{"id":3246,"date":"2026-04-12T21:59:19","date_gmt":"2026-04-13T00:59:19","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3246"},"modified":"2026-04-12T21:59:19","modified_gmt":"2026-04-13T00:59:19","slug":"os-livros-que-moram-em-nos-por-flavio-chaves","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=3246","title":{"rendered":"Os livros que moram em n\u00f3s. Por Fl\u00e1vio Chaves"},"content":{"rendered":"<p data-start=\"28\" data-end=\"428\"><strong>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 <\/strong>T\u00eam pessoas que possuem livros como quem re\u00fane objetos. Compram, empilham, exibem, organizam por cor, por assunto, por tamanho, por capricho est\u00e9tico ou pela ambi\u00e7\u00e3o de parecerem mais cultas do que s\u00e3o. Outras, mais raras, nunca viram nos livros apenas coisas. Viram companhia, abrigo, desvio, espelho, ref\u00fagio, provoca\u00e7\u00e3o. Para essas, um livro n\u00e3o ocupa apenas lugar na estante. Ocupa lugar na vida.<\/p>\n<p data-start=\"430\" data-end=\"928\">A rela\u00e7\u00e3o afetiva com os livros come\u00e7a muito antes da leitura plena. Come\u00e7a, muitas vezes, no mist\u00e9rio. No volume fechado sobre a mesa. Na lombada gasta. No nome do autor que nada diz \u00e0 inf\u00e2ncia, mas cuja solenidade j\u00e1 promete alguma revela\u00e7\u00e3o. Come\u00e7a no gesto de folhear sem entender tudo, no cheiro do papel, na ilustra\u00e7\u00e3o que antecede a palavra, no sil\u00eancio respeitoso de uma casa onde algu\u00e9m l\u00ea. Antes mesmo de sabermos o que um livro diz, j\u00e1 intu\u00edamos que ele guardava alguma coisa importante.<\/p>\n<p data-start=\"930\" data-end=\"1552\">Talvez por isso certos livros permane\u00e7am ligados n\u00e3o apenas ao que contavam, mas ao que \u00e9ramos quando os encontramos. H\u00e1 livros de que nos lembramos menos pelo enredo do que pela idade que t\u00ednhamos, pela janela ao lado da cama, pela luz da tarde sobre a p\u00e1gina, pela fase da vida em que chegaram at\u00e9 n\u00f3s como chegam algumas pessoas: no momento exato em que ainda n\u00e3o sab\u00edamos nomear aquilo que sent\u00edamos. Um bom livro n\u00e3o nos oferece apenas uma hist\u00f3ria. \u00c0s vezes, nos oferece linguagem. E receber linguagem para aquilo que antes era apenas confus\u00e3o interior \u00e9 uma das formas mais discretas e mais profundas de salvamento.<\/p>\n<p data-start=\"1554\" data-end=\"2044\">Quem tem rela\u00e7\u00e3o afetiva com os livros sabe que eles n\u00e3o obedecem \u00e0 l\u00f3gica dos demais objetos. Uma cadeira \u00e9 uma cadeira. Um copo \u00e9 um copo. Um rel\u00f3gio marca as horas e cumpre seu destino. J\u00e1 um livro, mesmo fechado, permanece em estado de espera. Ele nos aguarda. E h\u00e1 nessa paci\u00eancia algo de profundamente comovente. O livro n\u00e3o exige, n\u00e3o cobra, n\u00e3o se imp\u00f5e. Fica ali, silencioso, at\u00e9 o dia em que a nossa vida finalmente alcan\u00e7a a p\u00e1gina que parecia destinada a nos dizer alguma coisa.<\/p>\n<p data-start=\"2046\" data-end=\"2654\">Tamb\u00e9m por isso \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil tratar livros com frieza. H\u00e1 quem escreva nas margens, h\u00e1 quem dobre a ponta da p\u00e1gina, h\u00e1 quem proteja cada exemplar como se estivesse cuidando de uma rel\u00edquia. Cada leitor inventa sua forma de intimidade. Porque \u00e9 disso que se trata: intimidade. Ler \u00e9 uma experi\u00eancia solit\u00e1ria, mas nunca inteiramente solit\u00e1ria. Algu\u00e9m pensou antes de n\u00f3s, sofreu antes de n\u00f3s, formulou com palavras mais exatas aquilo que v\u00ednhamos apenas pressentindo. E, de repente, no meio de uma tarde qualquer, um desconhecido nos compreende com uma precis\u00e3o que \u00e0s vezes nem os mais pr\u00f3ximos alcan\u00e7aram.<\/p>\n<p data-start=\"2656\" data-end=\"3230\">\u00c9 um assombro silencioso. Um autor morto h\u00e1 cem anos entende o que se passa dentro de algu\u00e9m sentado hoje numa sala modesta, numa rua qualquer, numa cidade distante. N\u00e3o h\u00e1 milagre pequeno nisso. Os livros derrotam o tempo com uma naturalidade que deveria nos espantar mais. Fazem conversar os vivos com os mortos, os jovens com os velhos, os t\u00edmidos com os ousados, os que partiram com os que ainda buscam palavras para permanecer. Talvez sejam, no fundo, a mais elegante prova de que a experi\u00eancia humana, apesar de toda mudan\u00e7a exterior, continua reconhecendo a si mesma.<\/p>\n<p data-start=\"3232\" data-end=\"3775\">Mas seria um engano imaginar que nossa afei\u00e7\u00e3o pelos livros nasce apenas das grandes ideias que eles cont\u00eam. Muitas vezes, ela nasce das marcas que deixam no cotidiano. O livro esquecido sobre a poltrona. O marcador improvisado. A folha antiga que cai de dentro dele trazendo uma data, uma letra, um nome. A dedicat\u00f3ria escrita numa caligrafia de outro tempo. O volume herdado, o exemplar comprado com sacrif\u00edcio, o romance relido em fases diferentes da vida e que, a cada retorno, parece ter mudado de assunto quando, na verdade, mudamos n\u00f3s.<\/p>\n<p data-start=\"3777\" data-end=\"4342\">Essa talvez seja uma das belezas mais fundas da leitura: um livro nunca termina de nos ler. Julgamos revisit\u00e1-lo, mas \u00e9 ele que nos mede de novo, comparando em sil\u00eancio a criatura que fomos com a que nos tornamos. H\u00e1 p\u00e1ginas que, aos vinte anos, nos pareceram deslumbrantes e mais tarde soam ing\u00eanuas. Outras, antes opacas, de repente se abrem com a claridade brutal das coisas que s\u00f3 a experi\u00eancia explica. O texto \u00e9 o mesmo. O leitor \u00e9 que amadureceu. E essa negocia\u00e7\u00e3o entre a perman\u00eancia da obra e a mudan\u00e7a de quem a l\u00ea \u00e9 uma das formas mais nobres de di\u00e1logo.<\/p>\n<p data-start=\"4344\" data-end=\"4977\">Em tempos de tanta pressa, tanta imagem e tanto ru\u00eddo, conservar uma rela\u00e7\u00e3o afetiva com os livros chega a ser um gesto de resist\u00eancia. N\u00e3o uma resist\u00eancia barulhenta, dessas que precisam anunciar a pr\u00f3pria virtude, mas uma resist\u00eancia \u00edntima, paciente, quase dom\u00e9stica. Abrir um livro ainda \u00e9 aceitar um pacto cada vez mais raro: o de dedicar tempo ao que n\u00e3o se entrega de imediato. O de renunciar, por algumas horas, ao excesso de est\u00edmulos do mundo para acompanhar a cad\u00eancia mais funda de uma frase, de uma ideia, de uma imagina\u00e7\u00e3o alheia. Ler continua sendo uma maneira de escapar do empobrecimento sem precisar levantar a voz.<\/p>\n<p data-start=\"4979\" data-end=\"5518\">No fundo, os livros nos atraem porque ampliam a casa interior. Depois deles, nunca mais somos exatamente do tamanho que \u00e9ramos antes. Um bom livro n\u00e3o acrescenta apenas informa\u00e7\u00e3o. Acrescenta espa\u00e7o. Abre janelas onde havia parede. Faz nascer perguntas em lugares antes ocupados por certezas vulgares. Ensina a suspeitar das apar\u00eancias, a desconfiar do \u00f3bvio, a reconhecer complexidade onde a pressa gostaria de enxergar apenas simplifica\u00e7\u00e3o. E quem aprende isso pela leitura dificilmente volta a caber confortavelmente num mundo estreito.<\/p>\n<p data-start=\"5520\" data-end=\"5983\">Talvez seja por isso que os livros despertem uma gratid\u00e3o t\u00e3o singular. N\u00e3o apenas nos entretiveram. Em alguma medida, nos formaram. H\u00e1 frases que carregamos como quem carrega conselhos. H\u00e1 personagens de quem lembramos com mais nitidez do que de certas pessoas reais. H\u00e1 autores cuja voz passou a morar em n\u00f3s com a familiaridade de um parente antigo. E, quando isso acontece, o livro deixa de ser um volume de papel. Torna-se parte da mob\u00edlia invis\u00edvel da alma.<\/p>\n<p data-start=\"5985\" data-end=\"6376\">No fim das contas, os livros que mais amamos n\u00e3o s\u00e3o os que exibimos com orgulho, mas os que nos deixaram marcas dif\u00edceis de explicar. Aqueles para os quais voltamos n\u00e3o por dever, mas por necessidade. Aqueles que, mesmo fechados na estante, continuam emitindo um tipo raro de presen\u00e7a. Como certas amizades verdadeiras, n\u00e3o precisam de alarde para se fazer notar. Basta saber que est\u00e3o ali.<\/p>\n<p data-start=\"6378\" data-end=\"6520\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">E talvez seja essa a defini\u00e7\u00e3o mais justa de uma rela\u00e7\u00e3o afetiva com os livros: eles n\u00e3o apenas passam por nossas m\u00e3os. Passam a morar em n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fl\u00e1vio Chaves \u2013 Jornalista, poeta, escritor e membro da Academia Pernambucana de Letras. Foi Delegado Federal\/Minc\u00a0 \u2013\u00a0 T\u00eam pessoas que possuem livros como quem re\u00fane objetos. Compram, empilham, exibem, organizam por cor, por assunto, por tamanho, por capricho est\u00e9tico ou pela ambi\u00e7\u00e3o de parecerem mais cultas do que s\u00e3o. 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