{"id":3544,"date":"2026-05-14T22:38:25","date_gmt":"2026-05-15T01:38:25","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3544"},"modified":"2026-05-14T22:38:25","modified_gmt":"2026-05-15T01:38:25","slug":"as-maos-que-ficam-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3544","title":{"rendered":"As M\u00e3os Que Ficam. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 <\/strong>Tem uma x\u00edcara sobre a pia que n\u00e3o \u00e9 minha. Ela estava l\u00e1 quando acordei, com um res\u00edduo de caf\u00e9 no fundo que j\u00e1 esfriou durante a madrugada, e eu a olhei por um tempo que n\u00e3o sei medir, porque h\u00e1 certas manh\u00e3s em que o tempo se recusa a obedecer ao rel\u00f3gio e prefere habitar as coisas pequenas, os objetos deixados de qualquer jeito, as marcas que as pessoas deixam nos lugares antes de ir embora. N\u00e3o sei por que fiquei parado diante daquela x\u00edcara. Sei apenas que ela me fez pensar em tudo aquilo que a vida nos tira sem nos avisar, sem nos dar ao menos o direito de uma \u00faltima palavra, de um gesto final \u00e0 altura do que sent\u00edamos.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">A gente n\u00e3o aprende a dizer adeus. Aprende a pronunciar a palavra, sim, aprende a acenar com a m\u00e3o e a sorrir com a boca enquanto o cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7a o seu trabalho silencioso de arrumar as coisas que sobraram, dobrar as mem\u00f3rias como se fossem roupas que n\u00e3o cabem mais em nenhuma gaveta. Mas o adeus de verdade, aquele que acontece quando ainda temos tempo e presen\u00e7a suficientes para olhar nos olhos de algu\u00e9m e dizer o que precisava ser dito, esse raramente acontece. O que acontece, quase sempre, \u00e9 que a vida vai levando as pessoas em pequenos gestos cotidianos, em partidas que parecem provis\u00f3rias, em despedidas que fingem ser apenas at\u00e9 logo, e a gente s\u00f3 percebe a perman\u00eancia da aus\u00eancia muito depois, quando j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais como correr atr\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Penso no meu pai, que n\u00e3o tinha o h\u00e1bito das palavras grandes. Era um homem de s\u00edlabas curtas, de sil\u00eancios funcionais, de m\u00e3os que sabiam fazer coisas que a boca nunca conseguiu nomear. Ele consertava torneiras com uma concentra\u00e7\u00e3o quase religiosa, e eu ficava olhando para aquelas m\u00e3os grossas e pacientes como se estivesse diante de algo que n\u00e3o entendia completamente mas que sabia ser importante, da mesma forma que uma crian\u00e7a sente a grandeza de uma catedral sem precisar compreender a arquitetura. Nunca lhe disse que admirava aquelas m\u00e3os. Nunca lhe disse que me sentia seguro quando ele estava por perto, n\u00e3o porque fosse um homem de presen\u00e7a imponente, mas porque havia nele uma esp\u00e9cie de consist\u00eancia, uma solidez tranquila de quem j\u00e1 fez as pazes com o mundo e com as suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. A \u00faltima vez que o vi, despedi-me na soleira da porta com uma pressa que ainda carrego como uma culpa pequena e insistente, uma pressa inventada, uma pressa que n\u00e3o era necess\u00e1ria mas que servia para n\u00e3o sentir demais, para n\u00e3o ficar parado demais diante de algu\u00e9m que a gente ama e n\u00e3o sabe como dizer.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Existe uma geografia dos afetos que ningu\u00e9m nos ensina a navegar. Aprendemos a andar de bicicleta, a fazer contas, a distinguir pa\u00edses em mapas coloridos, mas ningu\u00e9m nos ensina que as pessoas que amamos v\u00e3o escorregando para dentro do tempo como areia entre os dedos, e que o momento de segurar com mais for\u00e7a \u00e9 exatamente aquele em que estamos mais distra\u00eddos com outras coisas, com as urg\u00eancias fabricadas do dia a dia, com as reuni\u00f5es que poderiam ser postergadas e os telefonemas que sempre prometemos fazer depois. O depois \u00e9 o lugar onde a gente esconde o que n\u00e3o tem coragem de fazer agora, e \u00e9 assustador perceber que o depois, \u00e0s vezes, n\u00e3o existe.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">A x\u00edcara sobre a pia continua l\u00e1, e eu j\u00e1 lavei a lou\u00e7a toda, mas n\u00e3o a lavei. Deixei-a de lado com um cuidado que n\u00e3o sei explicar direito, como se lavar aquela x\u00edcara fosse apagar alguma coisa que ainda precisa existir por mais algum tempo. \u00c9 um gesto pequeno e um pouco rid\u00edculo, eu sei. Mas a gente faz essas coisas quando tenta segurar o que j\u00e1 passou, quando tenta que o mundo material guarde o que a mem\u00f3ria n\u00e3o consegue proteger sozinha. Guardamos objetos. Guardamos cheiros. Guardamos a letra de algu\u00e9m em pap\u00e9is que nem sabemos mais onde est\u00e3o mas que n\u00e3o conseguimos jogar fora, porque jogar fora seria uma forma de dizer que acabou de vez, e h\u00e1 coisas que a gente nunca quer que acabem de vez.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">N\u00e3o sei se \u00e9 a idade ou se \u00e9 simplesmente a vida acumulando peso, mas chega um ponto em que a gente come\u00e7a a olhar para o presente com olhos que j\u00e1 conhecem a saudade antecipada, aquela saudade estranha que acontece antes mesmo da perda, quando ainda estamos com algu\u00e9m e j\u00e1 sentimos o frio do que vir\u00e1. \u00c9 uma forma de amor, talvez, essa antecipa\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica. \u00c9 o cora\u00e7\u00e3o tentando se preparar para o que sabe que n\u00e3o tem como suportar sem sangrar. Mas a prepara\u00e7\u00e3o nunca \u00e9 suficiente. A dor chega sempre com uma intensidade para a qual nenhum ensaio nos equipou, e ficamos l\u00e1, sem saber o que fazer com as m\u00e3os, olhando para o vazio que ocupava a forma de algu\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">H\u00e1 despedidas que n\u00e3o reconhecemos como despedidas. S\u00e3o as mais cru\u00e9is. S\u00e3o aquelas que chegam disfar\u00e7adas de tarde comum, de jantar sem cerim\u00f4nia, de telefonema breve entre compromissos. A \u00faltima conversa real que tive com minha av\u00f3 foi sobre o tempo que estava fazendo l\u00e1 na cidade dela, e ela disse que estava frio, e eu disse que aqui tamb\u00e9m, e nenhum dos dois disse o que havia de mais importante, porque ambos acredit\u00e1vamos que havia tempo, porque sempre acreditamos que h\u00e1 tempo, porque o tempo \u00e9 a mentira gentil que a vida nos conta para que continuemos funcionando sem p\u00e2nico. E ent\u00e3o o tempo acaba, e o que sobra s\u00e3o as conversas sobre o clima e o sil\u00eancio enorme em volta delas.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">A x\u00edcara, j\u00e1 percebi, sou eu tentando aprender uma li\u00e7\u00e3o que talvez n\u00e3o tenha aprendizado poss\u00edvel, apenas a repeti\u00e7\u00e3o paciente do erro e a consci\u00eancia cada vez mais clara de que as pessoas que amamos merecem mais do que as sobras da nossa aten\u00e7\u00e3o, mais do que os momentos que restam depois que fizemos tudo o que consider\u00e1vamos urgente. Merecem o melhor da nossa presen\u00e7a, aquela presen\u00e7a completa em que os olhos olham de verdade e os ouvidos ouvem al\u00e9m das palavras, aquela presen\u00e7a rara que a vida moderna trata como luxo mas que \u00e9, na verdade, a \u00fanica coisa que quando falta deixa um buraco que nenhuma conquista consegue tampar.<\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal leading-[1.7]\">Vou lavar a x\u00edcara agora. Vou ligar para algu\u00e9m que faz tempo n\u00e3o ou\u00e7o, n\u00e3o porque seja um dia especial nem porque exista alguma raz\u00e3o pr\u00e1tica, mas porque \u00e9 tarde da manh\u00e3 e a luz est\u00e1 bonita e a vida \u00e9 breve de um jeito que a gente esquece com muita facilidade, e esquecer essa brevidade \u00e9 o \u00fanico erro que n\u00e3o tem como ser desfeito depois que o tempo vai embora e leva consigo todas as tardes em que poder\u00edamos ter ligado e n\u00e3o ligamos, todas as m\u00e3os que poder\u00edamos ter segurado por um momento a mais e soltamos cedo demais, todos os adeus que deixamos para depois e que o depois guardou para sempre, longe do nosso alcance, do outro lado de uma porta que n\u00e3o abre mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 Tem uma x\u00edcara sobre a pia que n\u00e3o \u00e9 minha. 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