{"id":4812,"date":"2026-09-06T12:33:24","date_gmt":"2026-09-06T15:33:24","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4812"},"modified":"2026-09-06T12:33:24","modified_gmt":"2026-09-06T15:33:24","slug":"a-cronica-domingueira-por-magno-martins-41","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4812","title":{"rendered":"A cr\u00f4nica domingueira. Por Magno Martins"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7d2fc729 titulo-post elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"7d2fc729\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<section class=\"elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-7e25a070 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7e25a070\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-24f401b5\" data-id=\"24f401b5\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6b34b66e elementor-share-buttons--view-icon elementor-share-buttons--skin-flat elementor-share-buttons--align-right elementor-share-buttons--shape-square elementor-grid-0 elementor-share-buttons--color-official elementor-widget elementor-widget-share-buttons\" data-id=\"6b34b66e\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;share_url&quot;:{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/blogdomagno.com.br\\\/a-cronica-domingueira-97\\\/&quot;,&quot;is_external&quot;:&quot;&quot;,&quot;nofollow&quot;:&quot;&quot;,&quot;custom_attributes&quot;:&quot;&quot;}}\" data-widget_type=\"share-buttons.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-grid\"><strong>Por Magno Martins \u2013 Jornalista, poeta e escritor \u2013\u00a0 <\/strong>S\u00e3o Paulo, onde passo o feriad\u00e3o da Independ\u00eancia com os meus filhos, sempre povoou meu imagin\u00e1rio como eldorado dos nordestinos, a terra prometida para quem a seca expulsou do meu Paje\u00fa, onde as almas s\u00e3o todas de cantadores, como imortalizou em versos o gigante Rogaciano Leite.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-560d1172-7e99-4ad0-90d3-2d89bedb07f1\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div id=\"ub-expand-partial-5b3e12e0-4f63-4ce5-81bb-8023b5245762\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enraizado em Afogados da Ingazeira, chorei a perda de muitos amigos de inf\u00e2ncia para S\u00e3o Paulo, em debandada sob caminh\u00f5es paus de arara, que s\u00f3 ouvia falar nos versos de Patativa do Assar\u00e9. Como a cena me comovia! A seca n\u00e3o nos matava de fome apenas. Matava tamb\u00e9m os nossos sentimentos, roubava companhias que nos faziam felizes.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-full-5b3e12e0-4f63-4ce5-81bb-8023b5245762\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas malas de cada irm\u00e3o afogadense que desembarcava no Br\u00e1s havia um manto de coragem e uma certeza: S\u00e3o Paulo saberia acolher a esperan\u00e7a deles. S\u00e3o Paulo parecia ter selado um pacto eterno com meus conterr\u00e2neos que davam adeus ao Paje\u00fa: a cidade que oferecia o ch\u00e3o das oportunidades, para eles entregarem o cora\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resisti at\u00e9 o \u00faltimo pau de arara, mas tr\u00eas dos meus irm\u00e3os, n\u00e3o. Zeza, Ana e Marcelo, sei l\u00e1 por quais raz\u00f5es, n\u00e3o se renderam ao apelo da terra da garoa. Preferiram o Rio de Janeiro, provavelmente embriagados pela can\u00e7\u00e3o de Gilberto Gil, do Rio que continua lindo e cheio de gra\u00e7a. O farol da esperan\u00e7a que acolheu a for\u00e7a e o sorriso deles s\u00f3 Vinicius de Moraes para explicar com a sua garota de Ipanema.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo, o senhor da raz\u00e3o, foi me ensinando que S\u00e3o Paulo n\u00e3o poderia se perpetuar em minha vida como aquele retrato dolorido na parede e na alma de Drumond de Andrade. Comecei a admirar a capital paulista ouvindo Caetano Veloso. O cantor baiano eternizou o encontro das avenidas Ipiranga e S\u00e3o Jo\u00e3o. Com o \u201cTrem das Onze\u201d, Adoniran Barbosa tamb\u00e9m. Virou hino paulista, popularizando o bairro do Ja\u00e7an\u00e3, cujo famoso trem da m\u00fasica funcionou entre 1893 e 1965, ligando o centro da cidade \u00e0 Cantareira.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Terra da Garoa, Selva de Pedra, Sampa, Paulic\u00e9ia. S\u00e3o Paulo, a metr\u00f3pole que nunca para, \u00e9 um verdadeiro caldeir\u00e3o de culturas, sabores e experi\u00eancias. Com suas avenidas movimentadas, arranha-c\u00e9us imponentes e uma cena art\u00edstica vibrante, a cidade \u00e9 um convite \u00e0 explora\u00e7\u00e3o e \u00e0s descobertas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lendo em bancos escolares ainda em Afogados da Ingazeira, descobri que o lema da cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9\u00a0<em>Non ducor, duco,<\/em>\u00a0que significa \u201cN\u00e3o sou conduzido, conduzo\u201d. O s\u00edmbolo foi adotado oficialmente em 1888, e simboliza a hist\u00f3ria de lideran\u00e7a e iniciativa da cidade, que evoluiu de uma pequena vila para uma das maiores metr\u00f3poles do mundo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre o inverno e a primavera a cidade se cobre de azal\u00e9ia, que foi decretada a flor\u2013s\u00edmbolo de S\u00e3o Paulo em 1987. Essa beleza \u00e9 uma imigrante, tem origem na \u00c1sia. A azal\u00e9ia floresce entre o inverno e a primavera colorindo a cidade com seus v\u00e1rios tons, fazendo de S\u00e3o Paulo uma musa inspiradora para poetas que a visitam e se encantam com os seus cantos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste feriad\u00e3o, curtindo pontos tur\u00edsticos de S\u00e3o Paulo com meus filhos Magno Filho e Jo\u00e3o Pedro, descobri algo mais para perdoar a cidade da crueldade de roubar meus amigos de inf\u00e2ncia. Estou convencido que a capital paulista tem o charme de Paris, a cultura de Londres, a mistura de Nova York, o tamanho de T\u00f3quio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 grande, charmosa, culta, multitudo. Acabei amando as coisas estranhas da cidade. \u00c9 a terra do caf\u00e9, mas seu principal viaduto \u00e9 o Viaduto do Ch\u00e1. Tem uma rua chamada Direita que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o direita assim. Tem uma Rua Formosa que \u00e9 muito, muito feia. Tem uma Rua das Palmeiras que n\u00e3o tem sequer uma \u00e1rvore, muito menos palmeiras.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sofistica\u00e7\u00e3o da cidade est\u00e1 na Avenida Faria Lima, que concentra dinheiro e modernidade, numa Daslu, que concentra o luxo, numa Paulista, cart\u00e3o de visitas da cidade. Descobri que S\u00e3o Paulo \u00e9 muito mais do que s\u00f3 uma cidade de neg\u00f3cios, de turismo ou aquela que nunca dorme. \u00c9 tamb\u00e9m uma cidade que recebe o mundo, os f\u00e3s de todos os tipos musicais, os manifestantes, os carnavalescos, os esportistas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu vai e vem fren\u00e9tico, eles at\u00e9 podem parecer turistas, mas s\u00e3o parte da cidade, movimentam ruas e neg\u00f3cios. Para quem chega de fora, seja do interior ou de outros pa\u00edses, S\u00e3o Paulo oferece o anonimato generoso que se transforma em pertencimento. \u00c9 uma emo\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel descobrir ref\u00fagios verdes inesperados no topo da montanha, como o Pico do Jaragu\u00e1, em contraste com a imensid\u00e3o urbana e o calor humano do Mercado Municipal.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ningu\u00e9m amou tanto S\u00e3o Paulo quanto o grande escritor M\u00e1rio de Andrade. Seu amor era t\u00e3o profundo que, no poema \u201cQuando eu morrer\u201d, ele expressou o desejo l\u00edrico de ter suas partes do corpo espalhadas pelas ruas do centro: \u201cNo P\u00e1tio do Col\u00e9gio afundem \/ O meu cora\u00e7\u00e3o paulistano: \/ Um cora\u00e7\u00e3o vivo e um defunto. \/ Bem juntos.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lygia Fagundes Telles, a primeira-dama da literatura brasileira, ambientou cl\u00e1ssicos como \u201cAs Meninas na capital\u201d e sempre guardou um olhar afetuoso para a atmosfera paulistana, especialmente a da sua juventude nas arcadas do Largo de S\u00e3o Francisco. Ela costumava lembrar com encanto da ic\u00f4nica garoa paulistana: \u201cS\u00e3o Paulo era uma cidade de n\u00e9voa, uma cidade onde as pessoas caminhavam envoltas em mist\u00e9rio. Havia uma dignidade po\u00e9tica naquele cinza.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Autor de \u201cN\u00e3o Ver\u00e1s Pa\u00eds Nenhum\u201d e profundo conhecedor das esquinas da cidade, o escritor Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o definiu S\u00e3o Paulo como um \u00edm\u00e3 irresist\u00edvel, focado na eletricidade de suas ruas: \u201cS\u00e3o Paulo nos esmaga, mas nos alimenta. \u00c9 uma cidade terr\u00edvel e fascinante. Eu preciso desse ritmo, desse barulho, dessa gente caminhando r\u00e1pido para sentir que estou vivo e produzindo.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magno Martins \u2013 Jornalista, poeta e escritor \u2013\u00a0 S\u00e3o Paulo, onde passo o feriad\u00e3o da Independ\u00eancia com os meus filhos, sempre povoou meu imagin\u00e1rio como eldorado dos nordestinos, a terra prometida para quem a seca expulsou do meu Paje\u00fa, onde as almas s\u00e3o todas de cantadores, como imortalizou em versos o gigante Rogaciano Leite. 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