{"id":3215,"date":"2026-04-09T00:19:16","date_gmt":"2026-04-09T03:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3215"},"modified":"2026-04-09T00:19:16","modified_gmt":"2026-04-09T03:19:16","slug":"o-adeus-que-nunca-houve-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3215","title":{"rendered":"O Adeus que Nunca Houve. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<div class=\"ds-message _63c77b1\">\n<div class=\"ds-markdown\">\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 <\/strong>N\u00e3o houve um instante preciso em que voc\u00ea tivesse partido, desses que a mem\u00f3ria consegue isolar do resto do tempo como uma ferida n\u00edtida, um antes e um depois; houve, isso sim, um lento aprendizado da aus\u00eancia, uma desapari\u00e7\u00e3o que se fez por dentro de mim como quem recolhe os m\u00f3veis de uma casa habitada por d\u00e9cadas e de repente descobre que o vazio n\u00e3o est\u00e1 nos objetos que se foram, mas na respira\u00e7\u00e3o mesma dos c\u00f4modos, na maneira como a luz da tarde j\u00e1 n\u00e3o encontra mais o bra\u00e7o da poltrona onde voc\u00ea se sentava, no sil\u00eancio que agora ocupa o lugar da sua voz como uma \u00e1gua pesada e sem correnteza. E talvez seja essa a primeira verdade que a saudade me ensinou, depois de tanto tempo tentando entender como algu\u00e9m pode estar t\u00e3o longe e, ao mesmo tempo, t\u00e3o dentro de mim que qualquer tentativa de extra\u00ed-lo parece uma cirurgia sem anestesia: o adeus, quando o amor foi verdadeiro, nunca chega a acontecer. Voc\u00ea parte, sim, do mundo vis\u00edvel, do calend\u00e1rio que continua girando sem a sua presen\u00e7a, da mesa de jantar que agora tem um lugar vago que ningu\u00e9m ousa ocupar, das conversas que j\u00e1 n\u00e3o podem mais ser interrompidas pelo seu modo peculiar de rir antes mesmo da piada terminar; mas parte de uma forma t\u00e3o imperfeita, t\u00e3o incompleta, t\u00e3o desajeitadamente humana que o verbo \u201cpartir\u201d parece mentiroso, porque voc\u00ea n\u00e3o seguiu para lugar nenhum onde eu n\u00e3o possa, de algum modo, continuar te encontrando.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Acontece que certas pessoas n\u00e3o s\u00e3o apenas pessoas, s\u00e3o tamb\u00e9m os gestos que nos ensinaram, os h\u00e1bitos que nos plantaram sem que perceb\u00eassemos, os modos de olhar o mundo que acabaram se tornando nossos porque os vimos tantas vezes nos seus olhos que j\u00e1 n\u00e3o sabemos mais distinguir onde terminava a sua maneira de ser e come\u00e7ava a nossa. E \u00e9 por isso que voc\u00ea continua aparecendo nos detalhes mais inesperados: na maneira como, sem pensar, passo a m\u00e3o na toalha depois de lavar o rosto exatamente como voc\u00ea fazia, um gesto t\u00e3o pequeno que nunca imaginei que pudesse carregar uma pessoa inteira dentro de si; no modo como deixo a porta do arm\u00e1rio entreaberta, porque voc\u00ea sempre dizia que o barulho de fechar me denunciava em qualquer c\u00f4modo da casa; na pausa que fa\u00e7o antes de tomar o primeiro gole de caf\u00e9 pela manh\u00e3, aquela mesma pausa sua que eu, menino, achava um mist\u00e9rio desnecess\u00e1rio e que hoje reconhe\u00e7o como uma pequena cerim\u00f4nia contra a pressa do mundo. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais aqui, e no entanto cada um desses gestos \u00e9 voc\u00ea retornando, n\u00e3o como fantasma, n\u00e3o como lembran\u00e7a dolorosa que se quer extirpar, mas como uma sintaxe do meu pr\u00f3prio corpo que herdou de voc\u00ea o alfabeto com que continua escrevendo a sua vida. O que a morte n\u00e3o p\u00f4de levar foi essa gram\u00e1tica invis\u00edvel dos afetos, essa maneira de existir que aprendemos com quem amamos e que permanece funcionando em n\u00f3s como um cora\u00e7\u00e3o secund\u00e1rio, latejando no ritmo antigo de uma presen\u00e7a que j\u00e1 n\u00e3o respira, mas que ainda nos ensina a respirar.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Demorei muito para entender que a saudade n\u00e3o \u00e9 um buraco \u2014 desculpe a imagem gastada, mas preciso nomear o equ\u00edvoco para depois me livrar dele \u2014, n\u00e3o \u00e9 uma falta que se configura como vazio, n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia pura e simples daquilo que um dia esteve ali. A saudade, aprendi com os anos e com as noites em que o sono n\u00e3o vinha porque o corpo insistia em procurar o seu cheiro no travesseiro vazio, \u00e9 uma forma complexa e quase contradit\u00f3ria de presen\u00e7a; \u00e9 o modo que o amor encontrou de continuar existindo quando a materialidade do encontro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1, e no entanto eu converso com voc\u00ea todos os dias, n\u00e3o como quem fala com um morto, n\u00e3o como quem alimenta uma ilus\u00e3o pat\u00e9tica, mas como quem sabe que certos di\u00e1logos n\u00e3o precisam da voz para serem verdadeiros. Eu te conto as coisas que aconteceram, as pequenas vit\u00f3rias e as derrotas med\u00edocres, os filmes que assisti e que voc\u00ea gostaria de ter visto, os livros que li e que me fizeram pensar em voc\u00ea n\u00e3o porque tratassem de perda ou de mem\u00f3ria, mas porque tinham aquela frase certeira que voc\u00ea apreciaria como se fosse sua. E n\u00e3o \u00e9 loucura, n\u00e3o \u00e9 recusa da realidade, \u00e9 apenas a constata\u00e7\u00e3o madura de que o amor, quando foi amor de verdade, n\u00e3o obedece \u00e0 cronologia do desaparecimento; ele simplesmente se transforma, muda de suporte, abandona a carne e se instala naquilo que os fil\u00f3sofos antigos chamariam de alma e que eu, sem tanto rigor, chamo apenas de dentro, esse lugar escuro e quente dentro de mim onde voc\u00ea se instalou como uma raiz que n\u00e3o precisa mais de luz para continuar viva.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">H\u00e1 uma sabedoria triste que o tempo me trouxe, e que n\u00e3o \u00e9 o consolo f\u00e1cil de que \u201ca saudade diminui\u201d \u2014 porque n\u00e3o diminui, apenas se aprofunda e se espalha como um len\u00e7ol fre\u00e1tico que nunca seca, mas tamb\u00e9m nunca transborda. A sabedoria \u00e9 outra: \u00e9 saber que a sua aus\u00eancia se tornou, paradoxalmente, uma companhia. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais ali, no mundo, dispon\u00edvel para o abra\u00e7o ou para o telefonema que sempre terminava com o seu \u201cvai com calma\u201d antes de desligar; mas voc\u00ea est\u00e1 aqui, na maneira como eu escolho as palavras para escrever esta cr\u00f4nica, como se cada frase fosse endere\u00e7ada a voc\u00ea e voc\u00ea fosse, de algum modo, capaz de l\u00ea-la desse lugar inacess\u00edvel para onde a vida levou voc\u00ea. E talvez seja essa a grande mentira que todos n\u00f3s repetimos sem perceber \u2014 que a morte separa, que o tempo apaga, que a dist\u00e2ncia anula \u2014 quando a verdade, a verdade inc\u00f4moda e bela, \u00e9 que o amor verdadeiro n\u00e3o se desfaz, apenas se desloca para uma dimens\u00e3o mais silenciosa, mais dif\u00edcil de traduzir em gestos vis\u00edveis, mas nem por isso menos real. Voc\u00ea est\u00e1 longe, e a vida \u2014 aquela vida que a gente toca, que a gente mede em anos, empregos, viagens, conquistas \u2014 de fato j\u00e1 n\u00e3o existe mais como existia quando voc\u00ea estava aqui; mas existe outra vida, uma vida interior, uma vida que respira por dentro das minhas a\u00e7\u00f5es mais secretas, e nessa vida voc\u00ea n\u00e3o apenas permanece como \u00e0s vezes me parece mais presente do que muitos que ainda cruzam comigo nas cal\u00e7adas e nos corredores.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">As pessoas falam em supera\u00e7\u00e3o como se fosse um dever moral, como se a saudade fosse uma doen\u00e7a da qual se deve curar para voltar \u00e0 normalidade produtiva do mundo; eu, por\u00e9m, desconfio que a supera\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas uma palavra covarde que inventamos para n\u00e3o admitir que o amor n\u00e3o tem rem\u00e9dio, nem precisa ter. N\u00e3o quero superar voc\u00ea, n\u00e3o quero chegar ao dia em que pensar em voc\u00ea n\u00e3o doa mais, porque essa aus\u00eancia de dor n\u00e3o seria al\u00edvio, seria esquecimento, e o esquecimento, esse sim, \u00e9 a morte verdadeira, muito mais definitiva do que a parada do cora\u00e7\u00e3o. Quero, isso sim, aprender a carregar voc\u00ea com a leveza que s\u00f3 o tempo e a maturidade podem dar, quero que a sua mem\u00f3ria n\u00e3o seja um peso, mas uma gravidade suave, dessas que mant\u00eam os p\u00e9s no ch\u00e3o sem impedir o movimento. E tenho conseguido, aos poucos, transformar o luto em uma forma de conversa silenciosa, tenho aprendido a sorrir quando lembro das suas piadas ruins, tenho deixado de temer os objetos que eram seus e passei a trat\u00e1-los como rel\u00edquias vivas, n\u00e3o como t\u00famulos dom\u00e9sticos. Voc\u00ea partiu, mas deixou instru\u00e7\u00f5es secretas espalhadas pela minha vida, pequenos manuais de como continuar sendo gente num mundo que muitas vezes parece feito para endurecer; e eu, sem ter jurado obedi\u00eancia a nenhum testamento, descubro que sigo esses manuais todos os dias, como se cumprisse um destino que voc\u00ea escreveu para mim antes mesmo de eu saber que precisava dele.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O mais estranho, talvez, seja a percep\u00e7\u00e3o de que o tempo, que tantos dizem ser o grande curador, n\u00e3o cura coisa alguma \u2014 apenas ensina a conviver com a ferida de um modo que ela deixa de sangrar, mas continua sendo a marca mais sens\u00edvel do corpo. Eu posso passar semanas inteiras sem chorar, posso contar uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada sua para os amigos sem que a voz me falte, posso at\u00e9 mesmo olhar suas fotografias com uma esp\u00e9cie de ternura tranquila; mas basta um nada, um cheiro que me lembra o seu perfume, uma m\u00fasica que toca no r\u00e1dio quando eu menos espero, uma frase dita por um desconhecido com a mesma entona\u00e7\u00e3o que voc\u00ea usava, e de repente a aus\u00eancia inteira se recomp\u00f5e com uma viol\u00eancia silenciosa, e eu me descubro novamente aquele mesmo que perdeu voc\u00ea, como se nenhum ano tivesse passado. N\u00e3o \u00e9 reca\u00edda, n\u00e3o \u00e9 fracasso, \u00e9 apenas a verdade de que o amor n\u00e3o tem data de validade, e que certas perdas nos marcam de um modo t\u00e3o estrutural que qualquer tentativa de nos livrarmos delas seria como tentar nos livrar da nossa pr\u00f3pria sombra. A diferen\u00e7a \u00e9 que hoje eu n\u00e3o luto mais contra essa sombra; eu a reconhe\u00e7o como parte de mim, como a forma que voc\u00ea escolheu para n\u00e3o me deixar sozinho.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">E assim vou vivendo, nesse territ\u00f3rio amb\u00edguo entre a falta e a plenitude, entre a solid\u00e3o e a companhia mais \u00edntima que j\u00e1 experimentei. Voc\u00ea est\u00e1 longe, sim, t\u00e3o longe que nenhum avi\u00e3o, nenhuma estrada, nenhum bilhete conseguiria diminuir essa dist\u00e2ncia; e a vida, aquela vida que a gente chama de real porque se pode tocar, de fato j\u00e1 n\u00e3o existe mais, porque voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 nela para testemunhar os meus dias, para rir comigo das absurdidades cotidianas, para me olhar com aquele ar de quem sabia exatamente o que eu estava sentindo antes mesmo que eu soubesse nomear. Mas existe outra vida, uma vida subterr\u00e2nea, uma vida que corre nas veias do esp\u00edrito, e nessa vida voc\u00ea continua sendo uma presen\u00e7a t\u00e3o s\u00f3lida quanto qualquer parede que eu possa encostar as costas. N\u00e3o \u00e9 cren\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 metaf\u00edsica barata, \u00e9 experi\u00eancia: \u00e9 o fato incontorn\u00e1vel de que, quando fecho os olhos e procuro dentro de mim o que me sustenta, o que me d\u00e1 forma, o que me ensinou a amar e a perder e a continuar amando depois da perda, eu encontro voc\u00ea. N\u00e3o como lembran\u00e7a, n\u00e3o como fantasia, mas como estrutura, como alicerce, como a primeira casa que habitei antes de saber que existiam outras.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Talvez seja essa a heran\u00e7a mais preciosa que voc\u00ea me deixou, e que nenhum invent\u00e1rio jamais poderia listar: o aprendizado de que o amor n\u00e3o termina quando a vida termina, porque o amor, quando foi verdadeiro, nunca foi apenas vida \u2014 foi tamb\u00e9m aquilo que antecede a vida e a ultrapassa, foi o fio invis\u00edvel que conecta um ser a outro atrav\u00e9s do tempo e do espa\u00e7o, foi a aposta na perman\u00eancia contra todas as evid\u00eancias da despedida. Voc\u00ea partiu, e no entanto eu continuo sendo, em cada gesto meu, uma continua\u00e7\u00e3o sua; eu continuo rindo do mesmo jeito, caminhando do mesmo jeito, fazendo pausas no meio das frases do mesmo jeito. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 mais aqui, e a vida n\u00e3o existe mais, mas o amor \u2014 ah, o amor \u2014 esse nunca precisou da vida para ser verdadeiro. Ele apenas esperou que eu amadurecesse o bastante para entender que a sua aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um vazio: \u00e9 uma forma mais dif\u00edcil, mais exigente, mais silenciosa de presen\u00e7a. E \u00e9 por isso que, at\u00e9 o fim dos meus dias, nunca direi adeus. Porque o adeus pressup\u00f5e uma separa\u00e7\u00e3o completa, um ponto final depois do qual a p\u00e1gina vira e a hist\u00f3ria acaba. E a nossa hist\u00f3ria, voc\u00ea sabe, nunca teve ponto final \u2014 teve apenas uma v\u00edrgula enorme, uma pausa que dura anos, mas depois da qual a frase continua, mesmo que j\u00e1 n\u00e3o haja ningu\u00e9m para l\u00ea-la em voz alta.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ds-theme\"><\/div>\n<div class=\"ds-flex _0a3d93b\">\n<div class=\"ds-flex _965abe9 _54866f7\">\n<div class=\"db183363 ds-icon-button ds-icon-button--m ds-icon-button--sizing-container\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-disabled=\"false\">\n<div class=\"ds-icon-button__hover-bg\"><\/div>\n<div class=\"ds-icon\"><\/div>\n<div class=\"ds-focus-ring\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"db183363 ds-icon-button ds-icon-button--m ds-icon-button--sizing-container\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-disabled=\"false\">\n<div class=\"ds-icon-button__hover-bg\"><\/div>\n<div class=\"ds-icon\"><\/div>\n<div class=\"ds-focus-ring\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"db183363 ds-icon-button ds-icon-button--m ds-icon-button--sizing-container\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-disabled=\"false\">\n<div class=\"ds-icon-button__hover-bg\"><\/div>\n<div class=\"ds-icon\"><\/div>\n<div class=\"ds-focus-ring\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"db183363 ds-icon-button ds-icon-button--m ds-icon-button--sizing-container\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-disabled=\"false\">\n<div class=\"ds-icon-button__hover-bg\"><\/div>\n<div class=\"ds-icon\"><\/div>\n<div class=\"ds-focus-ring\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"db183363 ds-icon-button ds-icon-button--m ds-icon-button--sizing-container\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-disabled=\"false\">\n<div class=\"ds-icon-button__hover-bg\"><\/div>\n<div class=\"ds-icon\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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