{"id":4242,"date":"2026-07-20T17:09:12","date_gmt":"2026-07-20T20:09:12","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4242"},"modified":"2026-07-21T00:36:01","modified_gmt":"2026-07-21T03:36:01","slug":"prefeitura-do-recife-15-anos-de-descaso-com-o-premio-literario-da-cidade-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4242","title":{"rendered":"Prefeitura do Recife: 15 anos de descaso com o pr\u00eamio liter\u00e1rio da cidade. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc<\/strong><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\"><strong>Dois prefeitos, quinze anos, nenhuma edi\u00e7\u00e3o: o retrato de um compromisso que a Prefeitura do Recife escolheu esquecer<\/strong><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\"><em>Institu\u00eddo em 1972, o Pr\u00eamio Liter\u00e1rio Cidade do Recife n\u00e3o tem edital, resultado ou publica\u00e7\u00e3o desde 2010, ainda na gest\u00e3o de Jo\u00e3o da Costa. Nem a gest\u00e3o de Geraldo J\u00falio, entre 2013 e 2021, nem a de Jo\u00e3o Campos, no poder desde 2021, realizaram uma \u00fanica edi\u00e7\u00e3o do concurso<\/em><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">O Recife \u00e9 uma cidade que deu ao Brasil poetas como Solano Trindade, Carlos Pena Filho e Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto. \u00c9 tamb\u00e9m a cidade que, h\u00e1 quinze anos, deixou de realizar o pr\u00eamio liter\u00e1rio criado para continuar essa linhagem. Uma apura\u00e7\u00e3o da Gazeta Pernambucana constatou que o Pr\u00eamio Liter\u00e1rio Cidade do Recife, institu\u00eddo em 1972 pelo Conselho Municipal de Cultura, n\u00e3o tem edital, resultado ou publica\u00e7\u00e3o de vencedores desde 2010.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">O concurso premiava, todos os anos, obras in\u00e9ditas de autores brasileiros nas categorias romance, poesia e teatro. A categoria de poesia carrega at\u00e9 hoje, ao menos no nome, uma homenagem ao poeta recifense Eug\u00eanio Coimbra J\u00fanior, jornalista e primeiro ocupante da cadeira 38 da Academia Pernambucana de Letras. \u00c9 esse o tamanho da tradi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 silenciada.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">A \u00faltima cerim\u00f4nia documentada do pr\u00eamio ocorreu em dezembro de 2012, no Museu da Cidade do Recife. Aqui foram lan\u00e7ados os livros dos vencedores da edi\u00e7\u00e3o de 2010, ainda sob a gest\u00e3o do ent\u00e3o prefeito Jo\u00e3o da Costa, do PT, que governou a capital pernambucana entre janeiro de 2009 e janeiro de 2013.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">De l\u00e1 para c\u00e1, passaram pela Prefeitura do Recife as gest\u00f5es de Geraldo J\u00falio, do PSB, entre 2013 e 2021, e de Jo\u00e3o Campos, tamb\u00e9m do PSB, \u00e0 frente do munic\u00edpio desde janeiro de 2021 e reeleito em 2024.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Jo\u00e3o da Costa foi, portanto, o \u00faltimo prefeito a realizar o Pr\u00eamio Liter\u00e1rio Cidade do Recife, ainda em 2010. Geraldo J\u00falio, ao longo de seus dois mandatos e oito anos de gest\u00e3o, n\u00e3o realizou uma \u00fanica edi\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Campos, que j\u00e1 soma mais de cinco anos \u00e0 frente da capital, tamb\u00e9m n\u00e3o realizou nenhuma.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Em nenhum momento desde ent\u00e3o, portanto, o pr\u00eamio voltou a existir.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">N\u00e3o h\u00e1 edital publicado nesse per\u00edodo. N\u00e3o h\u00e1 resultado divulgado. N\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico autor recifense que tenha visto, nesses anos, sua obra in\u00e9dita premiada e publicada pela Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife. A pr\u00f3pria p\u00e1gina que a Secretaria de Cultura mantinha para o pr\u00eamio, no site oficial da Prefeitura, hoje devolve erro de p\u00e1gina n\u00e3o encontrada.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">\u00c9 preciso registrar, com o rigor que a apura\u00e7\u00e3o exige, que a aus\u00eancia de registros p\u00fablicos n\u00e3o prova de forma absoluta que o pr\u00eamio jamais foi retomado em algum formato menor ou n\u00e3o divulgado. Mas prova, com certeza, o sil\u00eancio. Um pr\u00eamio ativo se anuncia. Este n\u00e3o aparece em edital, em rede social ou em imprensa cultural h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Esse sil\u00eancio pesa mais quando se conhece a estatura liter\u00e1ria da cidade que o produz. O Recife n\u00e3o precisa inventar uma tradi\u00e7\u00e3o para justificar um pr\u00eamio. Ele j\u00e1 tem essa tradi\u00e7\u00e3o, viva em nomes que atravessaram o s\u00e9culo vinte e ainda ecoam na cultura pernambucana.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Solano Trindade nasceu no bairro de S\u00e3o Jos\u00e9, no Recife, em 1908, filho de um sapateiro. Tornou-se um dos criadores da poesia afro-brasileira assumidamente negra no pa\u00eds, organizando ao lado de Gilberto Freyre o primeiro Congresso Afro-Brasileiro, realizado na pr\u00f3pria cidade. Sua obra denuncia o racismo e a pobreza sem abrir m\u00e3o do lirismo popular.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Carlos Pena Filho tamb\u00e9m viveu no Recife, em 1929, e formou-se em Direito na mesma faculdade que revelou tantos outros escritores pernambucanos. Bo\u00eamio e frequentador do Bar Savoy, no centro da cidade, ele transformou o cotidiano da Avenida Guararapes e do bairro de Santo Ant\u00f4nio em mat\u00e9ria po\u00e9tica, retratando a boemia recifense dos anos 1950 com ironia e ternura. Morreu aos 31 anos, em 1960, mas deixou uma obra que Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto e Gilberto Freyre reconheceram como singular.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Mauro Mota nasceu em Nazar\u00e9 da Mata, no Engenho Burar\u00e9, em 1911, mas foi no Recife que construiu carreira, formou-se em Direito e viveu at\u00e9 sua morte, em 1984. Poeta de fundo simb\u00f3lico, dedicou boa parte de sua obra aos temas nordestinos e ao cotidiano da prov\u00edncia, sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1970. \u00c9 dele o poema Boletim Sentimental da Guerra do Recife, um dos retratos mais conhecidos da cidade em tempos de guerra.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Eug\u00eanio Coimbra J\u00fanior, o nome que batiza a categoria de poesia do pr\u00f3prio pr\u00eamio hoje esquecido, nasceu no Recife em 1905 e trabalhou como jornalista em praticamente todos os grandes jornais da cidade de sua \u00e9poca. Publicou Poemas de Abril e Outros Poemas e foi o primeiro ocupante de sua cadeira na Academia Pernambucana de Letras.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Joaquim Cardozo nasceu no Recife em 1897 e morreu em Olinda, em 1978. Engenheiro de forma\u00e7\u00e3o, tornou-se o calculista respons\u00e1vel pelas estruturas que Oscar Niemeyer projetou para Bras\u00edlia, entre elas o Pal\u00e1cio do Planalto e a Catedral Metropolitana. Foi Manuel Bandeira, ao lado de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, quem o incentivou a publicar seu primeiro livro de poesia, em 1947.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Ascenso Ferreira nasceu em Palmares, no interior de Pernambuco, mas foi no Recife, para onde se mudou aos 24 anos, que construiu sua carreira como um dos marcos do modernismo brasileiro na poesia regional. Incentivado por Manuel Bandeira, publicou Catimb\u00f3 em 1927, dando voz ao homem do engenho e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es populares nordestinas, e viveu na cidade at\u00e9 sua morte, em 1965.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Jaci Bezerra nasceu em Murici, em Alagoas, e ainda crian\u00e7a se mudou para Pernambuco, passando primeiro por Jaboat\u00e3o dos Guararapes antes de se fixar definitivamente no Recife, cidade que se tornou sua terra de ado\u00e7\u00e3o e de obra. Um dos expoentes da chamada Gera\u00e7\u00e3o 65, editou o suplemento liter\u00e1rio do Di\u00e1rio de Pernambuco e presidiu a Fundarpe. Recebeu o Pr\u00eamio Eug\u00eanio Coimbra J\u00fanior em 1985, o mesmo pr\u00eamio hoje silenciado pela Prefeitura, numa ironia que a pr\u00f3pria hist\u00f3ria se encarrega de sublinhar.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Ter\u00eaza Ten\u00f3rio nasceu e morreu no Recife, entre 1949 e 2020, e foi considerada a musa da Gera\u00e7\u00e3o 65. Cursou Direito e Belas Artes antes de se dedicar inteiramente \u00e0 poesia. Em 1992, recebeu o Pr\u00eamio de Poesia Dramatizada concedido pela pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife, tornando-se mais uma laureada direta do mecanismo que a Prefeitura deixa hoje sem continuidade.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Austro Costa nasceu em Limoeiro e chegou ao Recife aos 17 anos, tornando-se um dos poetas mais populares de seu tempo, descrito por Gilberto Freyre como um dos melhores poetas rom\u00e2nticos que Pernambuco j\u00e1 produziu. Dedicou versos ao rio Capibaribe e \u00e0s ruas da cidade que o acolheu, tornando-se membro da Academia Pernambucana de Letras.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Aud\u00e1lio Alves integrou essa mesma gera\u00e7\u00e3o de escritores recifenses que gravitava em torno de nomes como Mauro Mota, Nilo Pereira e C\u00e9sar Leal, parte do c\u00edrculo intelectual que sustentou a vida liter\u00e1ria da cidade ao longo do s\u00e9culo vinte.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Lucila Nogueira nasceu no Rio de Janeiro, em 1950, mas radicou-se em Pernambuco, onde morreu em 2016. Seu livro de estreia, Almenara, ganhou o Pr\u00eamio Manuel Bandeira do Governo de Pernambuco em 1978, pr\u00eamio que voltaria a receber anos depois. Foi professora de Letras na Universidade Federal de Pernambuco e a primeira mulher brasileira a representar o pa\u00eds no Festival Internacional de Poesia de Medell\u00edn, em 2006.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Francisco Austerliano Bandeira de Mello, poeta, jornalista e advogado que os mais pr\u00f3ximos chamavam de Bandeirinha, nasceu no Recife em 29 de abril de 1936 e morreu na mesma cidade em 7 de outubro de 2011, aos 75 anos, v\u00edtima de um ataque card\u00edaco. Ainda em 1955, ganhou o Pr\u00eamio de Poesia do Estado de Pernambuco com o livro O P\u00e1ssaro Narciso. Foi redator do Jornal do Com\u00e9rcio por d\u00e9cadas, onde tamb\u00e9m registrava suas mem\u00f3rias, participou do projeto do Centro de Conven\u00e7\u00f5es de Pernambuco e ocupou o cargo de secret\u00e1rio de Turismo, Cultura e Esportes. Publicou, entre outros t\u00edtulos, o livro de poemas M\u00e1quina de Orfeu, e foi membro da Academia Pernambucana de Letras. O poeta e artista pl\u00e1stico Vicente do Rego Monteiro chegou a inclu\u00ed-lo entre os nomes ligados \u00e0 Escola do Recife, celebrando sua obra em versos de forte imag\u00e9tica her\u00e1ldica, quase de armaria antiga, que retratam o poeta como guardi\u00e3o de s\u00edmbolos e mist\u00e9rios.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">H\u00e1 ainda os que n\u00e3o nasceram no Recife, mas que a cidade formou e marcou de maneira definitiva. Castro Alves, baiano, chegou aqui em 1862 e cursou o primeiro e o segundo ano na Faculdade de Direito, antes de se transferir para S\u00e3o Paulo em 1868. Tobias Barreto, sergipano, chegou pouco depois, formou-se bacharel na mesma faculdade e, anos mais tarde, voltou como professor catedr\u00e1tico, tornando-se o l\u00edder maior da Escola do Recife. Viveu e morreu aqui, em 1889. Nenhum dos dois nasceu recifense, mas os dois se tornaram, pela obra e pela entrega, parte indissoci\u00e1vel da hist\u00f3ria intelectual da cidade.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">O mesmo vale para Ledo Ivo. Alagoano de nascimento, ele veio para o Recife estudar Direito, e foi nesse per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o que a cidade se instalou de maneira definitiva em sua obra. Em versos que contrap\u00f5em a multiplicidade dos amores poss\u00edveis \u00e0 singularidade de uma cidade sem substituto, Ledo Ivo declarou ao Recife um afeto que muitos filhos da terra levariam a vida inteira para sentir com a mesma intensidade.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">E h\u00e1, por fim, o nome que talvez sintetize com mais for\u00e7a essa fus\u00e3o entre a cidade e sua poesia. Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto nasceu no Recife em 1920 e fez do rio Capibaribe, das pontes e dos mangues mat\u00e9ria-prima de uma das obras po\u00e9ticas mais importantes da l\u00edngua portuguesa no s\u00e9culo vinte. Sua poesia n\u00e3o descreve o Recife de fora, como quem observa uma paisagem qualquer. Ela nasce de dentro da geografia da cidade, da lama que a sustenta, da migra\u00e7\u00e3o que a atravessa.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">\u00c9 essa a estatura da tradi\u00e7\u00e3o que a Prefeitura do Recife deixa hoje sem pr\u00eamio. N\u00e3o se trata de uma cidade pobre em nomes tentando justificar a aus\u00eancia de um concurso que talvez nunca tivesse peso real. Trata-se do contr\u00e1rio. Uma cidade riqu\u00edssima em hist\u00f3ria liter\u00e1ria, que teve em 1972 o discernimento institucional de criar um mecanismo para premiar seus pr\u00f3prios escritores, e que agora, sob a gest\u00e3o de Jo\u00e3o Campos, deixa esse mecanismo apodrecer no esquecimento.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Cada ano sem edital \u00e9 um ano de escritores recifenses que n\u00e3o t\u00eam a oportunidade de ver seus manuscritos avaliados por um j\u00fari, premiados e publicados pela pr\u00f3pria cidade que os viu nascer ou que os adotou, como adotou Ascenso Ferreira, Jaci Bezerra, Austro Costa, Lucila Nogueira e Ledo Ivo.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">A Funda\u00e7\u00e3o de Cultura Cidade do Recife e a Secretaria de Cultura do munic\u00edpio devem explica\u00e7\u00f5es \u00e0 comunidade liter\u00e1ria pernambucana. Por que o pr\u00eamio parou. Se o Conselho Municipal de Cultura, respons\u00e1vel hist\u00f3rico por sua concess\u00e3o, ainda existe e ainda exerce essa fun\u00e7\u00e3o. E, sobretudo, se h\u00e1 qualquer inten\u00e7\u00e3o real de devolver ao Recife um instrumento que carrega, no pr\u00f3prio nome, o compromisso de representar a cidade perante a literatura brasileira.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" dir=\"auto\">Uma cidade que produziu Solano Trindade, Carlos Pena Filho, Eug\u00eanio Coimbra J\u00fanior, Joaquim Cardozo, Ter\u00eaza Ten\u00f3rio, Francisco Austerliano Bandeira de Mello e Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, e que soube adotar como seus poetas Mauro Mota, Ascenso Ferreira, Jaci Bezerra, Austro Costa, Lucila Nogueira e Ledo Ivo, n\u00e3o pode se dar ao luxo de manter apagado, por quinze anos, o pr\u00eamio que criou para dar continuidade a essa hist\u00f3ria. A Prefeitura do Recife precisa explicar \u00e0 cidade por que decidiu, na pr\u00e1tica, interromper esse compromisso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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