{"id":5727,"date":"2026-10-29T22:39:30","date_gmt":"2026-10-30T01:39:30","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=5727"},"modified":"2026-10-29T22:39:30","modified_gmt":"2026-10-30T01:39:30","slug":"o-homem-inventou-o-livro-para-nao-desaparecer-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=5727","title":{"rendered":"O homem inventou o livro para n\u00e3o desaparecer. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>O livro \u00e9 a mem\u00f3ria que se recusa a morrer, atravessando os s\u00e9culos para conservar aquilo que a humanidade tem de mais precioso, a capacidade de pensar, sentir e reconhecer-se na experi\u00eancia do outro.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/MinC\u00a0 \u2013 <\/strong>Existem inven\u00e7\u00f5es humanas que modificaram a maneira de viver, outras que alteraram o curso das civiliza\u00e7\u00f5es, algumas que encurtaram as dist\u00e2ncias entre os povos, mas poucas conseguiram realizar uma transforma\u00e7\u00e3o t\u00e3o silenciosa e profunda quanto o livro, essa extraordin\u00e1ria cria\u00e7\u00e3o que permitiu ao homem atravessar os s\u00e9culos sem precisar carregar consigo o pr\u00f3prio corpo, deixando sobre as p\u00e1ginas aquilo que a morte n\u00e3o conseguiu recolher de sua intelig\u00eancia, de suas inquieta\u00e7\u00f5es, de seus sonhos e de sua capacidade de interrogar o mundo. O livro \u00e9, talvez, a mais delicada forma de resist\u00eancia contra a natureza passageira da exist\u00eancia, porque nele a palavra encontra uma morada que n\u00e3o depende da perman\u00eancia de quem a escreveu, e a vida, mesmo submetida \u00e0 inexor\u00e1vel passagem do tempo, consegue prolongar-se na consci\u00eancia daqueles que ainda n\u00e3o nasceram.<\/p>\n<p>Neste 29 de outubro, quando o Brasil celebra o Dia Nacional do Livro, a homenagem n\u00e3o deveria restringir-se \u00e0s solenidades, \u00e0s fotografias de bibliotecas ou \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es protocolares que costumam acompanhar as datas comemorativas, porque celebrar o livro significa, antes de tudo, reconhecer a exist\u00eancia de uma das mais poderosas conquistas da humanidade, respons\u00e1vel por oferecer ao pensamento uma liberdade que nenhuma fronteira geogr\u00e1fica conseguiu aprisionar completamente. A data recorda a funda\u00e7\u00e3o da Biblioteca Nacional, em 1810, quando o Brasil ainda se encontrava submetido \u00e0 monarquia portuguesa e come\u00e7ava a organizar institui\u00e7\u00f5es que participariam da forma\u00e7\u00e3o de sua identidade cultural. Mas existe algo de profundamente simb\u00f3lico nessa origem, pois uma na\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o havia conquistado a pr\u00f3pria independ\u00eancia pol\u00edtica come\u00e7ava a reunir, em um espa\u00e7o destinado aos livros, parte dos instrumentos com os quais os homens poderiam aprender a pensar para al\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es impostas pelo poder.<\/p>\n<p>O livro possui uma singularidade que nenhuma outra cria\u00e7\u00e3o humana conseguiu substituir inteiramente. Ele permite que um homem nascido em determinada \u00e9poca converse com outro separado dele por centenas de anos, que uma mulher desconhecida encontre na experi\u00eancia de uma personagem a explica\u00e7\u00e3o de sentimentos que jamais conseguiu revelar, que um menino de uma pequena cidade descubra, entre as p\u00e1ginas de uma obra, a exist\u00eancia de universos que n\u00e3o cabiam nas dimens\u00f5es de sua rua, de sua escola ou de sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o. Quem l\u00ea n\u00e3o abandona necessariamente o lugar onde nasceu, mas aprende que esse lugar n\u00e3o representa os limites de sua exist\u00eancia, porque a leitura amplia a geografia interior do indiv\u00edduo e lhe oferece a possibilidade de reconhecer como humanas experi\u00eancias que jamais viveu.<\/p>\n<p>Penso, particularmente, nas crian\u00e7as que descobrem os livros nas escolas p\u00fablicas, muitas vezes sem dispor de uma biblioteca em casa, sem conhecer escritores, sem imaginar que a literatura possa fazer parte de seu destino. Uma crian\u00e7a diante de um livro encontra-se diante de uma possibilidade que ainda n\u00e3o sabe nomear, pois aquelas p\u00e1ginas podem representar o primeiro contato com uma realidade diferente daquela que lhe foi entregue pelas circunst\u00e2ncias sociais, e talvez esteja justamente nessa experi\u00eancia uma das mais belas manifesta\u00e7\u00f5es da democracia, quando o conhecimento deixa de ser patrim\u00f4nio dos privilegiados e come\u00e7a a pertencer tamb\u00e9m \u00e0queles que nasceram distantes dos lugares onde historicamente se concentrou o saber. A escola que oferece um livro a uma crian\u00e7a n\u00e3o lhe entrega apenas uma hist\u00f3ria, oferece-lhe instrumentos para que ela pr\u00f3pria venha a escrever, com maior liberdade, a hist\u00f3ria de sua vida.<\/p>\n<p>Entretanto, seria insuficiente celebrar a grandeza dos livros sem reconhecer as contradi\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds que ainda n\u00e3o conseguiu transformar o acesso \u00e0 leitura em uma experi\u00eancia verdadeiramente universal. Uma sociedade pode multiplicar discursos sobre a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, permitir que bibliotecas escolares permane\u00e7am insuficientes, que professores enfrentem dificuldades para formar leitores e que milhares de crian\u00e7as cres\u00e7am sem estabelecer com a literatura aquela intimidade capaz de transformar a palavra escrita em instrumento de emancipa\u00e7\u00e3o. O problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na aus\u00eancia material do livro, mas na dist\u00e2ncia social que impede tantas pessoas de reconhec\u00ea-lo como parte leg\u00edtima de suas vidas. Quando a leitura se converte em privil\u00e9gio, a desigualdade deixa de ocupar somente os espa\u00e7os da economia e passa tamb\u00e9m a determinar os horizontes da imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso compreender, igualmente, que a literatura n\u00e3o existe para oferecer respostas confort\u00e1veis a todas as inquieta\u00e7\u00f5es humanas. Os grandes livros frequentemente nos perturbam mais do que nos tranquilizam, porque colocam diante de nossos olhos as contradi\u00e7\u00f5es que preferir\u00edamos ignorar, revelando a complexidade moral de homens e mulheres que n\u00e3o cabem nas classifica\u00e7\u00f5es simplificadoras com as quais costumamos julgar o comportamento alheio. Dostoi\u00e9vski nos conduz \u00e0s regi\u00f5es mais atormentadas da consci\u00eancia, Tolst\u00f3i transforma a experi\u00eancia individual em uma vasta investiga\u00e7\u00e3o sobre a sociedade e o destino, Fernando Pessoa multiplica a identidade humana at\u00e9 demonstrar que nenhum indiv\u00edduo se esgota na pessoa que acredita ser, enquanto Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, com o rigor de sua arquitetura verbal, nos ensina que a poesia tamb\u00e9m pode nascer da resist\u00eancia da linguagem \u00e0 facilidade das emo\u00e7\u00f5es. Cada um deles, \u00e0 sua maneira, demonstra que a literatura n\u00e3o representa uma fuga da realidade, mas uma forma extraordinariamente exigente de penetrar em suas profundezas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esquecer que os livros acompanharam algumas das mais dolorosas experi\u00eancias da hist\u00f3ria humana, atravessando guerras, persegui\u00e7\u00f5es religiosas, ditaduras, ex\u00edlios e per\u00edodos em que o simples exerc\u00edcio de pensar foi considerado uma amea\u00e7a. Governantes autorit\u00e1rios compreenderam, em diferentes \u00e9pocas, que uma popula\u00e7\u00e3o capaz de interpretar criticamente a realidade se torna menos dispon\u00edvel \u00e0 obedi\u00eancia cega, raz\u00e3o pela qual bibliotecas foram destru\u00eddas, escritores perseguidos e obras retiradas de circula\u00e7\u00e3o. Existe uma ironia hist\u00f3rica nessa tentativa de silenciar os livros, porque muitas vezes os nomes daqueles que ordenaram sua destrui\u00e7\u00e3o desapareceram da mem\u00f3ria coletiva, enquanto as palavras que desejavam eliminar continuaram sendo lidas por gera\u00e7\u00f5es que sequer conheceram os rostos de seus perseguidores.<\/p>\n<p>Vivemos agora uma \u00e9poca marcada pela velocidade das informa\u00e7\u00f5es, pela multiplica\u00e7\u00e3o das telas e pela permanente disputa pela aten\u00e7\u00e3o humana, circunst\u00e2ncias que modificaram profundamente a rela\u00e7\u00e3o entre o indiv\u00edduo e a palavra escrita. A tecnologia ampliou possibilidades de acesso ao conhecimento e permitiu que obras antes restritas a determinadas institui\u00e7\u00f5es chegassem a leitores de diferentes regi\u00f5es do planeta, conquista que n\u00e3o pode ser desprezada em nome de uma nostalgia incapaz de reconhecer as transforma\u00e7\u00f5es do presente. Contudo, a disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o corresponde necessariamente \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do pensamento, assim como a rapidez com que uma mensagem circula n\u00e3o garante a profundidade de sua compreens\u00e3o. Podemos receber milhares de palavras durante um \u00fanico dia e terminar a noite sem que nenhuma delas tenha conseguido permanecer verdadeiramente dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O livro, nesse cen\u00e1rio, continua oferecendo uma experi\u00eancia que se tornou particularmente preciosa, a possibilidade de permanecer diante de uma ideia sem a obriga\u00e7\u00e3o de abandon\u00e1-la imediatamente para acompanhar a pr\u00f3xima novidade. A leitura liter\u00e1ria exige uma disposi\u00e7\u00e3o interior que contraria a pressa dominante, porque um romance n\u00e3o se entrega inteiramente ao leitor que deseja apenas conhecer seu desfecho, assim como um poema n\u00e3o revela sua for\u00e7a \u00e0quele que procura somente identificar o assunto de que trata. Existem p\u00e1ginas que precisam ser revisitadas, palavras que amadurecem lentamente em nossa mem\u00f3ria e personagens que continuam vivendo dentro de n\u00f3s muito depois de encerrada a narrativa, como se a \u00faltima p\u00e1gina n\u00e3o representasse o encerramento da obra, mas o in\u00edcio de uma conviv\u00eancia que j\u00e1 n\u00e3o depende de sua presen\u00e7a material.<\/p>\n<p>Talvez por isso os livros participem de maneira t\u00e3o profunda da forma\u00e7\u00e3o de nossa identidade. Somos constitu\u00eddos tamb\u00e9m pelas palavras que encontramos, pelas hist\u00f3rias que nos ensinaram a reconhecer a dor dos outros, pelos poemas que modificaram nossa percep\u00e7\u00e3o da beleza e pelas ideias que nos obrigaram a abandonar certezas anteriormente consideradas inabal\u00e1veis. Um leitor nunca termina um grande livro exatamente como come\u00e7ou, porque alguma coisa se desloca em sua maneira de compreender a exist\u00eancia, ainda que essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o possa ser imediatamente percebida. A leitura trabalha em regi\u00f5es silenciosas da consci\u00eancia, onde determinadas experi\u00eancias permanecem guardadas at\u00e9 encontrarem, muitos anos depois, uma circunst\u00e2ncia capaz de lhes devolver significado.<\/p>\n<p>O escritor, por sua vez, conhece uma dimens\u00e3o particularmente comovente dessa experi\u00eancia, porque escreve sem saber inteiramente a quem suas palavras chegar\u00e3o. Pode imaginar um leitor, desejar determinada compreens\u00e3o, esperar que suas p\u00e1ginas encontrem acolhimento, mas nunca conhecer\u00e1 todas as vidas que sua obra poder\u00e1 alcan\u00e7ar. Um poema escrito na solid\u00e3o de uma madrugada talvez seja encontrado, d\u00e9cadas depois, por algu\u00e9m que atravessa uma perda semelhante \u00e0quela que lhe deu origem, e nesse encontro entre duas exist\u00eancias separadas pelo tempo acontecer\u00e1 uma forma de reconhecimento que dispensa apresenta\u00e7\u00f5es, parentescos ou qualquer outra esp\u00e9cie de v\u00ednculo anterior. A literatura realiza esse milagre inteiramente humano de aproximar pessoas que jamais se viram, fazendo com que uma consci\u00eancia desconhecida encontre abrigo na linguagem de outra.<\/p>\n<p>Por isso, celebrar o Dia Nacional do Livro deveria significar tamb\u00e9m um compromisso p\u00fablico com a preserva\u00e7\u00e3o das bibliotecas, a valoriza\u00e7\u00e3o dos escritores, o fortalecimento das editoras, o reconhecimento dos professores e a forma\u00e7\u00e3o de leitores, sobretudo entre aqueles para quem o acesso \u00e0 cultura ainda representa uma conquista dif\u00edcil. N\u00e3o existe pol\u00edtica cultural verdadeiramente democr\u00e1tica quando a palavra escrita permanece distante das popula\u00e7\u00f5es socialmente vulner\u00e1veis, nem se pode falar seriamente em desenvolvimento nacional enquanto a forma\u00e7\u00e3o intelectual de crian\u00e7as e jovens n\u00e3o ocupar lugar central nas prioridades do pa\u00eds. Construir bibliotecas, distribuir livros e estimular a leitura n\u00e3o constituem gestos ornamentais da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mas investimentos na capacidade de uma sociedade compreender sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e participar conscientemente da constru\u00e7\u00e3o de seu futuro.<\/p>\n<p>A grandeza de um livro, entretanto, n\u00e3o se mede somente pela import\u00e2ncia de seu autor, pelo n\u00famero de exemplares vendidos ou pelo reconhecimento que recebe das institui\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. Algumas obras modificam o pensamento de uma \u00e9poca, outras transformam a vida de um \u00fanico leitor, e n\u00e3o existe raz\u00e3o para considerar insignificante essa segunda possibilidade, porque uma exist\u00eancia humana, quando recupera a esperan\u00e7a, encontra uma linguagem para sua dor ou descobre novos caminhos para compreender o mundo, representa por si mesma uma vit\u00f3ria da intelig\u00eancia e da sensibilidade. Um livro pode n\u00e3o alterar o destino de uma na\u00e7\u00e3o, mas, se conseguir modificar profundamente a consci\u00eancia de algu\u00e9m, ter\u00e1 realizado uma parte essencial daquilo que justifica sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Neste dia dedicado ao livro, prefiro imaginar n\u00e3o apenas as grandes bibliotecas, com seus acervos extraordin\u00e1rios e sua responsabilidade na conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural, mas tamb\u00e9m o instante em que uma crian\u00e7a aprende a reconhecer a primeira frase de uma hist\u00f3ria, o momento em que um trabalhador encontra na leitura uma possibilidade de compreender melhor seus direitos, a emo\u00e7\u00e3o de uma pessoa idosa que regressa \u00e0s p\u00e1ginas de um romance lido na juventude e a silenciosa alegria de um escritor diante da not\u00edcia de que suas palavras alcan\u00e7aram algu\u00e9m que ele nunca conhecer\u00e1. S\u00e3o acontecimentos aparentemente modestos, mas neles se encontra uma das express\u00f5es mais leg\u00edtimas da continuidade humana, porque o conhecimento, quando verdadeiramente compartilhado, deixa de pertencer exclusivamente \u00e0quele que o possui.<\/p>\n<p>O homem inventou instrumentos para medir o tempo, m\u00e1quinas para vencer dist\u00e2ncias e tecnologias capazes de transportar sua voz para lugares que os antigos sequer poderiam imaginar, mas foi por meio da palavra preservada que encontrou uma maneira de conversar com os ausentes e oferecer alguma continuidade \u00e0 experi\u00eancia de ter vivido. Talvez resida a\u00ed a dimens\u00e3o mais comovente do livro, nessa capacidade de guardar aquilo que n\u00e3o conseguimos proteger da passagem dos anos, permitindo que a intelig\u00eancia sobreviva ao desaparecimento de quem pensou, que a ternura encontre novos destinat\u00e1rios e que determinadas perguntas continuem abertas mesmo quando j\u00e1 n\u00e3o existe ningu\u00e9m capaz de recordar quem primeiro as formulou.<\/p>\n<p>Porque, no fim de tudo, um livro \u00e9 mais do que aquilo que suas p\u00e1ginas contam. \u00c9 a possibilidade de uma vida alcan\u00e7ar outra, de uma mem\u00f3ria atravessar o esquecimento e de uma voz continuar encontrando ouvidos quando o mundo ao qual pertenceu j\u00e1 se transformou inteiramente. E talvez a humanidade tenha come\u00e7ado a compreender a verdadeira grandeza de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia no instante em que descobriu que n\u00e3o precisava morrer por completo, desde que alguma palavra sua permanecesse viva na consci\u00eancia de algu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro \u00e9 a mem\u00f3ria que se recusa a morrer, atravessando os s\u00e9culos para conservar aquilo que a humanidade tem de mais precioso, a capacidade de pensar, sentir e reconhecer-se na experi\u00eancia do outro. Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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