{"id":4215,"date":"2026-07-14T18:10:53","date_gmt":"2026-07-14T21:10:53","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4215"},"modified":"2026-07-14T18:11:07","modified_gmt":"2026-07-14T21:11:07","slug":"gazeta-pernambucana-o-dia-em-que-a-franca-trocou-de-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4215","title":{"rendered":"GAZETA PERNAMBUCANA &#8211; O dia em que a Fran\u00e7a trocou de corpo."},"content":{"rendered":"<h4 class=\"text-text-100 mt-2 -mb-1 text-base font-bold\" data-sourcepos=\"3:1-3:78;41-118\">GAZETA PERNAMBUCANA &#8211; Uma leitura antropol\u00f3gica da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, celebrada em 14 de julho<\/h4>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"5:1-5:644;120-763\">Um povo pode viver s\u00e9culos acreditando que o rei \u00e9 a carne vis\u00edvel de Deus na terra, que o trono \u00e9 um altar e que a fome do lavrador faz parte da ordem natural das coisas, tanto quanto a chuva ou a seca. E ent\u00e3o, num \u00fanico ver\u00e3o, esse mesmo povo pode decidir que nada daquilo era natural, que era apenas h\u00e1bito disfar\u00e7ado de eternidade, e derrubar o edif\u00edcio inteiro com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Foi isso que aconteceu na Fran\u00e7a entre o fim da primavera e o in\u00edcio do ver\u00e3o de 1789, e \u00e9 isso que a data de hoje pede que se compreenda, n\u00e3o como efem\u00e9ride escolar, mas como um dos raros momentos em que a humanidade trocou de corpo \u00e0 vista de si mesma.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"7:1-7:853;765-1617\">A Bastilha, tomada a 14 de julho, n\u00e3o guardava um arsenal tem\u00edvel nem multid\u00f5es de prisioneiros pol\u00edticos. Era antes um s\u00edmbolo gasto, quase vazio de fun\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, mas cheio de sentido simb\u00f3lico, o que explica por que uma multid\u00e3o faminta e mal armada se lan\u00e7ou contra suas pedras em vez de marchar sobre um alvo militarmente mais l\u00f3gico. Todo rito de passagem precisa de um objeto para destruir, de um corpo antigo para enterrar, e a fortaleza que vigiava o leste de Paris cumpriu esse papel com a exatid\u00e3o de um altar sacrificial. Ao arrancar suas pedras uma a uma nos meses seguintes e distribu\u00ed-las como rel\u00edquias por todo o pa\u00eds, o povo franc\u00eas n\u00e3o estava apenas comemorando uma vit\u00f3ria militar. Estava fabricando mem\u00f3ria, criando um objeto de culto para uma religi\u00e3o nova que ainda n\u00e3o tinha nome, mas que j\u00e1 sabia do que precisava se libertar.<\/p>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\" data-sourcepos=\"9:1-9:37;1619-1655\">O Antigo Regime como corpo doente<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"11:1-11:716;1657-2372\">Para compreender a intensidade daquele gesto, \u00e9 preciso olhar para a estrutura que ele derrubou n\u00e3o como um sistema pol\u00edtico abstrato, mas como um corpo social hierarquizado at\u00e9 a n\u00e1usea, em que cada categoria de pessoa ocupava um lugar fixado por nascimento e sancionado pelo altar. O clero rezava, a nobreza guerreava, e o terceiro estado, que reunia desde o campon\u00eas descal\u00e7o at\u00e9 o burgu\u00eas endinheirado de Lyon, trabalhava para sustentar os outros dois. Essa divis\u00e3o em tr\u00eas ordens n\u00e3o era apenas econ\u00f4mica, era cosmol\u00f3gica: cada corpo social tinha uma fun\u00e7\u00e3o sagrada, e romper essa fun\u00e7\u00e3o era romper a pr\u00f3pria ordem do mundo, como arrancar um \u00f3rg\u00e3o de um organismo vivo e esperar que ele continuasse respirando.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"13:1-13:854;2374-3227\">O que a crise fiscal da monarquia exp\u00f4s, com sua d\u00edvida monstruosa herdada de guerras e de um luxo cortes\u00e3o que j\u00e1 parecia obsceno aos olhos de quem passava fome nas ruas de Paris, foi que esse corpo estava doente havia muito tempo, apenas escondido sob camadas de cerim\u00f4nia e de teologia pol\u00edtica. A convoca\u00e7\u00e3o dos Estados Gerais, pensada pelo rei como um rem\u00e9dio t\u00e9cnico para equilibrar as contas do reino, funcionou como um espelho colocado diante de uma sociedade que j\u00e1 n\u00e3o suportava olhar para si mesma sem se assustar. O terceiro estado, ao se recusar a votar por ordem e exigir o voto por cabe\u00e7a, n\u00e3o estava apenas disputando um procedimento parlamentar. Estava dizendo, com a linguagem poss\u00edvel da \u00e9poca, que um padeiro e um campon\u00eas valiam tanto quanto um duque, e essa frase, hoje \u00f3bvia at\u00e9 a exaust\u00e3o, era em 1789 um terremoto antropol\u00f3gico.<\/p>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\" data-sourcepos=\"15:1-15:40;3229-3268\">A linguagem que a Revolu\u00e7\u00e3o inventou<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"17:1-17:795;3270-4064\">Antes de 1789, ningu\u00e9m falava em esquerda e direita como categorias morais. A express\u00e3o nasceu de um detalhe quase acidental, os deputados favor\u00e1veis a mudan\u00e7as mais profundas sentados \u00e0 esquerda do presidente da Assembleia, os defensores da tradi\u00e7\u00e3o \u00e0 direita, e o que era apenas geografia de plen\u00e1rio virou, em poucos anos, uma gram\u00e1tica universal para pensar o conflito humano. O mesmo se deu com a palavra povo, que deixou de designar uma massa passiva a ser governada e passou a nomear um sujeito capaz de agir sobre a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas trocou governantes, ela fabricou um vocabul\u00e1rio inteiro, e \u00e9 esse vocabul\u00e1rio, mais do que qualquer lei ou constitui\u00e7\u00e3o promulgada naqueles anos, que ainda habita a boca de quem discute pol\u00edtica em qualquer esquina do mundo hoje.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"19:1-19:794;4066-4859\">H\u00e1 algo de profundamente antropol\u00f3gico nesse fen\u00f4meno. Toda cultura organiza sua experi\u00eancia atrav\u00e9s de categorias que parecem naturais justamente porque foram inventadas h\u00e1 tempo suficiente para que ningu\u00e9m mais se lembre da inven\u00e7\u00e3o. A cidadania, a soberania popular, os direitos do homem proclamados em agosto daquele mesmo ano n\u00e3o descreviam uma realidade que j\u00e1 existia, \u00e0 espera de ser nomeada. Elas criaram a realidade que descreviam, no mesmo gesto duplo com que todo mito fundador cria o mundo que narra. Dizer que os homens nascem livres e iguais em direitos n\u00e3o era, em 1789, um enunciado sobre o que existia, mas uma aposta performativa sobre o que passaria a existir a partir daquela declara\u00e7\u00e3o, e o mundo ocidental inteiro ainda vive dentro dessa aposta, para o bem e para o mal.<\/p>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\" data-sourcepos=\"21:1-21:37;4861-4897\">O Terror como sombra da liberdade<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"23:1-23:811;4899-5709\">Nenhuma leitura honesta da Revolu\u00e7\u00e3o pode se furtar ao seu momento mais perturbador, o Terror que se seguiu poucos anos depois da queda da Bastilha, quando a guilhotina passou a funcionar como instrumento cotidiano de purifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. H\u00e1 uma tenta\u00e7\u00e3o f\u00e1cil, tanto de um lado quanto do outro, em resolver essa contradi\u00e7\u00e3o pela via simples do julgamento moral, ou celebrando a Revolu\u00e7\u00e3o e varrendo o Terror para debaixo do tapete, ou condenando a Revolu\u00e7\u00e3o inteira a partir do Terror, como se um cancelasse o outro. Mas a antropologia ensina algo mais inc\u00f4modo e mais verdadeiro: toda ruptura radical com uma ordem sagrada antiga precisa inventar uma nova forma de sacralidade para preencher o vazio que deixou, e o sangue, na maioria das culturas humanas, \u00e9 o material com que se fabricam os novos altares.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"25:1-25:900;5711-6610\">A guilhotina n\u00e3o era apenas uma m\u00e1quina de matar mais eficiente e menos dolorosa do que o machado, como seus criadores sinceramente acreditavam. Era um ritual p\u00fablico de purifica\u00e7\u00e3o, encenado em pra\u00e7a aberta, com plateia, com liturgia pr\u00f3pria, com um sacerd\u00f3cio revolucion\u00e1rio que substitu\u00eda o padre pelo tribunal e o pecado pela trai\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria. Robespierre, que sonhava com uma rep\u00fablica da virtude, acabou fabricando um mecanismo em que a virtude s\u00f3 podia ser provada pela disposi\u00e7\u00e3o de matar em nome dela, o que \u00e9 talvez a li\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica mais dura de todo o epis\u00f3dio: uma revolu\u00e7\u00e3o que promete libertar o ser humano de toda autoridade arbitr\u00e1ria corre sempre o risco de se tornar, ela mesma, a mais arbitr\u00e1ria das autoridades, precisamente porque acredita falar em nome de uma verdade absoluta, o povo, a raz\u00e3o, a virtude, que ningu\u00e9m tem o direito de contestar sem se tornar inimigo dela.<\/p>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\" data-sourcepos=\"27:1-27:44;6612-6655\">Pernambuco tamb\u00e9m ouviu o eco da Bastilha<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"29:1-29:850;6657-7506\">Essa mesma linguagem, fabricada em Paris entre 1789 e os anos seguintes, atravessou o Atl\u00e2ntico e chegou a Pernambuco carregada de urg\u00eancia. A Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817, ocorrida menos de trinta anos depois, bebeu diretamente do vocabul\u00e1rio revolucion\u00e1rio franc\u00eas, ainda que adaptado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de uma capitania colonial distante, escravista, e presa a uma metr\u00f3pole que acabara de se mudar para o outro lado do oceano. Os l\u00edderes de 1817 falavam em liberdade e em soberania popular com as mesmas palavras que os deputados do terceiro estado haviam usado em Versalhes, mas aplicavam essas palavras a uma realidade em que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o continuava escravizada, o que revela algo essencial sobre como as ideias revolucion\u00e1rias viajam: elas raramente chegam inteiras, quase sempre chegam recortadas pelo interesse de quem as importa.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"31:1-31:980;7508-8487\">Esse \u00e9, talvez, o ponto mais f\u00e9rtil para pensar o Brasil a partir da Fran\u00e7a revolucion\u00e1ria. Importamos o vocabul\u00e1rio da modernidade pol\u00edtica, rep\u00fablica, cidadania, igualdade perante a lei, antes de resolver as estruturas arcaicas que esse vocabul\u00e1rio deveria ter varrido. Proclamamos rep\u00fablicas sem nunca termos feito, de fato, a nossa vers\u00e3o da noite de 4 de agosto, aquela sess\u00e3o em que a Assembleia francesa aboliu de um s\u00f3 golpe os privil\u00e9gios feudais que ainda amarravam o campon\u00eas \u00e0 terra e ao senhor. O Brasil trocou de regime v\u00e1rias vezes ao longo de sua hist\u00f3ria sem nunca trocar verdadeiramente de corpo social, e \u00e9 por isso que ainda hoje convivemos com um abismo de casta que a linguagem republicana insiste em chamar de desigualdade econ\u00f4mica, como se fosse apenas uma quest\u00e3o de renda, e n\u00e3o a sobreviv\u00eancia de uma hierarquia que a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, com todo o seu sangue e toda a sua contradi\u00e7\u00e3o, ao menos teve a coragem de nomear e de tentar arrancar pela raiz.<\/p>\n<h2 class=\"text-text-100 mt-3 -mb-1 text-[1.125rem] font-bold\" data-sourcepos=\"33:1-33:53;8489-8541\">O que resta, duzentos e trinta e sete anos depois<\/h2>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\" data-sourcepos=\"35:1-35:753;8543-9295\">Talvez a heran\u00e7a mais honesta que se possa tirar da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, neste 14 de julho, n\u00e3o seja a celebra\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de um marco de liberdade conquistada, nem a condena\u00e7\u00e3o moralista de seus excessos, mas o reconhecimento de que toda sociedade humana carrega dentro de si a mesma tens\u00e3o que explodiu em Paris naquele ver\u00e3o: a dist\u00e2ncia entre o que uma cultura diz acreditar e o corpo social que efetivamente sustenta essa cren\u00e7a. A Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolveu essa dist\u00e2ncia, apenas a tornou vis\u00edvel de um modo que nenhuma gera\u00e7\u00e3o posterior conseguiu mais ignorar. E \u00e9 precisamente por isso que ela continua acontecendo, em vers\u00f5es parciais e inacabadas, sempre que um povo qualquer, em qualquer parte do mundo, decide que chegou a hora de trocar de corpo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GAZETA PERNAMBUCANA &#8211; Uma leitura antropol\u00f3gica da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, celebrada em 14 de julho Um povo pode viver s\u00e9culos acreditando que o rei \u00e9 a carne vis\u00edvel de Deus na terra, que o trono \u00e9 um altar e que a fome do lavrador faz parte da ordem natural das coisas, tanto quanto a chuva ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4216,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,35,36,65],"tags":[],"class_list":["post-4215","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-https-gazetapernambucana-com-page_id225","category-https-gazetapernambucana-com-page_id218","category-https-gazetapernambucana-com-page_id209","category-politica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v24.5 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>GAZETA PERNAMBUCANA - O dia em que a Fran\u00e7a trocou de corpo. -<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=4215\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"GAZETA PERNAMBUCANA - O dia em que a Fran\u00e7a trocou de corpo. -\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"GAZETA PERNAMBUCANA &#8211; 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