{"id":3347,"date":"2026-04-21T21:41:41","date_gmt":"2026-04-22T00:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3347"},"modified":"2026-04-21T21:52:21","modified_gmt":"2026-04-22T00:52:21","slug":"manuel-alegre-a-voz-que-ajudou-portugal-a-reencontrar-a-liberdade-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3347","title":{"rendered":"Manuel Alegre, a voz que ajudou Portugal a reencontrar a liberdade. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p class=\"ds-markdown-paragraph\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 \u00a0<\/strong> No dia 23 de abril de 2026,em Lisboa, \u00e0s 18 horas,Pal\u00e1cio Galveias, edif\u00edcio de linhas setecentistas que h\u00e1 d\u00e9cadas abriga uma das mais importantes bibliotecas municipais da capital, prepara-se para receber uma homenagem que tem o peso de um acontecimento cultural e moral. A Associa\u00e7\u00e3o PEN Portugal, que desde a sua funda\u00e7\u00e3o em 1978 se dedica \u00e0 defesa da liberdade de express\u00e3o e da literatura como patrim\u00f3nio essencial da humanidade, escolheu este dia para celebrar Manuel Alegre. O convite, que circula nos meios editoriais e intelectuais, anuncia uma justa sess\u00e3o , incluindo uma interven\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Carlos Vasconcelos, leitura de poesia e narrativa, e um momento musical com Lu\u00edsa Amaro.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de mais uma cerim\u00f3nia de consagra\u00e7\u00e3o. Trata-se de um reconhecimento que ultrapassa o protocolo porque o homenageado, ele pr\u00f3prio, ultrapassa h\u00e1 muito os limites de uma carreira liter\u00e1ria ou pol\u00edtica. Manuel Alegre \u00e9 uma daquelas figuras raras em que a biografia individual se entrela\u00e7a com a hist\u00f3ria coletiva de um pa\u00eds a tal ponto que separar uma coisa da outra seria mutilar ambas. Homenage\u00e1-lo, em 2026, \u00e9 homenagear a resist\u00eancia \u00e0 ditadura, a constru\u00e7\u00e3o da democracia portuguesa, a afirma\u00e7\u00e3o da l\u00edngua como territ\u00f3rio de liberdade, e a persist\u00eancia de uma voz que nunca se acomodou ao sil\u00eancio nem se rendeu ao ru\u00eddo.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Manuel Alegre nasceu em \u00c1gueda, a 12 de maio de 1936. Mas a sua verdadeira p\u00e1tria de origem, como acontece com os poetas essenciais, talvez seja a l\u00edngua portuguesa. \u00c9 nela que respira, combate, ama e recorda. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, cidade que naquele tempo ainda guardava o fulgor de uma tradi\u00e7\u00e3o intelectual de oposi\u00e7\u00e3o ao salazarismo. Foi l\u00e1 que a sua consci\u00eancia c\u00edvica despertou, no contacto com a poesia, com a discuss\u00e3o pol\u00edtica clandestina e com a perce\u00e7\u00e3o de que, em Portugal, dizer a verdade podia custar a liberdade.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O que distingue Manuel Alegre de muitos outros intelectuais da sua gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a maneira como nunca separou a palavra escrita da palavra p\u00fablica. Ele n\u00e3o \u00e9 um poeta que tamb\u00e9m fez pol\u00edtica. \u00c9 um poeta cuja poesia \u00e9, em si mesma, um acto pol\u00edtico no sentido mais nobre do termo: n\u00e3o o da propaganda, mas o da interroga\u00e7\u00e3o do mundo, da den\u00fancia da injusti\u00e7a, da celebra\u00e7\u00e3o da dignidade humana. E \u00e9, simultaneamente, um homem p\u00fablico cuja interven\u00e7\u00e3o nunca abandonou a exig\u00eancia est\u00e9tica e \u00e9tica que aprendeu com os livros.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Para Portugal, Manuel Alegre \u00e9 v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo. \u00c9 o poeta que, no ex\u00edlio, escreveu versos que atravessaram fronteiras e entraram no pa\u00eds em discos e em folhas clandestinas. \u00c9 o orador que, na Assembleia da Rep\u00fablica, durante mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, usou a tribuna com uma eloqu\u00eancia rara, feita de subst\u00e2ncia e n\u00e3o apenas de ret\u00f3rica. \u00c9 o candidato presidencial que, em 2006 e 2011, levou \u00e0s urnas uma ideia de pa\u00eds assente na liberdade, na cultura e na justi\u00e7a social. \u00c9, acima de tudo, uma consci\u00eancia moral que continua a falar \u2014 e a ser ouvida \u2014 quando muitas outras vozes se renderam ao conformismo ou ao esquecimento.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A vida de Manuel Alegre poderia ser contada como um romance do s\u00e9culo XX portugu\u00eas. Nascido na Beira, cresceu num pa\u00eds rural e provinciano, ainda dominado por um regime que se prolongava no tempo com a apar\u00eancia de uma quietude eterna. Foi para Coimbra, onde o ar da liberdade se respirava em pequenas doses, em reuni\u00f5es secretas e em livros proibidos. Depois, a guerra colonial. Mobilizado para Angola, n\u00e3o fez da guerra uma experi\u00eancia de obedi\u00eancia cega. Pelo contr\u00e1rio. Foi l\u00e1 que a sua oposi\u00e7\u00e3o ao regime se tornou activa e consequente. Preso pela PIDE em 1963, conheceu as celas da pol\u00edcia pol\u00edtica e entendeu, na carne, o que significa viver sob um Estado que teme a palavra.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O ex\u00edlio veio a seguir. Primeiro Paris, depois Argel. Foi na capital argelina, ent\u00e3o um polo de apoio aos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional, que Manuel Alegre se tornou uma figura central da oposi\u00e7\u00e3o a Salazar. Dirigente da Frente Patri\u00f3tica de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FPLN), locutor da Voz da Liberdade, ele fez da r\u00e1dio um instrumento de combate e da poesia um acto de resist\u00eancia. Foi nesse per\u00edodo que escreveu alguns dos poemas que mais tarde se tornariam hinos de abril, cantados por Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Manuel Freire. O ex\u00edlio n\u00e3o foi para ele um abrigo confort\u00e1vel, mas uma trincheira.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Regressado a Portugal em 1974, depois da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, Manuel Alegre entrou na vida democr\u00e1tica com a mesma intensidade com que antes combatera a ditadura. Foi deputado \u00e0 Assembleia Constituinte e, depois, em v\u00e1rias legislaturas, at\u00e9 2015. Foi vice-presidente da Assembleia da Rep\u00fablica entre 1995 e 2009. Integrou o Conselho de Estado. Em 2024, o Partido Socialista, ao qual esteve ligado durante d\u00e9cadas, elegeu-o presidente honor\u00e1rio \u2014 um gesto que sublinha n\u00e3o apenas a sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, mas tamb\u00e9m a sua perman\u00eancia afectiva no imagin\u00e1rio da esquerda democr\u00e1tica portuguesa.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Se a biografia pol\u00edtica de Manuel Alegre \u00e9 not\u00e1vel, a sua obra liter\u00e1ria \u00e9 o que verdadeiramente o justifica e perpetua. Ele estreou-se tardiamente, em termos editoriais, mas com um impacto imediato.\u00a0<em>Pra\u00e7a da Can\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(1965) e\u00a0<em>O Canto e as Armas<\/em>\u00a0(1967) s\u00e3o livros que nasceram no ex\u00edlio e circularam em Portugal de forma clandestina, apreendidos pela censura, copiados \u00e0 m\u00e3o, emprestados entre amigos que arriscavam a pris\u00e3o para ler versos. A raz\u00e3o desse fasc\u00ednio \u00e9 simples: ningu\u00e9m, at\u00e9 ent\u00e3o, tinha conseguido unir de forma t\u00e3o org\u00e2nica a beleza po\u00e9tica e a urg\u00eancia pol\u00edtica. Os poemas de Manuel Alegre n\u00e3o eram panfletos disfar\u00e7ados de poesia. Eram poesia verdadeira, com m\u00e9trica, imagem, musicalidade e emo\u00e7\u00e3o \u2014 e, ao mesmo tempo, eram actos de insubmiss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A sua obra n\u00e3o se fixou, por\u00e9m, apenas na resist\u00eancia. Ao longo das d\u00e9cadas, Manuel Alegre escreveu romances, ensaios, mem\u00f3rias e uma vasta produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica que inclui t\u00edtulos como\u00a0<em>Alma<\/em>\u00a0(2012),\u00a0<em>O Homem do Pa\u00eds Azul<\/em>\u00a0(2015),\u00a0<em>C\u00e3o como N\u00f3s<\/em>\u00a0(2017) e\u00a0<em>Atlas<\/em>\u00a0(2020). Recebeu o Pr\u00e9mio Pessoa em 1999 e, em 2017, o Pr\u00e9mio Cam\u00f5es, a mais alta distin\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa. O j\u00fari do Cam\u00f5es, ao atribuir-lhe o pr\u00e9mio, destacou \u201cuma obra que, no plano da cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e da reflex\u00e3o c\u00edvica, se mant\u00e9m fiel aos valores da liberdade e da dignidade humana\u201d. Palavras que, \u00e0 for\u00e7a de serem justas, parecem quase insuficientes.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O que h\u00e1 de \u00fanico na escrita de Manuel Alegre \u00e9 a sua capacidade de falar de Portugal sem provincialismo, do amor sem pieguice, da dor sem vitimiza\u00e7\u00e3o, da esperan\u00e7a sem ingenuidade. Ele \u00e9 um poeta da p\u00e1tria, sim, mas de uma p\u00e1tria cr\u00edtica, interrogada, amada como se ama uma pessoa real \u2014 com todas as suas falhas e grandezas. Por isso os seus versos continuam a ser lidos e citados, mesmo por quem n\u00e3o partilha das suas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A literatura, quando \u00e9 verdadeira, transcende as filia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. E a de Manuel Alegre \u00e9 verdadeira.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O PEN Clube Portugu\u00eas, hoje Associa\u00e7\u00e3o PEN Portugal, foi fundado em 1978, quatro anos depois do 25 de Abril. Manuel Alegre foi um dos seus s\u00f3cios fundadores. Esta informa\u00e7\u00e3o, que consta do convite, confere \u00e0 homenagem uma dimens\u00e3o simb\u00f3lica especial: a casa da liberdade liter\u00e1ria presta tributo a um homem que ajudou a constru\u00ed-la. O PEN, herdeiro da tradi\u00e7\u00e3o internacional que remonta aos anos 1920, tem como princ\u00edpio fundamental a defesa da liberdade de express\u00e3o e a recusa de qualquer forma de censura. Ao escolher Manuel Alegre para esta celebra\u00e7\u00e3o, a associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas a distinguir um escritor consagrado. Est\u00e1 a reafirmar o seu pr\u00f3prio compromisso com os valores que deram sentido \u00e0 sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A sess\u00e3o de 23 de abril, com a participa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Carlos Vasconcelos, acad\u00e9mico e ensa\u00edsta de m\u00e9rito reconhecido, promete uma reflex\u00e3o aprofundada sobre a obra do poeta. Os momentos de leitura, que n\u00e3o ter\u00e3o nomes divulgados no convite mas que a imprensa provavelmente especificar\u00e1, transformar\u00e3o o Pal\u00e1cio Galveias numa c\u00e2mara de eco da palavra alegriana. E a m\u00fasica de Lu\u00edsa Amaro, concertista que tem explorado a fronteira entre a tradi\u00e7\u00e3o erudita e a can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o, trar\u00e1 um elemento que Manuel Alegre sempre prezou: a oralidade, o canto, a respira\u00e7\u00e3o partilhada da poesia.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Esta homenagem n\u00e3o \u00e9, portanto, um acto interno do mundo liter\u00e1rio. \u00c9 um acontecimento p\u00fablico que convida Lisboa a parar, nem que seja por uma noite, para ouvir e recordar. Numa \u00e9poca em que a cultura \u00e9 tantas vezes tratada como entretenimento descart\u00e1vel, celebrar Manuel Alegre com esta solenidade e com este rigor \u00e9 um gesto de resist\u00eancia civil.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Portugal em 2026 \u00e9 um pa\u00eds diferente daquele em que Manuel Alegre nasceu. Viveu uma ditadura de quase cinco d\u00e9cadas, uma revolu\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, a entrada na Uni\u00e3o Europeia, d\u00e9cadas de crescimento e de crise, e agora enfrenta os desafios de um mundo inst\u00e1vel. Em momentos de viragem ou de incerteza, h\u00e1 sempre quem pergunte: para que serve a poesia? Para que serve a literatura? A resposta, que Manuel Alegre tem dado ao longo de toda a sua vida, \u00e9 clara: a literatura serve para lembrar quem somos, de onde viemos, e o que n\u00e3o queremos voltar a ser.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Homenagear Manuel Alegre hoje \u00e9 homenagear a mem\u00f3ria democr\u00e1tica portuguesa. \u00c9 lembrar que a liberdade n\u00e3o caiu do c\u00e9u em 1974, mas foi conquistada por homens e mulheres que arriscaram a pris\u00e3o, o ex\u00edlio e a vida. \u00c9 lembrar que a palavra pode ser mais forte do que as armas, e que um poema pode ter a mesma efic\u00e1cia simb\u00f3lica de uma batalha. \u00c9, tamb\u00e9m, um aviso contra o esquecimento. As novas gera\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o viveram o salazarismo, correm o risco de naturalizar a liberdade como um dado adquirido. Manuel Alegre, com a sua obra e com a sua presen\u00e7a ainda activa, \u00e9 uma barreira contra essa naturaliza\u00e7\u00e3o. Ele lembra-nos que a liberdade exige vigil\u00e2ncia, mem\u00f3ria e participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">H\u00e1, por fim, uma raz\u00e3o mais \u00edntima e talvez mais importante para esta homenagem. Manuel Alegre \u00e9 um homem de 90 anos (completar\u00e1 essa idade a 12 de maio de 2026). O tempo, que a todos alcan\u00e7a, come\u00e7ou a pesar-lhe nos movimentos, mas n\u00e3o na lucidez. Quem o ouve falar hoje, em entrevistas ou em apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, reconhece a mesma clareza de pensamento, a mesma paix\u00e3o pela l\u00edngua, a mesma indigna\u00e7\u00e3o diante da injusti\u00e7a. Homenage\u00e1-lo agora, enquanto ele pode ouvir e sentir, \u00e9 um acto de justi\u00e7a e de gratid\u00e3o. N\u00e3o se espera pela morte dos grandes para lhes prestar tributo. Presta-se-lhes tributo em vida, com a generosidade que eles pr\u00f3prios praticaram.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Na noite de 23 de abril de 2026, no Pal\u00e1cio Galveias, quando as vozes se levantarem para ler os poemas de Manuel Alegre e a m\u00fasica de Lu\u00edsa Amaro preencher o sal\u00e3o, algo mais do que uma cerim\u00f3nia estar\u00e1 a acontecer. Estar\u00e1 a acontecer a confirma\u00e7\u00e3o de que a literatura portuguesa produziu, no s\u00e9culo XX, uma das suas figuras mais completas: poeta, romancista, memorialista, ensa\u00edsta, cidad\u00e3o. Estar\u00e1 a acontecer o reencontro de Portugal com uma parte de si mesmo que n\u00e3o pode ser delegada a livros de hist\u00f3ria \u2014 a parte que sente, que canta, que resiste.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Manuel Alegre escreveu, h\u00e1 muitos anos, um verso que se tornou quase um emblema geracional: \u201cA verdade \u00e9 mais forte do que as algemas\u201d. A sua vida inteira foi uma demonstra\u00e7\u00e3o dessa verdade. A sua obra, um monumento a ela. A homenagem do PEN Portugal \u00e9, no fundo, uma homenagem a essa ideia simples e fundadora: de que a palavra, quando \u00e9 livre, quando \u00e9 bela e quando \u00e9 verdadeira, pode atravessar muralhas, vencer o medo e construir futuro.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Que o Pal\u00e1cio Galveias, naquela noite, esteja cheio. Que os poemas sejam ouvidos em sil\u00eancio e aplaudidos com emo\u00e7\u00e3o. Que a m\u00fasica de Lu\u00edsa Amaro encontre nos versos de Manuel Alegre a sua continua\u00e7\u00e3o natural. E que Portugal, ao olhar para este homem de quase 90 anos, recorde que a liberdade tem rosto, tem voz e tem nome. E que esse nome, na literatura e na vida, \u00e9 Manuel Alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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