{"id":1814,"date":"2025-09-28T14:22:26","date_gmt":"2025-09-28T17:22:26","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=1814"},"modified":"2025-09-28T14:22:26","modified_gmt":"2025-09-28T17:22:26","slug":"a-cronica-domingueira-por-magno-martins-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=1814","title":{"rendered":"A cr\u00f4nica domingueira. Por Magno Martins"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-full size-full\" src=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/home-office.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/home-office.jpeg 1000w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/home-office-300x200.jpeg 300w, https:\/\/blogdomagno.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/home-office-768x511.jpeg 768w\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"666\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-c4f33dfd-8ef8-4d12-a605-9a380af0f287\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div id=\"ub-expand-full-a897fe1c-86bf-404d-a3d5-c6ce6ffdc517\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial wp-block-ub-expand-portion\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ub-expand-full-a897fe1c-86bf-404d-a3d5-c6ce6ffdc517\">\n<p><strong>Por Magno Martins \u2013 Jornalista, poeta e escritor\u00a0 \u2013<\/strong>\u00a0 Desde que botei o p\u00e9 em Bras\u00edlia, nos anos 80, como jornalista, uma larga avenida se abriu \u00e0 minha frente. Viajar virou uma rotina. Atuando em diversos jornais, estive nos Estados Unidos, boa parte da Europa e em quase todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. No Brasil, conhe\u00e7o todas as capitais.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7o da experi\u00eancia pelo jornal O Globo, no Norte, como rep\u00f3rter itinerante do Acre a Manaus. J\u00e1 escapei da morte em pousos de emerg\u00eancia no Mato Grosso do Sul, quando fui fazer uma reportagem especial sobre o Pantanal. Antes da internet, do mundo globalizado, rep\u00f3rter vivia nas ruas.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-full-a897fe1c-86bf-404d-a3d5-c6ce6ffdc517\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full wp-block-ub-expand-portion\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ub-expand-full-a897fe1c-86bf-404d-a3d5-c6ce6ffdc517\">\n<p>Virei cidad\u00e3o do mundo, gra\u00e7as a Deus. Mas nos \u00faltimos anos passei a viver uma outra experi\u00eancia: regressar \u00e0s origens. Tenho com minha Nayla uma choupana em Arcoverde, a 250 km do Recife. No regresso, a oportunidade de curtir a natureza, a lua que se abre sobre a janela. Os p\u00e1ssaros me acordam em sinfonia de Beethoven. A coruja rasga o seu grito infernal sobre o telhado como uma assombra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Passo pelo menos tr\u00eas dias em Arcoverde, porque tenho compromissos em Bras\u00edlia e no Recife. Mas um tempo suficiente para relaxar com minha Nayla, fazer novos amigos e curtir o tempo da vida passando lentamente. N\u00e3o sou uma andorinha solit\u00e1ria nesse \u00eaxodo ao inverso, dos grandes centros urbanos para os grot\u00f5es.<\/p>\n<p>Cada vez mais pessoas est\u00e3o a optar por morar no interior, fugindo do caos das grandes cidades em busca de uma melhor qualidade de vida, tranquilidade e seguran\u00e7a, impulsionadas tamb\u00e9m pela flexibilidade do trabalho remoto (home office) que permite viver longe dos centros urbanos. As principais raz\u00f5es incluem um custo de vida mais baixo, menos tr\u00e2nsito e polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes, era comum que muitas pessoas sonhassem em morar nas capitais. Agora, cada vez mais fam\u00edlias escolhem viver em cidades do interior e escolhem a localidade de acordo com a necessidade de uma melhor qualidade de vida. S\u00f3 no Rio de Janeiro, pesquisa da \u2018ONG Rio Como Vamos\u2019, mostra que 56% dos cariocas gostariam de mudar de munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Antes, muitas pessoas sonhavam com um bom emprego nas capitais, mas a tend\u00eancia \u00e9 de invers\u00e3o desse fluxo. Cada vez mais empres\u00e1rios investem em cidades menores a fim de terem a fam\u00edlia mais pr\u00f3xima e, com isso, novos postos de trabalho s\u00e3o criados. Outro incentivador para os moradores de munic\u00edpios pequenos \u00e9 o home office, em que se pode escolher onde viver e produzir remotamente.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem a vantagem de manter maior contato com a natureza e um ambiente mais calmo e seguro. No interior, a vida \u00e9 mais serena e menos estressante, longe do barulho e do ritmo acelerado das grandes metr\u00f3poles. O custo de vida \u00e9 mais baixo, com im\u00f3veis mais acess\u00edveis e menor custo com alimenta\u00e7\u00e3o, o que permite que as pessoas poupem dinheiro.<\/p>\n<p>As cidades do interior costumam ter um menor \u00edndice de criminalidade, o que contribui para uma sensa\u00e7\u00e3o de maior seguran\u00e7a e paz para os moradores. A aus\u00eancia de tr\u00e1fego intenso e a menor polui\u00e7\u00e3o sonora e do ar s\u00e3o grandes vantagens para quem procura um ambiente mais saud\u00e1vel. Como gosto da natureza, h\u00e1 mais acesso a \u00e1reas verdes e a um ambiente mais pr\u00f3ximo da natureza, algo que falta nas grandes cidades.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o do home office transformou a possibilidade de morar longe dos grandes centros, permitindo que as pessoas trabalhem para empresas localizadas em outras cidades sem precisar se mudar para a capital. A internet me proporciona a indiscut\u00edvel vantagem e o conforto de trabalhar de qualquer lugar.<\/p>\n<p>H\u00e1 desvantagens que n\u00e3o se pode ignorar ou torcer o nariz. As estradas s\u00e3o mais prec\u00e1rias, muitas inadequadas ou com dificuldades de acesso. Mas, por outro lado, compensa\u00e7\u00f5es: acordar com o canto dos p\u00e1ssaros, sentir o cheiro do mato e poder andar pelas ruas sem pressa \u00e9 algo que me faz feliz os dias que estou em minha Arcoverde.<\/p>\n<p>Compreendi neste regresso que ser da ro\u00e7a \u00e9 ter a terra como c\u00famplice, o c\u00e9u como testemunha e o orgulho de pertencer a um lugar onde a paz tem morada certa. Em minha Arcoverde, h\u00e1 ro\u00e7a, o sol \u00e9 meu despertador e a lua minha TV.<\/p>\n<p>Aqui, a vida tem outro ritmo. As pessoas se cumprimentam, a comida tem um sabor especial e as noites s\u00e3o tranquilas, iluminadas pelo c\u00e9u estrelado. O relacionamento com outros moradores \u00e9 mais tranquilo e respeitoso, algo t\u00edpico de cidade do interior. \u00c9 um orgulho viver cercado de simplicidade e amor.<\/p>\n<p>Em Arcoverde, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o, o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 aus\u00eancia de som, mas a presen\u00e7a da alma. O desacelerar \u00e9 reencontrar o ritmo da vida. Minha Arcoverde tem o poder de acalmar a alma e renovar o esp\u00edrito. A verdadeira felicidade se encontra na simplicidade das pessoas. Arcoverde n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um lugar, \u00e9 um sentimento de paz que mora no meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Magno Martins \u2013 Jornalista, poeta e escritor\u00a0 \u2013\u00a0 Desde que botei o p\u00e9 em Bras\u00edlia, nos anos 80, como jornalista, uma larga avenida se abriu \u00e0 minha frente. Viajar virou uma rotina. Atuando em diversos jornais, estive nos Estados Unidos, boa parte da Europa e em quase todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. 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