{"id":3162,"date":"2026-04-03T22:58:33","date_gmt":"2026-04-04T01:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3162"},"modified":"2026-04-03T22:58:33","modified_gmt":"2026-04-04T01:58:33","slug":"o-mar-que-a-saudade-revela-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3162","title":{"rendered":"O mar que a saudade revela. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"0\" data-end=\"812\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 <\/strong>Existem saudades que n\u00e3o chegam como lembran\u00e7a, chegam como mar\u00e9. N\u00e3o pedem licen\u00e7a, n\u00e3o batem \u00e0 porta, n\u00e3o anunciam a hora em que pretendem nos invadir. Apenas sobem, silenciosas e fundas, e quando nos damos conta j\u00e1 est\u00e3o por dentro da casa, molhando os retratos, salgando os m\u00f3veis da alma, arrastando para longe a falsa ordem com que tent\u00e1vamos organizar a vida. A aus\u00eancia de algu\u00e9m, \u00e0s vezes, \u00e9 isso: uma \u00e1gua antiga tomando conta de tudo, uma for\u00e7a que n\u00e3o se v\u00ea de in\u00edcio, mas que altera o peso das manh\u00e3s, a cor das tardes e at\u00e9 o jeito como a noite pousa sobre os ombros. E ent\u00e3o a pessoa percebe, n\u00e3o sem espanto, que carregava um oceano inteiro sem saber, e que bastou o vazio deixado por um rosto, por uma voz, por um afeto interrompido, para que esse oceano despertasse com toda a sua fome de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p data-start=\"814\" data-end=\"1542\">\u00c9 curioso como s\u00f3 entendemos a profundidade de certos amores quando eles j\u00e1 n\u00e3o se sentam \u00e0 mesa conosco. Enquanto a presen\u00e7a floresce, a vida se acostuma ao perfume, como se fosse natural que o jardim exista; mas quando a cadeira fica vazia e o nome passa a doer mais do que a boca consegue pronunciar, alguma verdade se ergue do fundo e nos mostra que amar algu\u00e9m era tamb\u00e9m aprender uma geografia secreta, um mapa feito de correntes, de luas interiores, de tempestades escondidas sob a serenidade aparente dos dias. Sentir saudade \u00e9 descobrir que havia mar onde julg\u00e1vamos haver apenas ch\u00e3o, que havia abismo onde pens\u00e1vamos haver costume, que havia grandeza justamente ali onde a distra\u00e7\u00e3o humana costumava chamar de rotina.<\/p>\n<p data-start=\"1544\" data-end=\"2350\">Talvez por isso tanta gente viva tentando parecer pedra, quando por dentro \u00e9 \u00e1gua em sobressalto. Porque a \u00e1gua sente demais, lembra demais, reflete demais. A pedra suporta, mas a \u00e1gua carrega. E h\u00e1 exist\u00eancias que s\u00f3 se explicam assim: s\u00e3o vidas navegantes, ciganas de porto em porto, sempre com uma mala de esperan\u00e7as numa m\u00e3o e um cansa\u00e7o bonito na outra, como quem aprendeu desde cedo que ficar n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio concedido a todos, e que sobreviver j\u00e1 \u00e9 uma arte que exige f\u00f4lego, coragem e uma certa desobedi\u00eancia diante do rel\u00f3gio. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o caminham pela vida, nadam. Nadam contra correntezas duras, contra dias estreitos, contra as horas que parecem ter dentes. Nadam como quem disputa com o pr\u00f3prio destino um peda\u00e7o de c\u00e9u, um pouco de paz, uma chance de fazer durar aquilo que sonhou.<\/p>\n<p data-start=\"2352\" data-end=\"3176\">E \u00e9 nesse esfor\u00e7o quase invis\u00edvel que a alma se revela, n\u00e3o como mist\u00e9rio, mas como resist\u00eancia. Porque viver, para alguns, nunca foi um repouso; viver foi sempre bra\u00e7ada. Bra\u00e7ada larga, sofrida, insistente. Bra\u00e7ada de quem engole \u00e1gua e continua. Bra\u00e7ada de quem teme afundar, mas faz do medo um m\u00fasculo. Bra\u00e7ada de quem aprendeu que o tempo n\u00e3o se vence com pressa, mas com teimosia, com confian\u00e7a em si mesmo, com esse hero\u00edsmo pequeno e an\u00f4nimo dos que levantam todos os dias mesmo quando a esperan\u00e7a amanhece cansada. S\u00e3o esses os que compreendem mais cedo que o tempo n\u00e3o \u00e9 apenas um ponteiro girando no alto da parede, mas um mar feroz que tenta nos engolir aos poucos, e contra o qual s\u00f3 h\u00e1 uma resposta poss\u00edvel: seguir, ainda que arfante, ainda que ferido, ainda que o peito pare\u00e7a pequeno demais para tanto mundo.<\/p>\n<p data-start=\"3178\" data-end=\"4028\">H\u00e1 uma dignidade funda nesse cansa\u00e7o de quem n\u00e3o desiste. Uma beleza limpa em quem segue molhado de perdas e, mesmo assim, n\u00e3o deixa morrer a sede de futuro. Porque a saudade n\u00e3o \u00e9 apenas dor; em certos cora\u00e7\u00f5es, ela tamb\u00e9m \u00e9 descoberta. Ela mostra o tamanho do amor, mas mostra igualmente o tamanho da coragem. Quem sente falta at\u00e9 doer descobre, no mesmo golpe, que foi feito para profundidades. Descobre que dentro de si n\u00e3o havia apenas car\u00eancia, havia correnteza; n\u00e3o havia apenas fragilidade, havia resist\u00eancia; n\u00e3o havia apenas mem\u00f3ria, havia uma vastid\u00e3o inteira pedindo horizonte. E ent\u00e3o a aus\u00eancia daquela pessoa, que parecia no in\u00edcio apenas um buraco escuro, vai se transformando lentamente numa esp\u00e9cie de espelho l\u00edquido onde a pr\u00f3pria alma se enxerga com mais nitidez. Do outro lado da perda, a pessoa encontra a verdade de sua for\u00e7a.<\/p>\n<p data-start=\"4030\" data-end=\"4778\">Porque h\u00e1 vidas que nascem com destino de cais, e outras que nascem com destino de oceano. As primeiras conhecem o abrigo. As segundas conhecem a dist\u00e2ncia. E embora a dist\u00e2ncia doa, ela ensina uma grandeza que o conforto desconhece. Quem vive em alma cigana aprende a fazer da incerteza uma estrada, do improviso uma sabedoria, da falta uma professora severa e luminosa. Aprende a reconhecer estrelas mesmo quando o c\u00e9u est\u00e1 fechado. Aprende a escutar, no fundo da pr\u00f3pria exaust\u00e3o, uma voz \u00edntima que diz para continuar. Aprende, sobretudo, que sonho n\u00e3o \u00e9 enfeite de gente ing\u00eanua; sonho \u00e9 f\u00f4lego de sobrevivente. \u00c9 o que impede o corpo de afundar quando a realidade pesa demais. \u00c9 o que ainda cintila quando quase tudo em volta se tornou noite.<\/p>\n<p data-start=\"4780\" data-end=\"5491\">No fim, talvez seja isso que a saudade nos ensine com sua dureza: que somos mais mar\u00edtimos do que imagin\u00e1vamos. Que a vida n\u00e3o nos quer intactos, quer vivos. E estar vivo, muitas vezes, \u00e9 aceitar o sal nos l\u00e1bios, o vento desalinhando certezas, o cora\u00e7\u00e3o remando no escuro em busca de uma margem que ningu\u00e9m prometeu, mas que ainda assim pressentimos. H\u00e1 quem chame isso de luta. Eu chamaria de insist\u00eancia humana. Porque continuar, quando falta algu\u00e9m, quando o tempo aperta, quando a exist\u00eancia nos pede f\u00f4lego al\u00e9m do que temos, \u00e9 uma das express\u00f5es mais fundas do afeto. Afeto por quem partiu, afeto pelo que ainda espera, afeto por si mesmo, esse n\u00e1ufrago teimoso que se recusa a entregar o peito \u00e0s \u00e1guas.<\/p>\n<p data-start=\"5493\" data-end=\"6433\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">E assim seguimos, com o mar por dentro, com a saudade puxando nossas mar\u00e9s ocultas, com os sonhos servindo de remos numa noite comprida. Seguimos arfantes, \u00e9 verdade, mas seguimos. E talvez a grande vit\u00f3ria nunca tenha sido dominar o tempo, porque ningu\u00e9m doma aquilo que nasceu para correr. Talvez vencer o tempo seja outra coisa, mais funda e mais humana: \u00e9 n\u00e3o permitir que ele nos seque. \u00c9 atravessar os dias sem perder a capacidade de sentir. \u00c9 chegar ao outro lado da dor ainda capaz de ternura. \u00c9 conservar, no meio da vida cigana e dura, um cora\u00e7\u00e3o que, mesmo ferido, ainda saiba reconhecer beleza no horizonte. Porque quem traz mar na alma pode at\u00e9 cansar, pode at\u00e9 chorar escondido na curva da noite, pode at\u00e9 temer o fundo em certas horas, mas jamais aprende a viver sem procurar a linha distante onde o c\u00e9u beija a \u00e1gua. E essa procura, t\u00e3o dolorosa quanto luminosa, \u00e9 talvez a forma mais bonita que existe de permanecer humano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. 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