{"id":4646,"date":"2026-08-27T23:05:43","date_gmt":"2026-08-28T02:05:43","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4646"},"modified":"2026-08-27T23:05:43","modified_gmt":"2026-08-28T02:05:43","slug":"chamem-jarbas-vasconcelos-quando-o-centro-do-recife-voltou-a-ser-cidade-viva-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4646","title":{"rendered":"Chamem Jarbas Vasconcelos: quando o Centro do Recife voltou a ser cidade viva. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p class=\"isSelectedEnd\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/MinC \u2013\u00a0 <\/strong>Quem atravessava a Ponte Maur\u00edcio de Nassau rumo ao Recife Antigo numa sexta-feira \u00e0 noite dos anos 1990 n\u00e3o precisava de campanha publicit\u00e1ria para saber que alguma coisa havia mudado. A Rua do Bom Jesus tinha mesas nas cal\u00e7adas, m\u00fasica saindo dos bares, luz nos casar\u00f5es e, acima de tudo, gente. Casais caminhavam de m\u00e3os dadas. Estudantes dividiam chopes. Turistas apontavam c\u00e2meras para as fachadas coloridas. Artistas e funcion\u00e1rios p\u00fablicos se misturavam sob a luz dos postes restaurados. O bairro que durante d\u00e9cadas fora uma cidade fantasma, esquecida, inerte, oca, parecia ter redescoberto o pr\u00f3prio pulso.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Boa parte daquela transforma\u00e7\u00e3o aconteceu durante as gest\u00f5es de Jarbas Vasconcelos na Prefeitura do Recife. Trinta anos depois, diante de um Centro novamente marcado por im\u00f3veis vazios, inseguran\u00e7a e tentativas intermitentes de revitaliza\u00e7\u00e3o, uma pergunta quase ir\u00f4nica come\u00e7a a fazer sentido: chamem Jarbas Vasconcelos.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">N\u00e3o se trata de pedir o retorno do pol\u00edtico \u00e0 Prefeitura. A express\u00e3o funciona como uma provoca\u00e7\u00e3o ao presente. O que Jarbas Vasconcelos entendeu sobre o Centro do Recife que administra\u00e7\u00f5es posteriores n\u00e3o conseguiram preservar?<\/p>\n<h2>Um bairro que havia desistido de si<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Para entender o que aconteceu nos anos 1990, \u00e9 preciso primeiro compreender o que o Recife Antigo e o seu entorno haviam se tornado. O Bairro do Recife, a ilha onde a cidade nasceu, palco de sua efervesc\u00eancia bo\u00eamia entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1940, entrou em decad\u00eancia a partir dos anos 1960. A expans\u00e3o da cidade para as zonas Sul e Norte esvaziou progressivamente a regi\u00e3o. A partir dos anos 1980, a entrada em opera\u00e7\u00e3o do Porto de Suape, em 1983, e a transfer\u00eancia para Suape de empresas de combust\u00edveis instaladas no Porto do Recife, determinada em 1986, acrescentaram um novo componente a esse processo. O bairro tornou-se o menos populoso e o mais pobre entre os bairros do Centro.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">At\u00e9 o come\u00e7o dos anos 1990, o Bairro do Recife viveu em completo abandono, chegando \u00e0 noite a lembrar um cen\u00e1rio fantasmag\u00f3rico. As visitas noturnas ao Bar S\u00e3o Francisco, um dos poucos ainda em funcionamento, inclu\u00edam mesas improvisadas na cal\u00e7ada para observar os pr\u00e9dios antigos, desertos e desamparados, que o tempo teimava em esquecer. O mesmo drama se repetia nos bairros vizinhos de Santo Ant\u00f4nio e S\u00e3o Jos\u00e9, onde a hist\u00f3ria parecia ter estacionado na decad\u00eancia.<\/p>\n<h2>A semente plantada em 1987<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A primeira tentativa de reverter esse quadro veio ainda no primeiro mandato de Jarbas Vasconcelos, entre 1986 e 1988. Em 1987, a Prefeitura promoveu a elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Reabilita\u00e7\u00e3o do Bairro do Recife, sob a coordena\u00e7\u00e3o da arquiteta Am\u00e9lia Reynaldo. Criou-se tamb\u00e9m o Escrit\u00f3rio de Reabilita\u00e7\u00e3o do Bairro do Recife, reunindo representantes de diversas secretarias. O plano inspirava-se em experi\u00eancias internacionais como o Plano de Bolonha e as interven\u00e7\u00f5es de Oriol Bohigas em Barcelona.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Os planos, por\u00e9m, n\u00e3o avan\u00e7aram de imediato. J\u00e1 no governo estadual de Joaquim Francisco, iniciado em 1991, foi proposto um novo plano de desenvolvimento que posicionava o bairro como destino tur\u00edstico. O Plano de Revitaliza\u00e7\u00e3o do Bairro do Recife, inspirado na revitaliza\u00e7\u00e3o de Nova Orleans, ficou pronto em 1992. Mas a ideia de reabilitar o Recife Antigo j\u00e1 havia sido plantada. E, mais do que isso, a semente de que o Centro Hist\u00f3rico como um todo precisava ser repensado j\u00e1 come\u00e7ava a brotar.<\/p>\n<h2>O retorno em 1993 e a virada<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Quando Jarbas Vasconcelos retornou \u00e0 Prefeitura em 1993, o cen\u00e1rio era outro. O Plano de Revitaliza\u00e7\u00e3o do Bairro do Recife, inspirado na revitaliza\u00e7\u00e3o de Nova Orleans, ficara pronto em 1992. Agora, a gest\u00e3o municipal instituiu parcerias com investidores privados. Surgiu o Polo Bom Jesus, que englobava a Rua do Bom Jesus, a Rua do Apolo e a Pra\u00e7a do Arsenal, at\u00e9 ent\u00e3o apelidada de Pra\u00e7a dos Lisos por reunir trabalhadores \u00e0 espera de chamadas para o Porto.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A virada concreta veio com a Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho, que prop\u00f4s o projeto Cores da Cidade, em parceria com as Tintas Ypiranga. Inspirado em a\u00e7\u00f5es realizadas no Rio de Janeiro, o projeto previa a restaura\u00e7\u00e3o crom\u00e1tica das fachadas hist\u00f3ricas com cores vibrantes. A ades\u00e3o dos propriet\u00e1rios, no entanto, foi limitada. Para contornar isso, a Prefeitura expandiu o escopo, restaurando pr\u00e9dios estrat\u00e9gicos como a Associa\u00e7\u00e3o Comercial e a antiga Bolsa de Valores.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Esse processo contou com o apoio decisivo de institui\u00e7\u00f5es privadas, que se associaram ao poder p\u00fablico sem que o Recife precisasse ser vendido ou tivesse sua alma popular dilu\u00edda. Ao contr\u00e1rio, a beleza e a identidade do bairro foram tratadas como ativos a serem compartilhados com seus pr\u00f3prios habitantes.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O passo mais decisivo, por\u00e9m, foi a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de escrit\u00f3rio de neg\u00f3cios, respons\u00e1vel por intermediar o contato entre investidores interessados em instalar novos empreendimentos e os donos dos im\u00f3veis. A Prefeitura tamb\u00e9m realizou melhorias urbanas: cal\u00e7amento, fia\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea e a desapropria\u00e7\u00e3o de cinco pr\u00e9dios em ru\u00ednas na pr\u00f3pria Rua do Bom Jesus.<\/p>\n<h2>O poder p\u00fablico n\u00e3o esperou o mercado<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">H\u00e1 um aspecto particularmente relevante nessa hist\u00f3ria. Diante da aus\u00eancia inicial de investidores, a Prefeitura assumiu diretamente o risco de recuperar im\u00f3veis. Em 1993, decretos municipais declararam de interesse social, para fins de desapropria\u00e7\u00e3o total, im\u00f3veis situados na Rua do Bom Jesus. O poder p\u00fablico entrou onde o setor privado ainda n\u00e3o queria entrar.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Entre 1993 e 1996, segundo os pesquisadores S\u00edlvio Mendes Zancheti e Norma Lacerda, o poder p\u00fablico investiu R$ 2,66 milh\u00f5es na \u00e1rea do Polo Bom Jesus, enquanto o setor privado aplicou cerca de R$ 2,85 milh\u00f5es. Ou seja, para cada R$ 1,00 investido pelo poder p\u00fablico, a iniciativa privada investiu aproximadamente R$ 1,07.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O que isso significava? Que a Prefeitura n\u00e3o esperava sentada que o mercado descobrisse sozinho o potencial do Centro. Ela foi \u00e0 frente, desapropriou, restaurou, iluminou, cal\u00e7ou e, s\u00f3 ent\u00e3o, o setor privado apareceu.<\/p>\n<h2>Cultura como motor urbano<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Com o casario recuperado e a chegada de bares e restaurantes, a Rua do Bom Jesus se transformou, ao longo dos anos 1990, em polo de entretenimento e turismo. Shows e apresenta\u00e7\u00f5es culturais passaram a ser realizados em palcos montados no fim da rua, com nomes como Ant\u00f4nio N\u00f3brega e Alceu Valen\u00e7a. O Carnaval tomou conta da vizinha Pra\u00e7a do Arsenal. Serestas, S\u00e3o Jo\u00e3o, o programa Dan\u00e7ando na Rua, a programa\u00e7\u00e3o era permanente.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Em 1995, a Prefeitura lan\u00e7ou a Agenda Cultural em edi\u00e7\u00e3o impressa. Nascia tamb\u00e9m, em 1993, a campanha Recife Alto Astral, uma tentativa de recuperar a autoestima do recifense. O coquinho verde sorrindo tornou-se s\u00edmbolo de uma cidade que ousava acreditar em si mesma.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Ao mesmo tempo, a Rua da Moeda passou por uma ocupa\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, marcada pela abertura de bares de perfil alternativo e frequentados por um p\u00fablico mais jovem. A gera\u00e7\u00e3o que viveu aquele per\u00edodo dividia simbolicamente a cena noturna entre uma Berlim Ocidental, a Bom Jesus, e uma Berlim Oriental, a Moeda. A Moeda tamb\u00e9m recebeu est\u00edmulos culturais importantes, como o festival Rec-Beat e o bar Pina de Copacabana, que se tornaram refer\u00eancias da gera\u00e7\u00e3o mangue.<\/p>\n<h2>Seguran\u00e7a e presen\u00e7a do Estado<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A seguran\u00e7a era parte integrante do projeto. Havia policiamento espec\u00edfico, postos policiais e uma presen\u00e7a ostensiva do Estado. Mas a seguran\u00e7a n\u00e3o era apenas consequ\u00eancia do movimento. O movimento tamb\u00e9m dependia da seguran\u00e7a. As duas coisas se refor\u00e7avam mutuamente. O recifense que atravessava a ponte \u00e0 noite sabia que podia andar, ficar, consumir, curtir. N\u00e3o precisava olhar para tr\u00e1s a cada passo.<\/p>\n<h2>Jarbas Vasconcelos ia atr\u00e1s dos empres\u00e1rios<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">H\u00e1 relatos de que Jarbas Vasconcelos procurava pessoalmente empres\u00e1rios para convenc\u00ea-los a investir na Rua do Bom Jesus. O prefeito n\u00e3o esperava que a revitaliza\u00e7\u00e3o acontecesse sozinha. Ele acompanhava o projeto, visitava obras, cobrava secret\u00e1rios, conversava com artistas. Essa lideran\u00e7a pessoal, a capacidade de convencer, de articular, de estar presente, talvez seja o elemento mais dif\u00edcil de reproduzir em qualquer pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<h2>O Centro como destino, n\u00e3o como passagem<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A grande transforma\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica foi essa: o Bairro do Recife deixou de ser apenas lugar de trabalho diurno e tornou-se novamente um lugar onde as pessoas iam porque queriam ficar. N\u00e3o se tratava mais de atravessar a ponte para resolver um assunto no Centro. Tratava-se de atravessar a ponte para estar no Centro.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O que faz uma pessoa desejar atravessar uma ponte \u00e0 noite apenas para estar ali? Seguran\u00e7a, beleza, cultura, m\u00fasica, gastronomia, ilumina\u00e7\u00e3o, patrim\u00f4nio, encontro, movimento, curiosidade, identidade. Jarbas Vasconcelos, de alguma forma, entendeu que Centro Hist\u00f3rico n\u00e3o vive de pedra e cal. Vive de gente.<\/p>\n<h2>A Pra\u00e7a do Sebo e o esquecimento do Centro<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">N\u00e3o basta, por\u00e9m, olhar para a ilha do Recife. A pergunta que ecoa pelo Centro Hist\u00f3rico \u00e9 ainda mais ampla. Pr\u00f3ximo \u00e0 movimentada Avenida Guararapes, no cora\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00f4nio, a Pra\u00e7a do Sebo, tamb\u00e9m chamada de pra\u00e7a da Roda, guarda uma hist\u00f3ria de vitalidade cultural que hoje se desfaz. Fundada em 26 de agosto de 1981, ela completa 45 anos em 2026 como um dos mais democr\u00e1ticos polos de venda de livros antigos do Recife.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Ali, o povo recifense convergia para procurar os livros desejados, em um ritual de descoberta que ia al\u00e9m da compra. Os livreiros atuavam como verdadeiros guias liter\u00e1rios, e frequentadores ass\u00edduos, como o escritor Li\u00eado Maranh\u00e3o, ajudaram a construir a alma do lugar. O que restou hoje, por\u00e9m, \u00e9 o abandono. Apesar de uma tentativa de revitaliza\u00e7\u00e3o em 2021, que custou mais de R$ 35 mil com reforma do piso de pedra portuguesa e nova ilumina\u00e7\u00e3o, a pra\u00e7a parece ter sido novamente esquecida.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A ironia cruel \u00e9 que, enquanto a cidade discute projetos de concess\u00e3o para o chamado Distrito Guararapes, com planos do escrit\u00f3rio de Jaime Lerner que preveem a instala\u00e7\u00e3o de lojas de luxo, caf\u00e9s e boutiques, a pra\u00e7a que j\u00e1 foi um dos maiores polos de cultura popular agoniza. O temor \u00e9 que, ao tentar salvar o Centro com receitas de mercado, a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica acabe varrendo a alma bo\u00eamia e popular que ainda resiste. O que adianta projetar uma Paris tropical se estamos deixando apodrecer o sebo genuinamente recifense?<\/p>\n<h2>O que a imprensa dizia na \u00e9poca<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A imprensa nacional e local acompanhou o processo da revitaliza\u00e7\u00e3o do Recife Antigo. A Folha de S.Paulo registrou, em maio de 1996, as inten\u00e7\u00f5es do prefeito de fazer uma experi\u00eancia-piloto do projeto Cingapura no Recife. Revistas de arquitetura e publica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas passaram a citar o Bairro do Recife como caso de sucesso em revitaliza\u00e7\u00e3o urbana. A transforma\u00e7\u00e3o era vista, enquanto acontecia, como uma experi\u00eancia exitosa.<\/p>\n<h2>O que aconteceu depois<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Jarbas Vasconcelos deixou a Prefeitura em 1996. Posteriormente, o processo de recupera\u00e7\u00e3o do Recife Antigo perdeu for\u00e7a. A vitalidade constru\u00edda nos anos 1990 come\u00e7ou a se perder gradativamente. Hoje, o Recife Antigo e todo o seu entorno hist\u00f3rico s\u00e3o novamente marcados por abandono. Ruas pouco iluminadas, medo da viol\u00eancia, bandidos e criminosos que se aproveitam da situa\u00e7\u00e3o. Os shows e eventos promovidos pela Prefeitura n\u00e3o foram suficientes para devolver a vida ao bairro. Im\u00f3veis voltaram a ficar vazios. Bares fecharam. A sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a caiu. E a Pra\u00e7a do Sebo, que poderia ser um contraponto cultural vibrante, tornou-se um s\u00edmbolo do descaso.<\/p>\n<h2>Jarbas Vasconcelos governador e o Porto Digital<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Vale lembrar que Jarbas Vasconcelos, posteriormente como governador de Pernambuco entre 1999 e 2006, esteve tamb\u00e9m relacionado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do Porto Digital. O parque tecnol\u00f3gico reabilitou im\u00f3veis hist\u00f3ricos para abrigar empresas de tecnologia. H\u00e1 uma continuidade clara entre a ideia de recuperar im\u00f3veis hist\u00f3ricos com novas fun\u00e7\u00f5es, defendida na Prefeitura, e aquilo que o Porto Digital viria a representar. Em 2025, Jarbas Vasconcelos foi homenageado pelo Porto Digital pelos 25 anos do polo.<\/p>\n<h2>A grande diferen\u00e7a entre revitalizar e empreender<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Nos anos 1990, a pol\u00edtica parecia perguntar: como fazer as pessoas voltarem? Hoje, frequentemente, o debate urbano pergunta: como tornar economicamente vi\u00e1vel o im\u00f3vel? S\u00e3o perguntas diferentes, que produzem respostas diferentes.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Talvez naquela \u00e9poca ainda n\u00e3o existissem tantos nomes t\u00e9cnicos para explicar como salvar um Centro Hist\u00f3rico. Havia uma ideia mais simples: fazer com que as pessoas quisessem estar l\u00e1. O apoio privado existiu, mas nunca foi colocado acima da identidade popular. O Recife n\u00e3o foi vendido; ele foi devolvido aos recifenses.<\/p>\n<h2>Uma provoca\u00e7\u00e3o para o presente<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Se Recife j\u00e1 conseguiu devolver vida ao seu Centro uma vez, por que precisa reinventar tudo novamente? Por que a Pra\u00e7a do Sebo, com seus 45 anos de hist\u00f3ria e seu acervo de conhecimento, n\u00e3o \u00e9 tratada como o patrim\u00f4nio vivo que \u00e9?<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Jarbas Vasconcelos compreendeu algo aparentemente simples. Patrim\u00f4nio n\u00e3o sobrevive apenas com restaura\u00e7\u00e3o. Precisa de fun\u00e7\u00e3o. Precisa de pessoas. Precisa de seguran\u00e7a. Precisa de cultura. Precisa de atividade econ\u00f4mica. Precisa de gest\u00e3o. Precisa de desejo.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O pr\u00e9dio restaurado pode ser patrim\u00f4nio. A rua cheia \u00e9 cidade.<\/p>\n<h2>O que Recife aprendeu com Jarbas Vasconcelos e o que esqueceu depois dele<\/h2>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Jarbas Vasconcelos n\u00e3o inventou o Centro do Recife. Tamb\u00e9m n\u00e3o resolveu todos os seus problemas. Mas, durante algum tempo, conseguiu uma coisa que hoje parece extraordinariamente dif\u00edcil: fez o recifense desejar atravessar a ponte e ocupar tamb\u00e9m as ruas do entorno, como a da Roda, onde a cultura popular vibrava.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Talvez seja essa a primeira pergunta que qualquer novo plano para o Centro deveria responder: o que far\u00e1 algu\u00e9m querer voltar amanh\u00e3 para comprar um livro na Pra\u00e7a do Sebo ou tomar uma cerveja na Rua do Bom Jesus?<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Se ningu\u00e9m encontrar a resposta, chamem Jarbas Vasconcelos. Nem que seja apenas para perguntar como se fazia.<\/p>\n<p>Centro Hist\u00f3rico n\u00e3o vive de pedra e cal. Vive de gente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/MinC \u2013\u00a0 Quem atravessava a Ponte Maur\u00edcio de Nassau rumo ao Recife Antigo numa sexta-feira \u00e0 noite dos anos 1990 n\u00e3o precisava de campanha publicit\u00e1ria para saber que alguma coisa havia mudado. 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