{"id":3421,"date":"2026-04-25T15:52:00","date_gmt":"2026-04-25T18:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3421"},"modified":"2026-04-25T15:52:00","modified_gmt":"2026-04-25T18:52:00","slug":"conversas-de-1-2-minuto-51-religiosos-por-jose-paulo-cavalcanti-filho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3421","title":{"rendered":"Conversas de 1\/2 minuto (51) \u2013 Religiosos. Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho \u00a0\u2013 \u00a0Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. \u00c9\u00a0 um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comiss\u00e3o da Verdade\u00a0 \u2013\u00a0 Lisboa. <\/strong><\/em>Mais conversas, hoje s\u00f3 com religiosos e afins, em livro que estou escrevendo (t\u00edtulo da coluna). Volto a explicar. Estamos bem perto do fim. Os originais do livro j\u00e1 est\u00e3o com a editora Topbooks, no Rio. Para revisar a ortografia (escrevo ainda pela velha), preparar o \u00edndice onom\u00e1stico, definir capa, essas coisas de sempre. Ando j\u00e1 com saudades, ao perder esse encontro mensal com o leitor neste espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Dom AGNELO ROSSI,\u00a0<\/strong><em>cardeal.<\/em>\u00a0Foi visitar Fortaleza e o Bispo local perguntou<\/p>\n<p><em>\u2012 Vossa Emin\u00eancia est\u00e1 cansada?<\/em><\/p>\n<p>E ele, que jamais teve familiaridade com as concord\u00e2ncias do portugu\u00eas,<\/p>\n<p><em>\u2012 Morta\u2026<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>ALBERTO TRABUCCHI,\u00a0<\/strong><em>presidente do C\u00edrculo dos Juristas Cat\u00f3licos da It\u00e1lia\u00a0<\/em>e<em>\u00a0ministro do Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia.<\/em>\u00a0Ao ver homens procurando comida, no lixo da feira de Jaboat\u00e3o (Pernambuco), me perguntou<\/p>\n<p><em><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u2013\u00a0<\/strong>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds cat\u00f3lico?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Claro, professor, maior pa\u00eds cat\u00f3lico do mundo.<\/em><\/p>\n<p>E ele, sem alterar a voz, repetiu<\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0 O Brasil \u00e9 um pa\u00eds cat\u00f3lico?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 N\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>Dom BAS\u00cdLIO PENIDO,\u00a0<\/strong><em>Abade\u00a0<\/em>(o t\u00edtulo vem do hebraico\u00a0<em>abb\u00e1<\/em>, pai)<em>\u00a0do Mosteiro de S\u00e3o Bento\u00a0<\/em>(Olinda). Hist\u00f3ria contada por Irm\u00e3o Jos\u00e9. Um frequentador da igreja reclamava das fam\u00edlias de pedintes que ficavam assediando os fi\u00e9is ao chegar nas missas, mostrando filhos pequenos e dizendo que teriam doen\u00e7as graves<\/p>\n<p><em>\u2013 O pior, Dom Bas\u00edlio, \u00e9 que eles mentem muito.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave, meu filho.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Como?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 \u00c9 que mentem para comer.<\/em><\/p>\n<p><strong>Padre EDWALDO GOMES,\u00a0<em>da par\u00f3quia de Casa Forte.<\/em><\/strong>\u00a0Numa festa da Vit\u00f3ria R\u00e9gia por ele fundada em 1978, t\u00e3o popular que hoje \u00e9 Patrim\u00f4nio Oral e Imaterial do Recife. Luciana, nossa filha menor, depois de ouvir uma fala sua, decidiu elogiar<\/p>\n<p><em>\u2013 Arretado!<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Cuidado com esse palavreado, Lulu.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Padre Edwaldo, arretado pode?<\/em><\/p>\n<p>E ele, depois de pensar um pouco<\/p>\n<p><em>\u2013 Poder pode, minha filha. Pode at\u00e9 mais. Pode arretado, merda, bosta, porra e puta que o pariu. Mas s\u00f3 isso, viu? Que, passou da\u00ed, \u00e9 pecado.<\/em><\/p>\n<p><strong>* * *<\/strong><\/p>\n<p>No Hospital Memorial S\u00e3o Jos\u00e9, parecia estar bem disposto<\/p>\n<p><em>\u2013 Maravilha, pastor. Parab\u00e9ns.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Por qu\u00ea?, amigo, estou aqui cheio de fios\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 \u00c9 que o senhor passou a vida inteira se preparando para encontrar o Pai Eterno. E agora, quando isso \u00e9 iminente, deve ser o homem mais feliz do planeta.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Vade retro, Jos\u00e9, que n\u00e3o tenho pressa.<\/em><\/p>\n<p>E se benzeu Pai, Filho, Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Dom H\u00c9LDER C\u00c2MARA,\u00a0<em>arcebispo de Olinda e Recife.<\/em><\/strong>\u00a0Algumas vezes ligava convidando para falar sobre algum tema que ainda n\u00e3o conhecia bem. Por querer sempre saber mais. J\u00e1 em seu quartinho na Igreja das Fronteiras, e antes de entrar no assunto daquele dia,<\/p>\n<p><em>\u2013 Pois \u00e9, meu filho, o homem troca de time de futebol mas n\u00e3o de opini\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>Achei gra\u00e7a porque se algu\u00e9m havia mudado de opini\u00e3o, pela vida, era o pr\u00f3prio Dom. Mas isso n\u00e3o disse, por muito gostar dele (tanto que celebrou nossas Bodas de Prata). Fosse pouco, tamb\u00e9m nunca vi ningu\u00e9m trocar de time. Por isso, preferi observa\u00e7\u00e3o mais amena<\/p>\n<p><em>\u2013 Diga assim n\u00e3o, dom H\u00e9lder. Diga que o homem troca de mulher, mas n\u00e3o de opini\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 O problema, meu filho, \u00e9 que de mulher eu n\u00e3o entendo.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 O problema, meu dom, \u00e9 que o senhor n\u00e3o entende nem de mulher, nem de futebol.<\/em><\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Pedinte bateu na sua porta, querendo roupas, que as dele estavam rasgadas. Dom H\u00e9lder lhe deu uma cal\u00e7a. Zezita, que foi sua guardi\u00e3 (por toda vida), o censurou<\/p>\n<p><em>\u2013 Mas dom H\u00e9lder, o senhor tem s\u00f3 duas cal\u00e7as.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 E o pobre, Zezita, que n\u00e3o tem nenhuma?<\/em><\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Esperando confer\u00eancia que fariam no Porto Digital (Recife), os dois foram encaminhados a uma saleta. Dom H\u00e9lder disse estar cansado e pediu licen\u00e7a para cochilar um pouco. Acabou dormindo mesmo, e t\u00e3o profundamente, que foi dif\u00edcil de acordar. Silvio Meira, que n\u00e3o dorme f\u00e1cil, pediu que dissesse como conseguia. E a explica\u00e7\u00e3o foi<\/p>\n<p><em>\u2012 Fecho os olhos e penso no ded\u00e3o do p\u00e9 esquerdo. Em seguida, nos outros dedos. O mesmo no p\u00e9 direito. E vou subindo. Quase nunca chego no joelho.<\/em><\/p>\n<p>Se o amigo leitor quiser experimentar, fique \u00e0 vontade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>JESSIER QUIRINO,\u00a0<\/strong><em>poeta.<\/em>\u00a0Toda vez que v\u00ea avisos nos murais das igrejas, vai anotando. Segue rela\u00e7\u00e3o que mandou de algumas dessas conversas paroquianas<\/p>\n<p>\u2012 Para todos que t\u00eam filhos e n\u00e3o sabem, temos na par\u00f3quia uma \u00e1rea especial para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u2012 O torneio de basquete das par\u00f3quias vai continuar com o jogo da pr\u00f3xima quarta-feira. Venham nos aplaudir, que vamos tentar derrotar o Cristo Rei!<\/p>\n<p>\u2012 Na sexta-feira, \u00e0s sete, os meninos do Orat\u00f3rio far\u00e3o uma representa\u00e7\u00e3o da obra Hamlet, de Shakespeare, no sal\u00e3o da igreja. Toda a comunidade est\u00e1 convidada para tomar parte nesta trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>\u2012 Prezadas senhoras, n\u00e3o esque\u00e7am a pr\u00f3xima venda para benefic\u00eancia. \u00c9 uma boa ocasi\u00e3o para se livrar das coisas in\u00fateis que h\u00e1 na sua casa. Tragam seus maridos!<\/p>\n<p>\u2012 Assunto da catequese de hoje,\u00a0<em>Jesus caminha sobre as \u00e1guas<\/em>. Assunto da catequese de amanh\u00e3,\u00a0<em>Em busca de Jesus<\/em>.<\/p>\n<p>\u2012 O coro dos maiores de sessenta anos vai ser suspenso durante o ver\u00e3o, com o agradecimento de toda a par\u00f3quia.<\/p>\n<p>\u2012 O m\u00eas de novembro finalizar\u00e1 com missa cantada por todos os defuntos da par\u00f3quia.<\/p>\n<p>\u2012 O pre\u00e7o do curso sobre\u00a0<em>Ora\u00e7\u00e3o e Jejum<\/em>\u00a0n\u00e3o inclui as refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2012 Por favor, coloquem suas esmolas no envelope, junto com os defuntos que desejem sejam lembrados.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>JESUS DE RITINHA (m\u00e3e) DE MI\u00daDO (pai),\u00a0<\/strong><em>doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica<\/em>.\u00a0Igreja (hoje Bas\u00edlica) Nossa Senhora da Guia de Acari (RGN). Em serm\u00e3o dominical na grande seca de 82\/83, o padre Deoclides de Brito Dinis levantou as m\u00e3os para o c\u00e9u e gritou<\/p>\n<p><em>\u2012 Deus, eu pe\u00e7o que o Senhor mande uma chuva que cada pingo seja uma lata d\u2019\u00e1gua.<\/em><\/p>\n<p>Foi quando o sacrist\u00e3o, Jo\u00e3o da Mata, puxou na batina dele e disse baixinho, s\u00f3 que perto do microfone e toda igreja ouviu,<\/p>\n<p><em>\u2012 Padre, seria um dil\u00favio!<\/em><\/p>\n<p>E o padre De\u00f3<\/p>\n<p><em>\u2012 Jo\u00e3o, eu t\u00f4 dizendo que \u00e9 uma lata mas bem pequenininha, de Vick Vaporub.<\/em><\/p>\n<p>Aquele rem\u00e9dio vendido para congest\u00e3o, dores musculares e tosse.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Padre JO\u00c3O PUBBEN,\u00a0<\/strong>da Igrejinha das Fronteiras.\u00a0Prometi uma caixa de vinhos e ele escolheu um portugu\u00eas,\u00a0<em>Periquita<\/em>. Mandei, junto com esse bilhete<\/p>\n<p>\u2013 Todo homem de valor<\/p>\n<p>Se revela pecador<\/p>\n<p>Quando apreciador<\/p>\n<p>De coisa boa e bonita.<\/p>\n<p>Mas me causa estupor<\/p>\n<p>Ver algu\u00e9m como o pastor<\/p>\n<p>Que \u00e9 quase um Monsenhor<\/p>\n<p>Sendo admirador<\/p>\n<p>Dessa tal de\u00a0<em>periquita.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Dom JOS\u00c9 TOLENTINO MENDON\u00c7A<\/strong>,\u00a0<em>cardeal,\u00a0<\/em>que, em Lisboa, celebrou nossas Bodas de Ouro<em>.\u00a0<\/em>Dia seguinte \u00e0 sua posse, como cardeal, no Vaticano, ofereceu almo\u00e7o para os amigos que l\u00e1 estavam. Preparei discurso que come\u00e7ava assim<\/p>\n<p><em>\u2013 O treinador do Flamengo (\u00e0 \u00e9poca), Jorge de Jesus, \u00e9 tamb\u00e9m portugu\u00eas. E hoje, no Brasil, Jesus \u00e9 Deus. Os amigos de Tolentino s\u00e3o bem mais modestos. N\u00e3o querem v\u00ea-lo como Jesus nem, muito menos, Deus. Para n\u00f3s, basta que um dia ele seja Papa.<\/em><\/p>\n<p><strong>LILI FAL\u00c2NGOLA,<\/strong>\u00a0<em>empres\u00e1ria.\u00a0<\/em>Convidou uma parente, Madrinha Nei\u00e7a, para festinha na sua casa. E a outra<\/p>\n<p><em>\u2012 Sabe quando eu vou?, no dia de S\u00e3o Nunca.<\/em><\/p>\n<p>Passa o tempo e Lili, num 1\u00ba de novembro, preparou churrasco pantagru\u00e9lico. Chamou os amigos e, primeiro a chegar, foi a tal Madrinha<\/p>\n<p><em>\u2012 Oi, e voc\u00ea n\u00e3o disse que s\u00f3 vinha no dia de S\u00e3o Nunca?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2012 Verdade, e \u00e9 hoje, Dia de Todos os Santos.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Dom LUCIANO MENDES DE ALMEIDA,\u00a0<\/strong><em>secret\u00e1rio-geral da CNBB.\u00a0<\/em>Ligou<\/p>\n<p><em>\u2013 Jos\u00e9 Paulo, estou aqui (na CNBB) com uns sem-terra que querem conversar com o senhor. Os recebe?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Claro, dom Luciano.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Mas eles est\u00e3o em camisas de mangas curtas, ser\u00e1 que podem entrar no minist\u00e9rio (da Justi\u00e7a) assim mesmo?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Antes de responder, dom Luciano, me tire uma d\u00favida eclesi\u00e1stica.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Qual?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Dar banana para bispo \u00e9 pecado?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 \u00c9 e voc\u00ea j\u00e1 pecou, meu filho.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Como?, se n\u00e3o fiz nada.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Pensamentos, palavras e obras, \u00e9 a lei da Igreja. E acabei de receber uma banana, em pensamento.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Mas lei t\u00e3o antiga?, dom Luciano, ainda vale?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Claro. E voc\u00ea por acaso pensa que a lei da Igreja \u00e9 como a dos homens, mudando toda hora?<\/em><\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>De nossos almo\u00e7os, todas as quartas, guardo s\u00f3 lembran\u00e7as boas. Como refrescos de laranja bem gelados. Ou o\u00a0<em>Bliss<\/em>, que tomava sempre dom Ivo Lorscheiter no seu corpo de atleta. Ou a comida simples, com sabor caseiro<\/p>\n<p><em>\u2013 Uma das coisas que n\u00e3o entendo na Igreja, dom Luciano, \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o \u00e0 Gula. Como pode coisa t\u00e3o boa, que \u00e9 comer, ser pecado? E logo mortal?, um dos sete capitais.<\/em><\/p>\n<p>Ele, com sua imensa capacidade de consensualizar, argumentou<\/p>\n<p><em>\u2013 Voc\u00ea n\u00e3o conhece a Santa Gula?, meu filho.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Que hist\u00f3ria \u00e9 essa?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 \u00c9 assim. Quando voc\u00ea come muito, e n\u00e3o quer que mais ningu\u00e9m coma, \u00e9 pecado. Mas quando voc\u00ea come, e quer que todo mundo coma tanto quanto voc\u00ea, \u00e9 virtude. A Santa Gula.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MAURO MOTA,\u00a0<\/strong><em>da ABL.\u00a0<\/em>Dona Santinha, sua irm\u00e3, tomava conta de outro irm\u00e3o, Dom Mota, arcebispo de S\u00e3o Lu\u00eds (Maranh\u00e3o). Carola, quando escrevia cartas para Mauro come\u00e7ava dizendo<\/p>\n<p><em>\u2012 S\u00e3o Luiz, cidade pag\u00e3\u2026<\/em><\/p>\n<p>Confessava-se todos os dias. J\u00e1 meio surda, gritava seus pecados; e, o padre, a penit\u00eancia. Para evitar constrangimentos acertaram que ela entregaria, no confession\u00e1rio, papel com a rela\u00e7\u00e3o dos pecados mortais cometidos na v\u00e9spera. E o padre lhe mostraria placa onde estava sua pena \u2012 sempre tr\u00eas Padres Nossos e tr\u00eas Ave Marias. Dando-se que certo dia Mauro furtou (subtraiu, talvez fosse melhor), de seu missal, os tais pecados e nos mostrou. Eram tr\u00eas<\/p>\n<p><em>\u2012 Ontem, n\u00e3o rezei o Ros\u00e1rio completo.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2012 Olhei para tr\u00e1s na missa.<\/em><\/p>\n<p>E, mais grave de todos,<\/p>\n<p><em>\u2012 Tentativa de mau pensamento.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho \u00a0\u2013 \u00a0Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. \u00c9\u00a0 um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comiss\u00e3o da Verdade\u00a0 \u2013\u00a0 Lisboa. Mais conversas, hoje s\u00f3 com religiosos e afins, em livro que estou escrevendo (t\u00edtulo da coluna). 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