{"id":5506,"date":"2026-10-18T19:48:16","date_gmt":"2026-10-18T22:48:16","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=5506"},"modified":"2026-10-18T19:57:19","modified_gmt":"2026-10-18T22:57:19","slug":"a-cronica-domingueira-por-magno-martins-46","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=5506","title":{"rendered":"A cr\u00f4nica domingueira. Por Magno Martins"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><strong>Por Magno Martins \u2013 Jornalista, poeta e escritor \u2013<\/strong>\u00a0No sert\u00e3o onde nasci e fui criado n\u00e3o havia televis\u00e3o. A energia, escassa e com hora marcada para nos jogar no mundo das trevas, de uma escurid\u00e3o assustadora, era gerada por um motor super barulhento a diesel. Quando quebrava, dorm\u00edamos \u00e0 luz de candeeiros. Era um mundo tamb\u00e9m sem fotografias. S\u00e3o raras as fotos que tenho dos tempos de inf\u00e2ncia.<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5509 aligncenter\" src=\"http:\/\/gazetapernambucana.com\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/WhatsApp-Image-2026-10-17-at-10.44.511-144x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"144\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/gazetapernambucana.com\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/WhatsApp-Image-2026-10-17-at-10.44.511-144x300.jpeg 144w, https:\/\/gazetapernambucana.com\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/WhatsApp-Image-2026-10-17-at-10.44.511-492x1024.jpeg 492w, https:\/\/gazetapernambucana.com\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/WhatsApp-Image-2026-10-17-at-10.44.511.jpeg 566w\" sizes=\"auto, (max-width: 144px) 100vw, 144px\" \/>Diferente de hoje, onde os celulares permitem at\u00e9 as autofotos, as chamadas selfies, naquele tempo registros fotogr\u00e1ficos s\u00f3 pagos, porque ningu\u00e9m tinha m\u00e1quina fotogr\u00e1fica. Em Afogados da Ingazeira, papai recorria a \u201cseu\u201d Adamastor, o precursor da fotografia na cidade. As imagens eram entregues sob encomenda, muitos dias depois, em preto e branco.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-0bf0dcec-40a7-4a0a-a476-8b1003921c02\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div id=\"ub-expand-full-5b3e12e0-4f63-4ce5-81bb-8023b5245762\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adamastor ganhou um concorrente: Jos\u00e9 Barros Ten\u00f3rio, pai do meu amigo e contempor\u00e2neo S\u00e9rgio Ten\u00f3rio, hoje empres\u00e1rio em Bras\u00edlia. Barros, na verdade, viu na arte de fotografar um nicho de mercado promissor e abriu um neg\u00f3cio mais sofisticado para a \u00e9poca, o Foto Popular, espa\u00e7o para os retratos 3 x 4 exigidos em documentos \u2014 identidade, a reservista do Ex\u00e9rcito e outros derivados. Trouxe equipamentos de S\u00e3o Paulo para acompanhar casamentos, festas e eventos em geral.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo foi passando e houve a primeira revolu\u00e7\u00e3o: os bin\u00f3culos. Tinham uma lente de aumento de um lado e um pequeno fotograma do outro, com uma tampinha transl\u00facida na parte de tr\u00e1s. Para ver a foto era preciso fechar um dos olhos, colocar a lente grudada no outro olho e apontar a parte de tr\u00e1s para a luz (o sol, uma l\u00e2mpada ou a janela) para conseguir enxergar a foto minigigantesca e ampliada l\u00e1 dentro<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O precursor em Afogados da Ingazeira entre os anos 60 e 70 foi Z\u00e9 Pedra, figura extremamente engra\u00e7ada, t\u00edpica de enredo para filmes. Fazia registro de festas, casamentos, bailes, anivers\u00e1rios e batizados. Era um verdadeiro paparazzo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos bailes, tirava fotos de Deus e o mundo. Dias depois, sa\u00eda pela ruas da cidade a procura dos personagens clicados para cobrar o resultado do seu produto. E ai de quem n\u00e3o aceitasse a oferta! Z\u00e9 Pedra andava de palet\u00f3 e gravata, no sol escaldante do Sert\u00e3o, levando a tiracolo sua potente m\u00e1quina e um punhado de bin\u00f3culos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adamastor e Z\u00e9 Pedra traziam o mundo de Afogados da Ingazeira de forma instant\u00e2nea. Cada fotografia deles conta um peda\u00e7o da nossa hist\u00f3ria. Capturaram o enredo perfeito, a forma de express\u00e3o silenciosa, com imagens que falavam mais do que palavras.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fotografia deles nos ensinou a observar, a prestar aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e a encontrar a beleza nas coisas simples da vida. Parece que foi ontem, um peda\u00e7o de papel que guarda uma vida inteira. O tempo passa, mas a fotografia deles d\u00e1 uma tremenda saudade daquilo que a gente ainda n\u00e3o sabia que ia ser t\u00e3o especial.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carlos Drumond de Andrade, ao falar da sua Itabira poeticamente, trouxe o sentimento da dor na fotografia: \u201cItabira \u00e9 apenas uma fotografia na parede. Mas como d\u00f3i\u201d. Quem n\u00e3o tem uma foto dolorida numa estante de casa? Tenho fotografias que me emocionam todos os dias. A com meus pais Gast\u00e3o e Margarida, pela ordem, s\u00e3o as mais dolorosas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fot\u00f3grafos, temos que tirar o chap\u00e9u para eles, s\u00e3o os artistas que criam a obra-prima. Conseguem guardar para sempre um segundo que nunca mais vai se repetir. Uma foto conta hist\u00f3rias, transmite sentimentos e revela o invis\u00edvel aos olhos comuns. Permite reviver detalhes, express\u00f5es e saudades cada vez que \u00e9 vista.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fotografia \u00e9 a prova de que mesmo as coisas mais ef\u00eameras podem se tornar eternas. \u00c9 arte de congelar um momento no tempo. \u00c0s vezes, uma \u00fanica foto \u00e9 capaz de expressar o que mil palavras n\u00e3o conseguem transmitir. Enxerga o invis\u00edvel aos olhos comuns. Cada fotografia \u00e9 uma pequena c\u00e1psula do tempo, preservando para sempre a magia e a emo\u00e7\u00e3o daquele momento especial.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma foto, enfim, \u00e9 a prova de que momentos ef\u00eameros podem se tornar eternos, congelando o tempo e transformando a realidade em arte, mem\u00f3ria e emo\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s da lente da c\u00e2mera, a foto revela a beleza oculta no mundo que est\u00e1 ao nosso redor.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SOBRE A FOTO ACIMA<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sei o autor da foto, mas a imagem comp\u00f5e um painel da minha adolesc\u00eancia ao lado dos meus irm\u00e3os em Afogados da Ingazeira. Sou o personagem em destaque, cabeludo, cal\u00e7a branca e cinto, com a m\u00e3o de minha irm\u00e3 Ana no meu ombro. Os demais: Marcelo, Augusto e F\u00e1tima.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magno Martins \u2013 Jornalista, poeta e escritor \u2013\u00a0No sert\u00e3o onde nasci e fui criado n\u00e3o havia televis\u00e3o. A energia, escassa e com hora marcada para nos jogar no mundo das trevas, de uma escurid\u00e3o assustadora, era gerada por um motor super barulhento a diesel. Quando quebrava, dorm\u00edamos \u00e0 luz de candeeiros. 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