{"id":3121,"date":"2026-03-28T12:07:18","date_gmt":"2026-03-28T15:07:18","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3121"},"modified":"2026-03-28T12:07:18","modified_gmt":"2026-03-28T15:07:18","slug":"conversas-de-1-2-minuto-50-militares-por-jose-paulo-cavalcanti-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3121","title":{"rendered":"Conversas de 1\/2 minuto (50) \u2013 Militares. Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho \u00a0\u2013 \u00a0Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. \u00c9\u00a0 um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comiss\u00e3o da Verdade\u00a0 \u2013\u00a0 <\/em><\/strong>Estamos bem perto do fim. Os originais do pr\u00f3ximo livro (t\u00edtulo da coluna) j\u00e1 foram para a editora Topbooks, no Rio. Agora \u00e9 tempo de revisar a ortografia (escrevo ainda pela velha), preparar o \u00edndice onom\u00e1stico (com todos os nomes citados), definir capa, essas coisas de sempre. Ando j\u00e1 com saudades, ao perder esse encontro mensal com o leitor neste espa\u00e7o. Assim, vamos aproveitar o restinho. Hoje, s\u00f3 com militares e afins.<\/p>\n<p><strong>General ADEODATO MONT\u2019ALVERNE,\u00a0<\/strong><em>da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de Pernambuco.\u00a0<\/em>Convidou, para uma conversa, os 15 universit\u00e1rios que iriam a um Congresso da UNE em Salvador (1968) \u2013 preparat\u00f3rio daquele de Ibi\u00fana, em S\u00e3o Paulo, onde alguns milhares acabaram presos. Conhecida, tal secretaria, como\u00a0<em>Sorbonne<\/em>\u00a0\u2012 uma ironia, claro, por n\u00e3o haver l\u00e1 nenhum intelectual. A sala reservada para esse encontro come\u00e7ava por mesa com quatro cadeiras e, em seguida, um pequeno audit\u00f3rio. Todos os estudantes sentaram no fundo. Fui o \u00faltimo a entrar. O general estava na mesa, com um pacote de fichas em frente. Considerei deselegante ficasse sozinho. Ou ele poderia pensar que est\u00e1vamos com medo. Ent\u00e3o, sentei na cadeira \u00e0 sua frente. At\u00e9 que olhando para mim, e com todos esperando pela conversa, ele<\/p>\n<p>\u2013 Chamei porque estou precisando da opini\u00e3o de voc\u00eas.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c0s ordens, general.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 o seguinte. Como est\u00e3o indo para o Congresso, n\u00e3o sei se prendo todos antes ou depois.<\/p>\n<p>\u2013 Aceita sugest\u00e3o?, general.<\/p>\n<p>\u2013 Claro.<\/p>\n<p>\u2013 Prenda s\u00f3 depois.<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o est\u00e1 combinado, vai ser na volta.<\/p>\n<p>Procurou minha ficha e completou<\/p>\n<p>\u2013 Vejo que volta dia tal, hora tal, num voo da Varig (disse o n\u00famero). O senhor eu prendo no aeroporto, certo?<\/p>\n<p>\u2013 Combinado, general, e muito obrigado pela defer\u00eancia.<\/p>\n<p>O engra\u00e7ado, nessa hist\u00f3ria, \u00e9 que ningu\u00e9m foi preso. Era s\u00f3 uma brincadeira. Nos anos de chumbo, generais gostavam de se divertir.<\/p>\n<p><strong>\u00a0AUGUSTO GOMES DA COSTA,<\/strong>\u00a0<em>jornalista respons\u00e1vel pela publicidade no Di\u00e1rio de Lisboa<\/em>. J\u00e1 perto do fechamento do jornal, foi informado que havia pequeno espa\u00e7o em branco numa p\u00e1gina. E mandou por, nela, um an\u00fancio qualquer, sem se preocupar com qual seria. Dia seguinte a p\u00e1gina era, toda, um longo e importante discurso de Salazar sobre a Liberdade de Imprensa. E, logo embaixo, esse an\u00fancio<\/p>\n<p><strong>\u2013 BONITAS PALAVRAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>N\u00c3O ENGORDAM NINGU\u00c9M.<\/strong><\/p>\n<p>Usar joias falsas n\u00e3o embeleza. Compre verdadeiras na<\/p>\n<p>Grande Ourivesaria da Moda<\/p>\n<p>257, Rua da Prata (esq. Santa Justa).<\/p>\n<p>As duas primeiras linhas se inspiram em conhecido prov\u00e9rbio portugu\u00eas,\u00a0<em>Bonitas palavras n\u00e3o engordam gatos.\u00a0<\/em>E a reda\u00e7\u00e3o inteira teve que se explicar, na PIDE, ante o respons\u00e1vel pela Censura, o coronel Armando Jorge das Neves Larcher. O mesmo que, em 1952, proibiu as revistas do Rato Mickey (Mickey Mouse) em Portugal por serem \u201cprejudiciais \u00e0 forma\u00e7\u00e3o intelectual das crian\u00e7as\u201d; e que, no cart\u00e3o de visitas, se apresentava como\u00a0<em>Oficial do Ex\u00e9rcito, Licenciado em Filosofia e Farm\u00e1cia<\/em>.<\/p>\n<p><strong>BIU MOSCOUZINHO,\u00a0<\/strong><em>professor de hist\u00f3ria em Caruaru\u00a0<\/em>(e membro atuante do Partid\u00e3o). Preso num quartel de artilharia da cidade, sofria torturas di\u00e1rias (hist\u00f3ria lembrada pelo ex-presidente da UNE Jean Marc von der Weid). Depois de sess\u00e3o em que apanhou muito, no corredor das celas, um companheiro se preparava para a sauda\u00e7\u00e3o de praxe<\/p>\n<p>\u2012 Biu Mos\u2026<\/p>\n<p>Como os tiras n\u00e3o sabiam direito quem era, caso seu apelido se tornasse p\u00fablico estaria perdido. Ent\u00e3o interrompeu o amigo de lutas dizendo<\/p>\n<p>\u2012 De Nova Iorque. Pelo amor de Deus, parceiro, Biu de Nova Iorque.<\/p>\n<p><strong>BRILHANTE USTRA,\u00a0<\/strong><em>coronel.\u00a0<\/em>Na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, o convidamos a prestar depoimento sobre acusa\u00e7\u00f5es de torturas e mortes que lhe pesavam nos ombros. Seu advogado nos procurou<\/p>\n<p>\u2013 Vim aqui s\u00f3 dizer que ele n\u00e3o vai comparecer.<\/p>\n<p>\u2013 O convite se deu apenas por conta da idade avan\u00e7ada que tem seu cliente. E, pelo visto, ser\u00e1 como as televis\u00f5es desejam. Que ser\u00e1 intimado e a Pol\u00edcia Federal vir\u00e1 com ele, algemado, para a audi\u00eancia.<\/p>\n<p>Pediu para dar um telefonema<\/p>\n<p>\u2013 Em considera\u00e7\u00e3o aos senhores, meu cliente informa que vir\u00e1.<\/p>\n<p>E veio. Ser valente, numa Ditadura, era mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p><strong>CELSO FURTADO.\u00a0<\/strong>Em Santiago do Chile, Ad\u00e3o Pereira Nunes, Fernando Gasparian (que contou essa hist\u00f3ria), Fernando Henrique Cardoso, Tiago de Mello, entre outros exilados. Alguns j\u00e1 ent\u00e3o condenados, outros quase. Darcy Ribeiro contou como, no fim do Governo Jango, se sentiu com \u201cpoderes imperiais\u201d. \u00c9 que o presidente da Rep\u00fablica voara, para o sul do Pa\u00eds, acompanhado pelo chefe da Casa Militar, general Assis Brasil. O ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, gravemente enfermo estava no hospital. O da Marinha, Pedro Paulo de Ara\u00fajo Suzano, pediu demiss\u00e3o. Tudo levando a que Darcy, chefe da Casa Civil, fosse o comandante supremo das For\u00e7as Armadas.\u00a0 Ao grupo, declarou<\/p>\n<p>\u2012 Foi quando tive a agrad\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o do poder absoluto.<\/p>\n<p>Celso concluiu<\/p>\n<p>\u2012 Est\u00e1 explicado por que estamos aqui.<\/p>\n<p>Dado o Golpe Militar, em 01\/04, o bravo Darcy ainda ficou tr\u00eas dias sozinho, no Pal\u00e1cio, preparado para resistir, at\u00e9 ir para casa com o amigo Waldir Pires.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>CL\u00c1UDIO GUERRA,\u00a0<\/strong><em>executor do Ex\u00e9rcito nos tempos da Ditadura.\u00a0<\/em>Na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, confessou que j\u00e1 n\u00e3o conseguia conviver com o remorso de tantas mortes que lhe atormentavam e pensou dar fim \u00e0 sua triste vida. Foi quando, na rua, se viu em frente a uma Igreja. Perguntei<\/p>\n<p>\u2013 Era a Universal?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, Assembleia de Deus.<\/p>\n<p>Entrou, conversou com Deus (foi o que disse) e se confessou arrependido.<\/p>\n<p>\u2013 Pai, pe\u00e7o perd\u00e3o por todos os meus pecados.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o posso, o que voc\u00ea fez foi horroroso.<\/p>\n<p>\u2013 O Senhor est\u00e1 todo errado. Meu papel, como crist\u00e3o, \u00e9 me arrepender. Estou verdadeiramente arrependido. E seu papel, como Deus, \u00e9 me perdoar.<\/p>\n<p>\u2013 Perdoar n\u00e3o vou, mas darei o roteiro de sua reden\u00e7\u00e3o. Conte a todos o que fez, inclusive \u00e0 imprensa, para que isso nunca mais se repita. Mais tarde, voltaremos a conversar.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udio aceitou a penit\u00eancia. E come\u00e7ou a contar sua hist\u00f3ria. At\u00e9 em livro (<em>Mem\u00f3rias de uma guerra suja,\u00a0<\/em>com a colabora\u00e7\u00e3o dos jornalistas ). Falou isso como se estivesse em paz. E parecia mesmo, verdade se diga, o que n\u00e3o o impediu de ficar recebendo amea\u00e7as dos familiares de suas v\u00edtimas. Perguntei<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o tem medo de morrer?<\/p>\n<p>\u2013 E o senhor ainda n\u00e3o percebeu que j\u00e1 estou morto?<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>FLAVIO BIERRENBACH,<\/strong><em>\u00a0ministro do STM.\u00a0<\/em>Contou que em 6\/11\/1944 desembarcou em Tarquinia (It\u00e1lia) o glorioso\u00a0<em>Senta a Pua<\/em>, primeiro Grupo de Ca\u00e7a da FAB. Ao descer dos caminh\u00f5es, em uma base a\u00e9rea americana, entraram em forma\u00e7\u00e3o. E, enquanto era arriada a bandeira ianque, subia no mastro a do Brasil. Terminada a cantoria em ingl\u00eas, o General Ariel Nielsen voltou-se para o tenente-coronel Nero Moura, comandante dos brasileiros,<\/p>\n<p>\u2013 Coronel, acabamos de ouvir o hino da For\u00e7a A\u00e9rea dos Estados Unidos. E, agora, gostar\u00edamos de escutar o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira.<\/p>\n<p>Nero ficou paralisado. Que nossa For\u00e7a, rec\u00e9m institu\u00edda, ainda n\u00e3o tinha hino. Perfilado logo atr\u00e1s estava o sargento Os\u00e9as, amazonense, que adiantou-se um passo e segredou<\/p>\n<p>\u2013 Coronel, mande a tropa cantar a\u00a0<em>Jardineira,<\/em>\u00a0que os gringos n\u00e3o v\u00e3o perceber nada.<\/p>\n<p>Nero deu voz de comando<\/p>\n<p>\u2013 Aten\u00e7\u00e3o, meus senhores. Vamos cantar a\u00a0<em>Jardineira<\/em>, em posi\u00e7\u00e3o de sentido, como se estiv\u00e9ssemos entoando o hino nacional. E ai de quem rebolar.<\/p>\n<p>Assim foi. E, at\u00e9 hoje, a popular marchinha do carnaval de 1939 (escrita por Benedito Lacerda e Humberto Porto) \u00e9 o hino extra-oficial da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira. Tocada, pelas bandas, em todas as cerim\u00f4nias.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>KARL MARX GUIMAR\u00c3ES COELHO<\/strong>,\u00a0<em>dono de uma pequena oficina de reparos<\/em>. Em 1964, no come\u00e7o da\u00a0<em>Redentora<\/em>, vinha caminhando tranquilo pela Rua do Hosp\u00edcio. J\u00e1 na cal\u00e7ada do 4\u00ba Ex\u00e9rcito (em frente \u00e0 Faculdade de Direito do Recife), um militar considerou suspeita sua bolsa e perguntou<\/p>\n<p>\u2012 O que tem a\u00ed dentro?<\/p>\n<p>\u00ad\u2012 Nada.<\/p>\n<p>\u2012 Quero ver.<\/p>\n<p>E encontrou l\u00e1 uma nota, \u201ccomprar fios e bobinas para a bomba\u201d. Perguntou o nome do cidad\u00e3o<\/p>\n<p><sub>\u00ad<\/sub>\u2012 Karl Marx.<\/p>\n<p>Era demais. Com certeza, comunista. E uma bomba, com certeza terrorista. Foi preso. Sem ter tempo de explicar que se tratava da bomba de press\u00e3o para um ar condicionado que estava consertando. Apanhou tanto que passou tr\u00eas meses no hospital. Viva a Democracia brasileira.<\/p>\n<p><strong>PRESOS POL\u00cdTICOS.\u00a0<\/strong>\u00a0Na ditadura 18 estudantes presos, que a combatiam, estavam em greve de fome. J\u00e1 11 dias haviam se passado. Por cautela foram trazidos para o quartel da PM, no Derby, onde havia um hospital militar. M\u00e9dicos informaram que at\u00e9 12 dias n\u00e3o haveria problemas para a sa\u00fade. Entre 12 e 18, provavelmente. A partir da\u00ed, com certeza. Era preciso encerrar a greve, na prote\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios presos. Fomos negociar com eles. Airton Soares, velho amigo e l\u00edder do PT na C\u00e2mara dos Deputados (pouco depois ele, o deputado Jos\u00e9 Eudes e a deputada Beth Mendes seriam expulsos do partido por terem votado em Tancredo), que veio de S\u00e3o Paulo s\u00f3 para isso; e eu, companheiro de tantos na universidade (e amigo pr\u00f3ximo de alguns), representando a OAB. Nosso argumento era que o protesto j\u00e1 tinha produzido seus resultados pol\u00edticos, tanto que os jornais vinham dando a not\u00edcia com destaque. Seguir, ante os riscos para a sa\u00fade, n\u00e3o fazia sentido. \u00c0s dez da noite, alv\u00edssaras, tudo certo. Fomos falar com o comandante da PM, ainda em seu gabinete e rezando para que tiv\u00e9ssemos sucesso. Ocorre que, encerrada essa greve, todos queriam jantar.<\/p>\n<p>\u2013 Comandante, por favor providencie.<\/p>\n<p>\u2013 Claro.<\/p>\n<p>Pediu para chamar o cozinheiro. Um ajudante<\/p>\n<p>\u2013 Doutor, o homem j\u00e1 foi pra casa.<\/p>\n<p>\u2013 Veja o que tem na despensa.<\/p>\n<p>\u2013 Est\u00e1 fechada, com cadeado, e quem tem a chave \u00e9 ele. S\u00f3 amanh\u00e3 de manh\u00e3.<\/p>\n<p>\u2013 Onde mora?<\/p>\n<p>\u2013 Ningu\u00e9m sabe.<\/p>\n<p>Sugeri<\/p>\n<p>\u2013 Comandante, por favor, vamos comprar ao menos um cacho de bananas.<\/p>\n<p>\u2013 Nem pensar. Comida de fora? E se tiverem uma intoxica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 O senhor manda um ajudante conosco, providenciamos o dinheiro, ele mesmo escolhe e compra as bananas.<\/p>\n<p>Nesse momento, um m\u00e9dico do quartel o chamou para conversar. E o comandante<\/p>\n<p>\u2013 Perd\u00e3o, senhores. Mas, antes de se alimentar, eles v\u00e3o ter que fazer exames m\u00e9dicos e ser avaliados. At\u00e9 para decidir o que podem ingerir.<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 desumano, comandante.<\/p>\n<p>\u2013 Tamb\u00e9m acho. Mas, infelizmente, vai ter que ser.<\/p>\n<p>E assim ocorreu. Voltaram a se alimentar s\u00f3 no dia seguinte, ao fim da manh\u00e3. Chico de Assis (enorme poeta) me confessou, mais tarde,<\/p>\n<p>\u2013 Passar 11 dias, dentro de uma greve de fome, n\u00e3o teve nenhum problema. S\u00f3 que do fim da noite e at\u00e9 a manh\u00e3, querendo comer, foi um verdadeiro supl\u00edcio.<\/p>\n<p>E Alberto Vin\u00edcius (Xanha), que estava do seu lado, confirmou<\/p>\n<p>\u2013 A vontade que tive foi me suicidar.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>RUTH ESCOBAR,\u00a0<\/strong><em>atriz.\u00a0<\/em>Em 1985, o pa\u00eds se preparava para a posse que seria de Tancredo e acabou de Sarney. O ministro da Justi\u00e7a da ditadura, Ibrahim Abi-Ackel, tentava ser simp\u00e1tico. At\u00e9 chamou seu sucessor, Fernando Lyra, de\u00a0<em>jurista<\/em>. E Lyra confirmou, todo prosa,<\/p>\n<p>\u2013 Sou mesmo e de Caruaru!<\/p>\n<p>Vendo Ruth chegar, quis fazer as pazes com ela<\/p>\n<p>\u2013 Dona (Maria) Ruth (dos Santos Escobar), preciso explicar. Nunca lhe deixei representar pe\u00e7as de teatro, nas pris\u00f5es, pensando na sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2013 Como?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 que os presos, lhe vendo, iriam ficar com alguma fixa\u00e7\u00e3o sexual. E nas ruas, daqui a dez anos, poderiam querer lhe estuprar.<\/p>\n<p>\u2013 Agora \u00e9 que n\u00e3o lhe desculpo mesmo, ministro. Pois um estuprozinho, comigo dez anos mais velha, seria bom demais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho \u00a0\u2013 \u00a0Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. \u00c9\u00a0 um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comiss\u00e3o da Verdade\u00a0 \u2013\u00a0 Estamos bem perto do fim. 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