelo olhar estratégico e pela curadoria da informação, serviu de base para o nascimento de uma outra instância de expressão: a da autora. Em Mude o Conceito – Quando inovar não era opção, publicado em 2025, Mazzarolo organiza mais do que experiências profissionais. Ali, há um tecido narrativo entrelaçado por memória, análise e inquietações contemporâneas. O texto é menos um manual sobre comunicação e mais uma cartografia íntima sobre transformação, pessoal, institucional e simbólica.
Ao tomar posse na APL, Jô Mazzarolo não abandona a história que a trouxe até aqui. Mas a escritura que agora se reconhece e se celebra é outra: mais lenta, mais reflexiva, mais literária. É a passagem da escuta jornalística para a introspecção criativa, onde a palavra nasce para durar. Essa transição é também um gesto político e cultural, pois sinaliza a ampliação dos territórios da literatura local, abrindo espaço para vozes que emergem de trajetórias híbridas, vividas fora dos eixos convencionais das letras.
A presença de Mazzarolo na Academia traz uma perspectiva feminina contemporânea, afinada com os desafios e deslocamentos do nosso tempo. Sua escrita, construída sem alarde, agora se senta à mesa dos imortais com a autoridade de quem não precisou gritar para ser ouvida. Representa, portanto, não um rompimento, mas um amadurecimento, da autora com a própria linguagem e da instituição com a diversidade de suas escolhas.
Nesta quarta-feira, na sede da APL, não será a jornalista quem será celebrada. Será a escritora que, depois de ouvir tantos outros, finalmente fala por si, com voz própria, tempo próprio e lugar definitivo entre os que escrevem para permanecer.
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