{"id":3762,"date":"2026-06-05T20:16:10","date_gmt":"2026-06-05T23:16:10","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3762"},"modified":"2026-06-05T20:16:10","modified_gmt":"2026-06-05T23:16:10","slug":"o-dia-em-que-a-saudade-bateu-a-porta-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3762","title":{"rendered":"O dia em que a saudade bateu \u00e0 porta. \u00a0Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"134\" data-end=\"789\">\u00a0<strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 C<\/strong>ertos dias a saudade n\u00e3o chega como uma visita anunciada, dessas que batem palmas no port\u00e3o da mem\u00f3ria e esperam que a gente abra a porta com alguma cerim\u00f4nia, mas entra pela casa sem pedir licen\u00e7a, atravessa a sala, encosta-se nos m\u00f3veis antigos do pensamento, mexe nos retratos que estavam aparentemente quietos dentro de n\u00f3s e, de repente, quando percebemos, j\u00e1 est\u00e1 sentada \u00e0 nossa mesa, tomando o caf\u00e9 frio das coisas que n\u00e3o voltam mais, olhando para a nossa vida com aquela intimidade silenciosa de quem conhece todos os nossos esconderijos, todas as nossas perdas, todas as nossas antigas alegrias guardadas em gavetas que fingimos ter esquecido.<\/p>\n<p data-start=\"791\" data-end=\"1515\">A saudade tem uma educa\u00e7\u00e3o estranha, porque n\u00e3o grita, n\u00e3o derruba portas, n\u00e3o amea\u00e7a ningu\u00e9m, mas possui uma autoridade maior do que qualquer viol\u00eancia, pois basta que ela toque de leve no ombro da alma para que o homem mais ocupado do mundo pare no meio da rua, esque\u00e7a por alguns segundos o destino para onde ia, olhe para um canto qualquer da cidade e descubra que ali, naquele peda\u00e7o de cal\u00e7ada, naquela \u00e1rvore envelhecida, naquela janela com cortina aberta ou naquele cheiro de chuva come\u00e7ando a subir do asfalto quente, havia uma parte inteira de sua vida que continuava vivendo sem ele, como se o passado, contrariando as leis do tempo, n\u00e3o aceitasse morrer apenas porque os calend\u00e1rios foram arrancando suas folhas.<\/p>\n<p data-start=\"1517\" data-end=\"2241\">N\u00e3o sei se todo mundo entende a saudade da mesma forma. Talvez haja quem pense que sentir saudade seja apenas lembrar de algu\u00e9m, de uma casa, de uma inf\u00e2ncia, de um amor, de uma voz, de um domingo antigo ou de uma mesa em volta da qual todos ainda estavam vivos e conversavam sem saber que aquele instante, t\u00e3o comum, t\u00e3o simples, t\u00e3o sem solenidade, um dia seria uma esp\u00e9cie de rel\u00edquia dolorosa dentro do peito. Mas a saudade \u00e9 mais do que lembran\u00e7a. A lembran\u00e7a \u00e9 uma fotografia que a mem\u00f3ria conserva; a saudade \u00e9 a m\u00e3o invis\u00edvel que passa sobre essa fotografia e faz a imagem respirar outra vez. A lembran\u00e7a mostra. A saudade devolve o peso. A lembran\u00e7a diz: foi assim. A saudade pergunta: por que n\u00e3o pode ser de novo?<\/p>\n<p data-start=\"2243\" data-end=\"2927\">E talvez seja exatamente por isso que a saudade nos humanize tanto, porque ela nos impede de sermos criaturas apenas do presente, esses seres apressados que correm de uma obriga\u00e7\u00e3o para outra, de uma not\u00edcia para outra, de uma tela para outra, sem perceber que a vida verdadeira muitas vezes n\u00e3o est\u00e1 no brilho ansioso do que acontece agora, mas naquilo que permaneceu dentro de n\u00f3s com uma esp\u00e9cie de claridade antiga, como uma lamparina acesa no fundo da casa, iluminando discretamente os corredores por onde ainda caminham os passos de quem amamos, os risos de quem partiu, as palavras que n\u00e3o tivemos coragem de dizer e at\u00e9 os sil\u00eancios que, s\u00f3 muito depois, aprendemos a escutar.<\/p>\n<p data-start=\"2929\" data-end=\"3662\">H\u00e1 saudades que t\u00eam cheiro de caf\u00e9 coado em pano, de ch\u00e3o lavado no fim da tarde, de roupa secando no varal, de caderno escolar com a primeira letra torta, de feira livre, de igreja antiga, de banco de pra\u00e7a, de livro emprestado que nunca foi devolvido, de r\u00e1dio ligado baixinho na cozinha, de m\u00e3e chamando o filho pelo nome inteiro quando a preocupa\u00e7\u00e3o era grande demais para caber num apelido. H\u00e1 saudades que t\u00eam som de port\u00e3o rangendo, de chinelo no corredor, de chuva no telhado, de prato sendo colocado na mesa, de uma voz que a morte levou embora mas que continua, por alguma miseric\u00f3rdia misteriosa, repetindo dentro de n\u00f3s certas frases pequenas que se tornaram eternas porque foram ditas por quem nunca deveria ter partido.<\/p>\n<p data-start=\"3664\" data-end=\"4348\">E h\u00e1 tamb\u00e9m a saudade dos amores, essa forma mais perigosa e mais luminosa de perman\u00eancia, porque o amor, quando \u00e9 verdadeiro, mesmo quando termina, n\u00e3o se comporta como um objeto que se devolve, uma chave que se entrega, uma roupa que se esquece no fundo do arm\u00e1rio, mas como uma casa constru\u00edda dentro da pr\u00f3pria alma, uma casa que pode ficar fechada por anos, com as janelas cobertas de poeira e as cadeiras vazias, mas que continua existindo, inteira, esperando que um perfume, uma m\u00fasica, uma tarde, uma palavra ou a simples inclina\u00e7\u00e3o da luz sobre a parede fa\u00e7a a porta se abrir novamente, e ent\u00e3o descobrimos que ningu\u00e9m sai completamente de um lugar onde foi amado de verdade.<\/p>\n<p data-start=\"4350\" data-end=\"5086\">Por isso, n\u00e3o devemos desprezar a saudade como se ela fosse apenas uma fraqueza sentimental, um luxo de quem se demora demais no que passou ou uma doen\u00e7a rom\u00e2ntica de almas incapazes de aceitar a dureza do mundo. A saudade, quando n\u00e3o nos destr\u00f3i, nos aprofunda. Ela nos ensina que fomos tocados por alguma coisa importante, que houve em nossa vida pessoas, lugares e instantes capazes de deixar marcas que nem o tempo, nem a dist\u00e2ncia, nem a morte conseguiram apagar. O vazio que a saudade abre \u00e9, muitas vezes, a prova de que algo imenso existiu. S\u00f3 sente falta quem teve presen\u00e7a. S\u00f3 sente aus\u00eancia quem conheceu a plenitude de algu\u00e9m ou de alguma coisa. S\u00f3 d\u00f3i assim aquilo que um dia foi grande o bastante para morar dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p data-start=\"5088\" data-end=\"5746\">Talvez a grande trag\u00e9dia do nosso tempo seja essa tentativa desesperada de viver sem saudade, como se o passado fosse um arquivo morto que devemos deletar para seguir adiante, como se amadurecer fosse esquecer, como se a felicidade dependesse de apagar todas as pegadas deixadas no caminho. Mas ningu\u00e9m amadurece apagando o que viveu. A gente amadurece aprendendo a carregar. Carregar sem se ajoelhar para sempre diante da perda. Carregar sem transformar a vida num altar de lamenta\u00e7\u00f5es. Carregar como quem leva no bolso uma pequena pedra encontrada numa praia distante, uma pedra sem valor para os outros, mas que guarda, para n\u00f3s, o barulho do mar inteiro.<\/p>\n<p data-start=\"5748\" data-end=\"6379\">Hoje, se a saudade bater \u00e0 porta, talvez n\u00e3o seja preciso expuls\u00e1-la. Talvez seja melhor deix\u00e1-la entrar, oferecer-lhe uma cadeira, permitir que ela fale um pouco, que mostre os rostos que trouxe, que devolva por alguns minutos a luz de um tempo que parecia perdido. Depois, quando ela se levantar para ir embora, porque at\u00e9 a saudade, quando respeitada, sabe a hora de sair, talvez fiquemos um pouco mais silenciosos, um pouco mais fr\u00e1geis, mas tamb\u00e9m um pouco mais humanos, como quem compreende que a vida n\u00e3o \u00e9 feita apenas do que permanece ao nosso lado, mas tamb\u00e9m daquilo que, tendo ido embora, continua nos ensinando a amar.<\/p>\n<p data-start=\"6381\" data-end=\"7030\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">E se algu\u00e9m perguntar por que ainda sentimos saudade, mesmo depois de tantos anos, mesmo depois de tantas mudan\u00e7as, mesmo depois de tantas portas fechadas e estradas percorridas, talvez a resposta seja simples: porque o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o obedece ao calend\u00e1rio dos homens. Ele guarda suas pr\u00f3prias datas, seus pr\u00f3prios anivers\u00e1rios secretos, suas pr\u00f3prias liturgias de dor e beleza. E, enquanto houver dentro de n\u00f3s uma voz antiga chamando pelo que foi amado, a saudade continuar\u00e1 sendo essa visita misteriosa que chega sem avisar, n\u00e3o para nos devolver o passado, mas para nos lembrar que algumas coisas, justamente por terem passado, ficaram para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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