Senado dos EUA barra proposta para limitar poderes de guerra de Trump

O Senado dos Estados Unidos rejeitou nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, uma resolução que buscava restringir os poderes de guerra do presidente Donald Trump no conflito contra o Irã. A proposta, apresentada por democratas, foi derrotada por 52 votos a 47, em mais um revés da oposição na tentativa de submeter a ação militar da Casa Branca a um controle mais rígido do Congresso.

A votação expôs, mais uma vez, a blindagem republicana ao presidente em temas de segurança nacional. Segundo a Reuters, apenas o senador republicano Rand Paul votou com os democratas, enquanto o democrata John Fetterman se posicionou contra a medida. O senador republicano Jim Justice não votou.

Na prática, a resolução pretendia forçar o governo a interromper a participação militar dos EUA no conflito até que houvesse autorização formal do Congresso. O argumento dos democratas é que a guerra vem sendo conduzida sem a devida anuência do Legislativo, em afronta ao princípio constitucional que reserva ao Congresso o poder de declarar guerra.

O embate ocorre no momento em que se aproxima o limite previsto na War Powers Resolution, lei de 1973 que estabelece prazo de 60 dias para operações militares sem autorização explícita do Congresso, com possibilidade de extensão curta. A guerra já dura há mais de seis semanas, o que aumenta a pressão institucional em Washington sobre a legalidade e os limites da ofensiva.

Mesmo derrotada, a iniciativa democrata mantém vivo o debate sobre até onde vai o poder presidencial em tempos de guerra. Parte dos republicanos ainda resiste a impor freios imediatos a Trump, mas alguns senadores do partido têm defendido que, caso o conflito se prolongue, a Casa Branca precisará buscar uma autorização formal do Congresso.

A votação também carrega peso político. Pesquisa Reuters/Ipsos citada pela Reuters indica que 60% dos americanos se opõem aos ataques, embora 74% dos republicanos apoiem a atuação militar de Trump. O dado ajuda a explicar a divisão do país e o cálculo político no Capitólio: enquanto a base conservadora se mantém alinhada ao presidente, democratas tentam transformar o tema em símbolo de abuso de poder e desgaste institucional.

Para a oposição, o resultado reforça a dificuldade de conter Trump em um Senado sob controle republicano. Ainda assim, líderes democratas prometem insistir em novas medidas legislativas, numa tentativa de desgastar politicamente a guerra e forçar o Congresso a reassumir protagonismo sobre decisões militares de grande escala.

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