{"id":3700,"date":"2026-05-27T23:22:10","date_gmt":"2026-05-28T02:22:10","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3700"},"modified":"2026-05-27T23:22:10","modified_gmt":"2026-05-28T02:22:10","slug":"onde-andam-os-barquinhos-de-papel-da-minha-infancia-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3700","title":{"rendered":"Onde andam os barquinhos de papel da minha inf\u00e2ncia. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013 <\/strong>Hoje eu caminhei debaixo de uma chuva grande, dessas que n\u00e3o chegam apenas para molhar a roupa, o rosto e os sapatos, mas para tocar, com dedos de \u00e1gua antiga, alguma parte esquecida da alma, alguma gaveta secreta onde o tempo guarda, sem alarde, os brinquedos quebrados da inf\u00e2ncia, os nomes que j\u00e1 n\u00e3o chamamos em voz alta, os amores que n\u00e3o souberam ficar, as alegrias que partiram sem pedir licen\u00e7a e aquelas pequenas felicidades que a vida adulta, distra\u00edda de si mesma, vai deixando cair pelos cantos como moedas perdidas no bolso de uma cal\u00e7a velha.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">A chuva veio sobre mim com uma ternura quase dom\u00e9stica, sem pedir explica\u00e7\u00e3o, sem exigir defesa, sem perguntar idade, destino ou raz\u00e3o, e de repente eu j\u00e1 n\u00e3o era apenas o homem caminhando pelas ruas molhadas de uma cidade qualquer, mas uma esp\u00e9cie de menino reaparecido dentro do pr\u00f3prio corpo, um menino que, por muitos anos, talvez tenha permanecido calado no fundo do peito, esperando que o c\u00e9u se abrisse para lhe devolver a licen\u00e7a de correr sem vergonha, de rir sozinho, de sentir a \u00e1gua escorrer pela testa como se cada gota fosse uma palavra materna pronunciada sobre a pele. Quando a primeira gota tocou o rosto, algo se abriu, n\u00e3o como ferida, mas como janela, como aquelas janelas antigas de madeira que emperram no ver\u00e3o e cedem de repente, deixando entrar de uma vez o cheiro da tarde toda.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">O banho de chuva tem esse poder silencioso de nos desarmar. Ele tira de n\u00f3s a compostura excessiva, a pose cansada, o medo de parecer simples, e nos devolve, ainda que por instantes, \u00e0quele tempo em que a felicidade n\u00e3o precisava de cen\u00e1rio, bastava uma enxurrada passando pelo meio-fio, um peda\u00e7o de papel dobrado \u00e0s pressas, um barquinho fr\u00e1gil entregue \u00e0 correnteza como quem entrega ao mundo uma embarca\u00e7\u00e3o de sonho, sem saber que, muitos anos depois, aqueles pequenos barcos ainda navegar\u00e3o dentro da mem\u00f3ria, levando embora, pelas \u00e1guas invis\u00edveis da vida, aquilo que fomos e aquilo que n\u00e3o conseguimos ser. A gente os dobrava com aquela dedica\u00e7\u00e3o sem nome que s\u00f3 a inf\u00e2ncia tem, aquela concentra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sabe que \u00e9 concentra\u00e7\u00e3o e por isso n\u00e3o cansa, e os lan\u00e7ava na correnteza como se fossem sonhos com destino certo, sem perceber que est\u00e1vamos aprendendo, desde cedo, a beleza e a dor de soltar, que tudo que se lan\u00e7a segue seu pr\u00f3prio curso, que a correnteza n\u00e3o consulta ningu\u00e9m, e que assistir \u00e0 partida de um barquinho de papel \u00e9, no fundo, o primeiro ensaio de todas as despedidas que vir\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Enquanto a chuva ca\u00eda, pensei no caf\u00e9 quente diante da janela, nessa liturgia \u00edntima dos dias molhados, quando a x\u00edcara parece guardar um pequeno sol entre as m\u00e3os e a cidade, l\u00e1 fora, escorre devagar pelas vidra\u00e7as como se chorasse sem tristeza. Pensei nos restaurantes onde algu\u00e9m observa a rua encharcada e v\u00ea passar, sob guarda-chuvas apressados, a coreografia humilde das chegadas e despedidas, um casal que se reconcilia sem grandes palavras, uma mulher que espera algu\u00e9m que talvez n\u00e3o venha, um homem parado na esquina com a express\u00e3o de quem perdeu mais do que um compromisso, uma crian\u00e7a estendendo a m\u00e3o para sentir se o c\u00e9u ainda fala. E nessa contempla\u00e7\u00e3o silenciosa onde a gente n\u00e3o pensa, apenas existe, existe talvez mais do que em todo o tempo que se passa pensando.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">A chuva tamb\u00e9m conhece os fracassos. Ela desce sobre os telhados das madrugadas insones como uma conversa antiga, dessas que come\u00e7am baixinho e v\u00e3o subindo pelos corredores da casa, batendo nas telhas, nos pensamentos, nos retratos da parede, at\u00e9 alcan\u00e7ar o lugar onde guardamos as perguntas sem resposta. Quantas vezes a chuva n\u00e3o foi companhia de quem chorou sem testemunha, de quem escreveu uma carta e n\u00e3o enviou, de quem ouviu o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o fazer barulho no escuro, de quem descobriu, tarde demais, que certas despedidas n\u00e3o s\u00e3o portas fechadas, mas casas inteiras desaparecendo dentro da noite. Nas madrugadas de chuva, as perdas ficam mais pr\u00f3ximas, mas tamb\u00e9m mais brandas, como se a \u00e1gua lavasse alguma coisa sem apagar, como se limpeza e saudade fossem a mesma opera\u00e7\u00e3o executada em tempos distintos.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">E, no entanto, a chuva n\u00e3o \u00e9 apenas lamento. Ela \u00e9 tamb\u00e9m o riso dos meninos jogando bola debaixo d&#8217;\u00e1gua, com os p\u00e9s enlameados, os cabelos grudados na testa, a camisa colada ao corpo, transformando cada po\u00e7a em est\u00e1dio, cada escorreg\u00e3o em vit\u00f3ria, cada grito em clar\u00e3o de liberdade, aquela tribo sem medo e sem guarda-chuva que n\u00e3o via no temporal nenhum inimigo, mas um \u00e1rbitro benevolente que transformava o jogo em lama e a lama em alegria pura, sem media\u00e7\u00e3o, sem filtro, sem a camada de prud\u00eancia que os anos v\u00e3o depositando sobre a pele at\u00e9 que a pele esquece como \u00e9 ser porosa, perme\u00e1vel, aberta ao mundo. Ela \u00e9 a estrada de barro levando aos engenhos e s\u00edtios, onde o cheiro da terra molhada sobe como p\u00e3o rec\u00e9m-aberto da mem\u00f3ria, trazendo de volta vozes de av\u00f3s, cozinhas antigas, fog\u00f5es acesos, redes balan\u00e7ando no alpendre, cachorros sacudindo o pelo, gente simples olhando o c\u00e9u como quem entende a linguagem secreta das nuvens.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">A chuva ensina uma caridade sem discurso. Basta uma tempestade inesperada para que um desconhecido se torne abrigo, para que algu\u00e9m divida a marquise, ofere\u00e7a um peda\u00e7o de guarda-chuva, segure o bra\u00e7o de quem escorrega, proteja uma sacola, uma crian\u00e7a, um idoso, um gesto m\u00ednimo no meio da pressa, aquele gesto que n\u00e3o pede licen\u00e7a e n\u00e3o espera agradecimento, que nasce de algum lugar anterior \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao c\u00e1lculo, de algum lugar onde ainda somos simplesmente humanos uns para os outros. E talvez seja nessas horas que a vida revele sua beleza mais funda, quando a \u00e1gua desorganiza os hor\u00e1rios e obriga os seres humanos a se reconhecerem fr\u00e1geis, molhados, parecidos, igualmente expostos ao mesmo c\u00e9u. A chuva n\u00e3o aceita vidra\u00e7a. Essa \u00e9 a sua generosidade mais brutal.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">O banho de chuva de hoje n\u00e3o lavou apenas o meu corpo. Lavou a poeira invis\u00edvel dos dias repetidos, a dureza acumulada nas horas, a pressa que vai tornando o cora\u00e7\u00e3o \u00e1spero, o excesso de ser adulto como quem carrega uma pasta pesada demais. A cada gota, parecia que alguma coisa antiga retornava, n\u00e3o como saudade triste, mas como alvorecer \u00edntimo, como se a inf\u00e2ncia, longe de ser um pa\u00eds perdido, fosse apenas uma luz esperando a coragem de reacender dentro de n\u00f3s. Eu estava encharcado e era o homem mais rico do quarteir\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">E eu caminhei, molhado e enternecido, sentindo que a chuva era menos \u00e1gua do que visita, menos fen\u00f4meno do c\u00e9u do que presen\u00e7a viva da exist\u00eancia, uma velha amiga chegando sem aviso para sentar-se \u00e0 mesa da alma e dizer, com sua voz l\u00edquida nos telhados, nos ombros, nas ruas e nos pensamentos, que ainda existe dentro do homem uma crian\u00e7a capaz de se encantar com o mundo, que ainda podemos ser tocados pela beleza sem precisar explic\u00e1-la, que ainda h\u00e1, no meio das perdas, uma alegria simples correndo pelos meio-fios do tempo. A chuva n\u00e3o tem nostalgia. Essa \u00e9 a sua superioridade sobre n\u00f3s. Ela n\u00e3o lamenta o que foi nem anseia o que vir\u00e1, ela apenas cai, completa, inteira, absolutamente presente no \u00fanico tempo que existe.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Talvez seja por isso que o banho de chuva nos comova tanto. Porque ele n\u00e3o nos leva para longe da vida. Ele nos devolve a ela. Devolve o cheiro da terra, o gosto do caf\u00e9, a m\u00fasica dos telhados, a lama dos caminhos, os barquinhos de papel, os jogos de bola, os abra\u00e7os improvisados, as janelas acesas, os amores que vieram, os amores que foram, os reencontros que salvaram um dia inteiro e as perdas que, mesmo doendo, ajudaram a desenhar a nossa humanidade.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">No fim da caminhada, eu j\u00e1 n\u00e3o sabia se havia atravessado a chuva ou se a chuva havia atravessado a minha vida inteira. S\u00f3 sei que voltei para casa com a roupa molhada e a alma mais leve, como quem recebe, depois de muitos anos, uma carta escrita pelo menino que foi um dia, dizendo, com letra torta e cora\u00e7\u00e3o limpo, que ele ainda mora aqui, que nunca partiu de todo, que basta chover com ternura sobre o mundo para que ele volte, descal\u00e7o, risonho, carregando nas m\u00e3os um barquinho de papel e nos olhos a esperan\u00e7a inocente de que toda correnteza, por mais funda que pare\u00e7a, ainda pode levar algum sonho para um lugar bonito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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