{"id":3790,"date":"2026-06-08T18:50:37","date_gmt":"2026-06-08T21:50:37","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3790"},"modified":"2026-06-08T20:18:02","modified_gmt":"2026-06-08T23:18:02","slug":"quando-as-minhas-decadas-ainda-doem-em-mim-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3790","title":{"rendered":"Quando as minhas d\u00e9cadas ainda doem em mim. Parte (I). Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"flex items-center justify-between\">A manh\u00e3 em que uma can\u00e7\u00e3o antiga acordou minhas lembran\u00e7as<\/h4>\n<div class=\"min-h-8 text-message relative flex w-full flex-col items-end gap-2 text-start break-words whitespace-normal outline-none keyboard-focused:focus-ring [.text-message+&amp;]:mt-1\" dir=\"auto\" data-message-author-role=\"assistant\" data-message-id=\"b5e44eec-9e1a-40a4-820e-4cf4d2ceaa85\" data-message-model-slug=\"gpt-5-5-thinking\">\n<div class=\"flex w-full flex-col gap-1 empty:hidden\">\n<div class=\"markdown prose dark:prose-invert wrap-break-word w-full light markdown-new-styling\">\n<p data-start=\"120\" data-end=\"822\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0<\/strong>Hoje pela manh\u00e3, ao ouvir novamente <strong data-start=\"156\" data-end=\"164\">\u201cTu\u201d<\/strong>, na voz de J\u00falio C\u00e9sar, senti que uma can\u00e7\u00e3o antiga pode trazer de volta n\u00e3o apenas um tempo, mas uma vida inteira escondida dentro do tempo: as radiolas grandes de madeira nas salas das casas, os clubes das cidades do interior, os bares onde a m\u00fasica pagava a confiss\u00e3o dos homens, os cabar\u00e9s de luzes coloridas, os amores que ficaram pelo caminho e essa estranha certeza de que nada do que amamos se perde completamente, porque tudo aquilo que um dia tocou fundo na alma continua existindo em algum compartimento secreto de n\u00f3s, esperando apenas uma nota, uma voz, um refr\u00e3o, uma manh\u00e3 qualquer, para se levantar dos escombros e dizer que ainda est\u00e1 vivo.<\/p>\n<p data-start=\"824\" data-end=\"841\">Foi assim comigo. A m\u00fasica come\u00e7ou, e de repente eu j\u00e1 n\u00e3o estava apenas diante de um aparelho moderno, dessa frieza luminosa das telas de hoje, onde tudo parece f\u00e1cil demais, r\u00e1pido demais, descart\u00e1vel demais; eu estava outra vez diante de uma radiola antiga, dessas grandes, pesadas, de madeira escura, quase um m\u00f3vel sagrado dentro da casa, com seu cheiro de verniz, sua tampa levantada, seu bra\u00e7o descendo lentamente sobre o disco como quem pousa uma m\u00e3o sobre uma lembran\u00e7a, e aquele chiado inicial, antes da voz, parecia anunciar n\u00e3o uma can\u00e7\u00e3o, mas uma cerim\u00f4nia \u00edntima, uma missa dom\u00e9stica celebrada para os vivos, para os mortos, para os ausentes e para todos os amores que nunca souberam o tamanho da perman\u00eancia que deixaram em n\u00f3s.<\/p>\n<p data-start=\"1570\" data-end=\"2164\">As d\u00e9cadas que vivi doem dentro de mim porque cada uma delas tem uma trilha sonora pr\u00f3pria, e nenhuma dessas trilhas ficou presa ao passado como imaginam os que pensam que o tempo passa inteiro; o tempo n\u00e3o passa inteiro, n\u00e3o, o tempo deixa farpas, deixa fotografias, deixa cheiros, deixa ruas, deixa nomes, deixa roupas no varal da mem\u00f3ria, deixa vozes guardadas no fundo de uma tarde, deixa um banco de pra\u00e7a, uma mesa de bar, um sal\u00e3o de clube, uma ficha caindo na radiola, uma m\u00e3o que a gente segurou sem saber que um dia passaria a vida inteira procurando de novo aquela mesma temperatura.<\/p>\n<p data-start=\"2166\" data-end=\"2685\">Naqueles anos, uma m\u00fasica n\u00e3o era apenas entretenimento, era destino; tocava <strong data-start=\"2243\" data-end=\"2262\">\u201cComo Vai Voc\u00ea\u201d<\/strong>, na voz de Ant\u00f4nio Marcos ou de Roberto Carlos, e a pergunta, aparentemente simples, atravessava a noite como uma carta que chegou tarde demais, porque ningu\u00e9m perguntava apenas como algu\u00e9m estava, perguntava tamb\u00e9m se ainda lembrava, se ainda do\u00eda, se a vida tinha conseguido apagar o que os olhos n\u00e3o conseguiram esquecer, se o amor, depois de tanto sil\u00eancio, ainda conservava algum lugar para se sentar dentro do peito.<\/p>\n<p data-start=\"2687\" data-end=\"3287\">E quando vinha <strong data-start=\"2702\" data-end=\"2741\">\u201cVoc\u00ea N\u00e3o Me Ensinou a Te Esquecer\u201d<\/strong>, de Fernando Mendes, parecia que o pr\u00f3prio t\u00edtulo j\u00e1 dizia tudo aquilo que a alma n\u00e3o tinha coragem de confessar, porque certas pessoas nos ensinam tantas coisas \u2014 o caminho de uma rua, o gosto de uma saudade, a alegria de uma espera, a dor de uma partida \u2014 mas n\u00e3o nos ensinam a esquec\u00ea-las, e talvez n\u00e3o ensinem porque ningu\u00e9m sabe verdadeiramente ensinar o esquecimento, essa mentira que a vida inventou para consolar os fracos, pois quem amou de verdade n\u00e3o esquece; apenas aprende a continuar vivendo com a presen\u00e7a invis\u00edvel do que perdeu.<\/p>\n<p data-start=\"3336\" data-end=\"3841\">Por isso <strong data-start=\"3345\" data-end=\"3359\">\u201cDetalhes\u201d<\/strong>, de Roberto Carlos, continua sendo uma dessas can\u00e7\u00f5es que parecem conhecer o invent\u00e1rio secreto dos amores antigos, porque o amor, quando termina, n\u00e3o termina nos grandes acontecimentos, termina nos detalhes: numa roupa, numa palavra, num perfume, numa risada lembrada de repente, numa m\u00fasica que toca sem aviso dentro de um supermercado, numa fotografia encontrada entre pap\u00e9is velhos, num n\u00famero de telefone que a mem\u00f3ria ainda sabe, embora a vida j\u00e1 n\u00e3o tenha coragem de discar.<\/p>\n<p data-start=\"3843\" data-end=\"4408\">Tamb\u00e9m me vieram as can\u00e7\u00f5es estrangeiras que nos ensinaram que a dor tinha muitos idiomas, mas falava sempre a mesma l\u00edngua dentro do cora\u00e7\u00e3o; <strong data-start=\"3986\" data-end=\"4008\">\u201cDio, come ti amo\u201d<\/strong>, com Gigliola Cinquetti, chegava como uma ora\u00e7\u00e3o italiana, exagerada e pura, melodram\u00e1tica como s\u00f3 os grandes amores sabem ser, e mesmo quem n\u00e3o compreendia cada palavra compreendia tudo, porque existe um idioma anterior \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o, um idioma que n\u00e3o passa pela gram\u00e1tica, mas pela ferida, pela ternura, pela vontade quase infantil de dizer a algu\u00e9m que o amor \u00e9 grande demais para caber numa frase.<\/p>\n<p data-start=\"4410\" data-end=\"5133\"><strong data-start=\"4410\" data-end=\"4421\">\u201cAline\u201d<\/strong>, de Christophe, trazia aquela dor fina, francesa, meio enevoada, como se um homem chamasse por uma mulher n\u00e3o apenas numa praia, numa rua ou numa lembran\u00e7a, mas dentro de um vazio onde a voz volta para o pr\u00f3prio peito; <strong data-start=\"4641\" data-end=\"4667\">\u201cOne Day in Your Life\u201d<\/strong>, de Michael Jackson, parecia prometer que um dia, em algum lugar do futuro, algu\u00e9m ainda se lembraria de n\u00f3s, e essa promessa era quase uma vingan\u00e7a delicada contra o esquecimento; <strong data-start=\"4849\" data-end=\"4869\">\u201cSkyline Pigeon\u201d<\/strong>, de Elton John, fazia a juventude querer voar, fugir, abrir as asas, atravessar o c\u00e9u, sair da gaiola estreita dos destinos pequenos, embora hoje eu saiba que muitos de n\u00f3s voamos apenas por dentro, enquanto a vida, severa, nos mantinha presos \u00e0s suas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"5135\" data-end=\"5704\">E como n\u00e3o lembrar de <strong data-start=\"5157\" data-end=\"5170\">\u201cMy Life\u201d<\/strong>, de Michael Sullivan, dessas m\u00fasicas que entravam pelas r\u00e1dios e se instalavam na juventude como se fossem propriedade de cada um de n\u00f3s, embora viessem de outro lugar, de outra l\u00edngua, de outra paisagem; ou de <strong data-start=\"5382\" data-end=\"5409\">\u201cIf You Could Remember\u201d<\/strong>, naquela voz de Tony Stevens, que era Jess\u00e9 antes de ser Jess\u00e9 para tantos cora\u00e7\u00f5es brasileiros, m\u00fasica que parecia nascer j\u00e1 com poeira de lembran\u00e7a, j\u00e1 com sombra de despedida, j\u00e1 com aquele sentimento de baile antigo onde algu\u00e9m dan\u00e7ava perto demais de um sonho e longe demais da felicidade.<\/p>\n<p data-start=\"5706\" data-end=\"6197\"><strong data-start=\"5706\" data-end=\"5727\">\u201cWe\u2019re All Alone\u201d<\/strong>, na voz de Rita Coolidge, tinha outra delicadeza, uma esp\u00e9cie de solid\u00e3o acompanhada, uma melancolia macia, dessas que n\u00e3o rasgam a alma de uma vez, mas v\u00e3o cobrindo tudo lentamente, como cortina descendo no fim de um espet\u00e1culo; e talvez fosse isso que aquelas m\u00fasicas faziam conosco: davam forma ao que n\u00e3o sab\u00edamos dizer, emprestavam palavras ao que s\u00f3 sab\u00edamos sentir, transformavam em melodia aquilo que, sem elas, talvez ficasse preso em n\u00f3s como choro engasgado.<\/p>\n<p data-start=\"6199\" data-end=\"6835\">Nas cidades do interior, os clubes tinham outra solenidade. Uma festa n\u00e3o era apenas uma festa; era um acontecimento social, sentimental, quase hist\u00f3rico para quem tinha pouco e sonhava muito. As mo\u00e7as se arrumavam como quem ia encontrar o futuro, os rapazes ensaiavam coragem diante do espelho, as luzes coloridas pareciam mais bonitas do que realmente eram, e quando uma m\u00fasica lenta come\u00e7ava, o sal\u00e3o inteiro mudava de temperatura, porque dan\u00e7ar junto, naquele tempo, era uma forma respeitosa de perigo, era chegar perto do mist\u00e9rio do outro sem dizer quase nada, era sentir que uma vida podia mudar dentro de tr\u00eas minutos de can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-start=\"6837\" data-end=\"7088\">Nos bares onde a m\u00fasica pagava a confiss\u00e3o dos homens, a radiola de ficha era uma esp\u00e9cie de confession\u00e1rio popular. Um sujeito chegava, colocava a moeda, escolhia a can\u00e7\u00e3o e fingia que escolhia apenas por gosto, quando na verdade escolhia por ferida.<\/p>\n<p data-start=\"7090\" data-end=\"7185\">A m\u00fasica que ele pedia na radiola dizia por ele o nome da dor que sua boca n\u00e3o sabia confessar.<\/p>\n<p data-start=\"7187\" data-end=\"7457\">Diante do balc\u00e3o, dos copos, da fuma\u00e7a e do sil\u00eancio, aquela voz que sa\u00eda da m\u00e1quina parecia revelar uma aus\u00eancia, uma trai\u00e7\u00e3o, um amor perdido, uma saudade antiga, um rosto que n\u00e3o voltava mais. Muitas l\u00e1grimas n\u00e3o ca\u00edram dos olhos; ca\u00edram disfar\u00e7adas dentro da m\u00fasica.<\/p>\n<p data-start=\"7459\" data-end=\"7981\">Nos cabar\u00e9s de luzes coloridas, onde a vida mostrava uma face mais crua, menos perfumada, mais humana, essas can\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tocavam, e talvez tocassem com uma verdade ainda maior, porque ali ningu\u00e9m precisava fingir inoc\u00eancia, ningu\u00e9m precisava vestir o amor com roupas de domingo; o amor aparecia como era, misturado a desejo, abandono, dinheiro curto, solid\u00e3o, promessa falsa, ternura inesperada e aquela tristeza de fim de noite que s\u00f3 conhece quem j\u00e1 viu uma cidade dormir enquanto algu\u00e9m continua acordado por dentro.<\/p>\n<p data-start=\"7983\" data-end=\"8442\">Quando penso em <strong data-start=\"7999\" data-end=\"8014\">\u201cA Esta\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>, de Roberto Carlos, volto a compreender que a vida tamb\u00e9m \u00e9 uma plataforma onde pessoas chegam e partem sem que a gente saiba, no momento da despedida, se aquilo \u00e9 apenas uma aus\u00eancia tempor\u00e1ria ou o come\u00e7o definitivo de uma saudade. Algumas pessoas foram ver\u00e3o, outras foram inverno, algumas chegaram como primavera e partiram deixando outono, mas todas, de algum modo, deixaram marcas no calend\u00e1rio \u00edntimo que carrego comigo.<\/p>\n<p data-start=\"8444\" data-end=\"9058\">As d\u00e9cadas que vivi doem dentro de mim porque foram feitas dessas esta\u00e7\u00f5es humanas: gente que chegou com sol, gente que partiu com chuva, gente que prometeu ficar e virou lembran\u00e7a, gente que quase nada disse e, ainda assim, ficou para sempre. O que a juventude n\u00e3o sabia \u00e9 que cada m\u00fasica ouvida com intensidade estava gravando alguma coisa no corpo da alma, e que muitos anos depois, numa manh\u00e3 aparentemente comum, bastaria ouvir <strong data-start=\"8877\" data-end=\"8885\">\u201cTu\u201d<\/strong> para que todas aquelas grava\u00e7\u00f5es antigas voltassem a tocar juntas, como se dentro de mim existisse uma radiola imensa, alimentada n\u00e3o por energia el\u00e9trica, mas por saudade.<\/p>\n<p data-start=\"9060\" data-end=\"9119\">E foi assim que a manh\u00e3 de hoje deixou de ser apenas manh\u00e3.\u00a0Ela virou sala antiga, bar de confiss\u00f5es, clube de interior, cabar\u00e9 de luzes coloridas, disco de vinil, perfume esquecido, rosto desaparecido, juventude distante, amor imposs\u00edvel, carta nunca enviada, telefone nunca atendido, esta\u00e7\u00e3o de trem, porta de cinema, domingo de r\u00e1dio ligado, noite de baile, sil\u00eancio depois da m\u00fasica.<\/p>\n<p data-start=\"9450\" data-end=\"9498\">Eu ouvi <strong data-start=\"9458\" data-end=\"9466\">\u201cTu\u201d<\/strong>, mas n\u00e3o ouvi somente <strong data-start=\"9489\" data-end=\"9497\">\u201cTu\u201d<\/strong>.Ouvi tudo.\u00a0Ouvi <strong data-start=\"9517\" data-end=\"9539\">\u201cDio, come ti amo\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9546\" data-end=\"9565\">\u201cComo Vai Voc\u00ea\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9572\" data-end=\"9611\">\u201cVoc\u00ea N\u00e3o Me Ensinou a Te Esquecer\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9618\" data-end=\"9632\">\u201cDetalhes\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9639\" data-end=\"9650\">\u201cAline\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9657\" data-end=\"9683\">\u201cOne Day in Your Life\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9690\" data-end=\"9710\">\u201cSkyline Pigeon\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9717\" data-end=\"9730\">\u201cMy Life\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9737\" data-end=\"9764\">\u201cIf You Could Remember\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9771\" data-end=\"9792\">\u201cWe\u2019re All Alone\u201d<\/strong>, ouvi <strong data-start=\"9799\" data-end=\"9814\">\u201c Outra Vez\u201d<\/strong>, de Roberto Carlos, passando diante dos meus olhos como se cada can\u00e7\u00e3o trouxesse consigo uma parte de mim que o tempo levou, mas n\u00e3o conseguiu destruir.<\/p>\n<p data-start=\"9969\" data-end=\"10015\">Porque a vida passa, sim, mas n\u00e3o passa limpa.\u00a0Ela passa deixando m\u00fasica.\u00a0E onde fica m\u00fasica, fica mem\u00f3ria; onde fica mem\u00f3ria, fica amor; onde fica amor, fica dor; e onde fica dor, fica tamb\u00e9m a prova mais funda de que estivemos vivos, de que atravessamos nossas d\u00e9cadas n\u00e3o como pedras, mas como homens sens\u00edveis, marcados, fr\u00e1geis e, ainda assim, capazes de continuar ouvindo uma can\u00e7\u00e3o antiga e reconhecendo nela n\u00e3o apenas o que fomos, mas tudo aquilo que ainda somos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A manh\u00e3 em que uma can\u00e7\u00e3o antiga acordou minhas lembran\u00e7as Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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