{"id":3620,"date":"2026-05-23T00:15:15","date_gmt":"2026-05-23T03:15:15","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3620"},"modified":"2026-05-23T00:15:15","modified_gmt":"2026-05-23T03:15:15","slug":"o-dia-em-que-o-abraco-parou-o-tempo-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3620","title":{"rendered":"O dia em que o abra\u00e7o parou o tempo. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0\u00a0<\/strong>Existe algo no gesto que antecede toda linguagem, que habita um territ\u00f3rio anterior \u00e0s palavras e sobrevive intocado mesmo quando a mem\u00f3ria come\u00e7a a se desfazer como a\u00e7\u00facar na chuva, e esse algo tem a forma de dois bra\u00e7os que se fecham ao redor de um corpo, tem o peso de um sil\u00eancio que ningu\u00e9m precisou ensinar, tem o calor espec\u00edfico de uma promessa que n\u00e3o foi proferida em voz alta mas que todos n\u00f3s, em algum momento de clareza verdadeira, j\u00e1 compreendemos como se f\u00f4ssemos capazes de ler a mensagem escrita na pr\u00f3pria carne do outro.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">O abra\u00e7o \u00e9 um idioma, e como todo idioma verdadeiro, tem timbres, tem sotaques, tem entona\u00e7\u00f5es que mudam o sentido sem mudar a forma. O mesmo gesto dado por dois corpos diferentes diz coisas completamente distintas, como a mesma palavra pronunciada com afeto ou com ironia deixa de ser a mesma palavra, e entre o abra\u00e7o curto de quem est\u00e1 com pressa e o abra\u00e7o que n\u00e3o sabe quando terminar existe um vocabul\u00e1rio inteiro que a pele compreende antes que o pensamento organize qualquer interpreta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um ornamento da rela\u00e7\u00e3o humana, n\u00e3o \u00e9 o la\u00e7o decorativo que envolve o presente depois que o presente j\u00e1 est\u00e1 completo, mas \u00e9, ao contr\u00e1rio, a pr\u00f3pria subst\u00e2ncia do que nos une, o idioma que aprendemos antes de aprender qualquer outro e que teimamos em esquecer \u00e0 medida que o mundo nos vai convencendo de que o tempo \u00e9 uma moeda escassa demais para ser gasta com paradas, com pausas, com o gesto lento de receber algu\u00e9m nos bra\u00e7os como se aquele instante merecesse existir fora da corrente dos acontecimentos, suspenso e inteiro como uma gota que n\u00e3o decide cair.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">O abra\u00e7o \u00e9 tamb\u00e9m um caminho, e como todo caminho, ele leva a algum lugar, atravessa territ\u00f3rio, prepara o corpo e o esp\u00edrito para o que vir\u00e1 adiante. Existe nele uma estrada que alcan\u00e7a o beijo e o amor, n\u00e3o como atalho, mas como travessia necess\u00e1ria, porque o beijo que n\u00e3o passou pelo abra\u00e7o tem uma qualidade diferente, como uma frase que come\u00e7a no meio, sem o tempo necess\u00e1rio para que a confian\u00e7a se instale, e o amor que n\u00e3o sabe abra\u00e7ar com aten\u00e7\u00e3o \u00e9 um amor que ainda n\u00e3o aprendeu a habitar o outro, que ainda confunde a intensidade com a profundidade e n\u00e3o percebe que profundidade \u00e9 outra coisa, \u00e9 lentid\u00e3o, \u00e9 perman\u00eancia, \u00e9 a capacidade de ficar. Quando dois corpos se abra\u00e7am com verdade, o que acontece entre eles n\u00e3o \u00e9 apenas contato, \u00e9 uma forma de negocia\u00e7\u00e3o silenciosa, uma conversa conduzida inteiramente pela pele, em que cada ajuste de press\u00e3o e cada respira\u00e7\u00e3o que se acomoda no ritmo da outra \u00e9 uma frase desse idioma antigo que todos falamos e poucos reconhecemos como linguagem.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Quando se pensa em tudo o que o homem moderno carrega, na velocidade que foi transformada em virtude e na dist\u00e2ncia que se tornou norma, \u00e9 quase desconcertante perceber que o abra\u00e7o persiste, que ele continua acontecendo nas plataformas de trem e nas salas de hospital e nos aeroportos onde as chegadas e as partidas se confundem como dois rios que dividem a mesma margem, e que ningu\u00e9m precisou decretar o Dia do Abra\u00e7o para que as pessoas sentissem a necessidade de se segurar umas \u00e0s outras, embora talvez seja \u00fatil que um dia exista para nos lembrar de que a urg\u00eancia cotidiana n\u00e3o nos autoriza a abandonar o que \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Recordo a minha av\u00f3, que tinha nos bra\u00e7os uma for\u00e7a que a velhice n\u00e3o conseguiu diminuir, como se o afeto fosse capaz de conservar os m\u00fasculos melhor do que qualquer exerc\u00edcio, e quando ela me abra\u00e7ava na tarde de ver\u00e3o eu sentia que havia ali uma transfer\u00eancia de algo que n\u00e3o tem nome preciso na ci\u00eancia, uma passagem de um estado para outro, como quando o ar frio de uma tarde de outono atravessa a janela aberta e reorganiza tudo dentro do quarto, os pap\u00e9is, o cheiro, a disposi\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, e de dentro daquele abra\u00e7o eu sa\u00eda diferente, n\u00e3o transformado de modo vis\u00edvel, mas reorientado, como uma b\u00fassola que encontrou o norte depois de ter ficado girando sobre si mesma por muito tempo.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">O que h\u00e1 de mais singular nesse idioma do corpo \u00e9 a sua dimens\u00e3o de consentimento, o abra\u00e7o como um sim pronunciado com toda a carne, uma declara\u00e7\u00e3o em que dois corpos dizem ao mesmo tempo eu te quero em mim e eu em ti, e essa declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser falsificada por muito tempo sem que o outro perceba, porque o abra\u00e7o vazio \u00e9 sentido quase de imediato, com aquela percep\u00e7\u00e3o imediata e um pouco triste de que os bra\u00e7os estavam l\u00e1 mas a pessoa n\u00e3o estava, que o gesto aconteceu mas o idioma ficou mudo, que a forma existiu sem a subst\u00e2ncia que lhe d\u00e1 sentido. \u00c9 curioso que um gesto t\u00e3o simples carregue tanto peso ontol\u00f3gico, que a simples sobreposi\u00e7\u00e3o de dois corpos seja capaz de conter em si a no\u00e7\u00e3o inteira de pertencimento, de dizer ao outro que ele n\u00e3o est\u00e1 solto no universo, que existe pelo menos um ponto de ancoragem, pelo menos uma coordenada segura no mapa da exist\u00eancia, e que esse ponto \u00e9 voc\u00ea, agora, aqui, neste momento que n\u00e3o precisa de nenhuma outra justificativa para existir al\u00e9m da sua presen\u00e7a e da minha.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">O mundo que constru\u00edmos na pressa tem medo do abra\u00e7o, n\u00e3o de forma consciente, mas de um modo estrutural, como se o sistema inteiro soubesse que qualquer parada longa o suficiente para que dois corpos se toquem com verdade seria capaz de questionar tudo, de revelar que a velocidade n\u00e3o passa de uma forma sofisticada de evitar a pergunta mais simples de todas, que \u00e9 a pergunta sobre o que de fato importa quando o barulho para, e o barulho sempre para, \u00e0s vezes na beira de uma cama de hospital, \u00e0s vezes num corredor escuro de madrugada, \u00e0s vezes na claridade surpreendente de uma manh\u00e3 comum em que o caf\u00e9 esfria sobre a mesa e algu\u00e9m que voc\u00ea ama est\u00e1 do outro lado da cozinha e voc\u00ea percebe, de repente, que nunca abra\u00e7ou essa pessoa com a aten\u00e7\u00e3o que ela merecia, nunca falou com ela nesse idioma antigo com a flu\u00eancia que o amor deveria ter ensinado.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">O abra\u00e7o tem mem\u00f3ria, e essa mem\u00f3ria \u00e9 mais confi\u00e1vel do que qualquer arquivo, porque ela n\u00e3o est\u00e1 escrita em nenhum lugar que possa ser apagado, est\u00e1 inscrita na pele, est\u00e1 guardada no sistema nervoso como uma resposta que o corpo sabe dar mesmo quando a mente j\u00e1 esqueceu as circunst\u00e2ncias, e \u00e9 por isso que \u00e0s vezes um abra\u00e7o num momento de dor \u00e9 capaz de destampar algo que estava lacrado faz anos, n\u00e3o porque quem abra\u00e7a seja especial, mas porque o gesto em si porta uma verdade que antecede a identidade de quem o faz, uma verdade que \u00e9 nossa antes de ser de qualquer pessoa em particular.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Neste dia que o calend\u00e1rio destina ao abra\u00e7o, e que o calend\u00e1rio precisou criar precisamente porque a vida moderna o tornava raro o suficiente para merecer comemora\u00e7\u00e3o, o que me parece necess\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 o abra\u00e7o perform\u00e1tico, o gesto executado porque o dia assim determina, mas sim o abra\u00e7o em que algu\u00e9m para completamente, em que os ombros descem, em que a respira\u00e7\u00e3o encontra o ritmo do outro como dois rios que concordam em seguir na mesma dire\u00e7\u00e3o, e nesse tipo de abra\u00e7o o tempo n\u00e3o corre, o tempo simplesmente fica ali parado, olhando para n\u00f3s com uma esp\u00e9cie de reconhecimento silencioso, como se soubesse que por um momento encontramos algo maior do que a pressa que ele costuma impor.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">N\u00e3o \u00e9 pouca coisa, afinal, ser abra\u00e7ado com aten\u00e7\u00e3o, sentir que os bra\u00e7os do outro disseram sim, que o corpo do outro disse aqui, que a presen\u00e7a do outro disse voc\u00ea importa e eu quero que voc\u00ea saiba disso atrav\u00e9s de algo mais antigo e mais verdadeiro do que qualquer palavra que eu poderia escolher, porque as palavras s\u00e3o belas e \u00e0s vezes suficientes, mas o abra\u00e7o \u00e9 outra coisa, o abra\u00e7o \u00e9 o lugar para onde as palavras v\u00e3o quando percebem que n\u00e3o s\u00e3o suficientes, e nesse lugar, finalmente, elas ficam em paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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