{"id":1103,"date":"2025-06-22T01:16:12","date_gmt":"2025-06-22T04:16:12","guid":{"rendered":"https:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=1103"},"modified":"2025-06-22T01:16:12","modified_gmt":"2025-06-22T04:16:12","slug":"conversas-de-1-2-minuto-42-cantadores-i-de-ii-por-jose-paulo-cavalcanti-filho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/gazetapernambucana.com\/?p=1103","title":{"rendered":"Conversas de 1\/2 minuto (42) \u2013 Cantadores ( I de II). Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-173868\" src=\"https:\/\/flaviochaves.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/11f77e6d8a8e346bc312bf2719fc2e63-2-300x147-1.webp\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"147\" \/>\u00a0 \u00a0 <strong>Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho \u00a0\u2013 \u00a0Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. \u00c9\u00a0 um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. Integrou a Comiss\u00e3o da Verdade\u00a0 \u00a0&#8211;<\/strong>\u00a0 \u00a0 <strong>C\u00c2MARA CASCUDO,\u00a0<\/strong><em>escritor<\/em>. \u00c9 dele essa bela defini\u00e7\u00e3o, \u201co melhor do Brasil \u00e9 o brasileiro\u201d (dita em conversa com Di\u00f3genes da Cunha Lima, que a registrou em\u00a0<em>Um brasileiro feliz<\/em>). No terra\u00e7o de sua casa na Rua Junqueira Aires (bairro da Ribeira, Natal), pr\u00f3xima da Pra\u00e7a das M\u00e3es, dois cantadores esperavam para se apresentar. Foi quando um deles viu besouro cascudo pousar nos ombros do mestre e pegou na viola<\/p>\n<p>\u2013 Estou vendo dois cascudos<\/p>\n<p>Um do outro \u00e9 diferente<\/p>\n<p>Um n\u00e3o tem racioc\u00ednio<\/p>\n<p>O outro \u00e9 inteligente<\/p>\n<p>No mato cascudo \u00e9 bicho<\/p>\n<p>Na pra\u00e7a Cascudo \u00e9 gente<\/p>\n<p><strong>GERALDO AM\u00c2NCIO PEREIRA,\u00a0<\/strong><em>cantador\u00a0<\/em>(de Cedro, Cear\u00e1). Numa cantoria disse<\/p>\n<p>? A viola que desafina agora<\/p>\n<p>\u00c9 com ela que luto com os poetas<\/p>\n<p>Com viola eu sustento duas netas<\/p>\n<p>Meus tr\u00eas filhos, meu genro e minha nora.<\/p>\n<p>A mulher que me ama e me adora<\/p>\n<p>Se alimenta tamb\u00e9m de cantoria<\/p>\n<p>O meu pai, minha m\u00e3e, e minha tia<\/p>\n<p>Tudo isso a viola \u00e9 quem sustenta<\/p>\n<p>Que viola \u00e9 a minha ferramenta<\/p>\n<p>E repente \u00e9 o meu p\u00e3o de cada dia<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>No Restaurante as Velhas (Lisboa), o professor Ant\u00f3nio de Abreu Freire (de Aveiro) queria enviar mensagem para ele. Filmei no celular e mandamos. Resposta<\/p>\n<p>? Nosso poliglota Freire<\/p>\n<p>Muitos favores me fez<\/p>\n<p>Nessas quest\u00f5es de idiomas<\/p>\n<p>Fala em oito, escreve em seis<\/p>\n<p>E eu semi-analfabeto<\/p>\n<p>Mal arranho o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>D\u00e1 boca pra fora. Que \u00e9 membro da Academia Cearense de Letras, a mais antiga do Brasil (criada em 15\/08\/1894). Antes mesmo da Brasileira (20\/07\/1887); e terceira, s\u00f3 para lembrar, \u00e9 a de Pernambuco (26\/01\/1901).<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Numa conversa, o chamei de g\u00eanio. E ele respondeu<\/p>\n<p>? Tem G em Geraldo e g\u00eanio<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a com G<\/p>\n<p>Escolho o G de Geraldo<\/p>\n<p>G de g\u00eanio \u00e9 pra voc\u00ea.<\/p>\n<p><strong>IVANILDO VILANOVA,<\/strong><em>\u00a0cantador\u00a0<\/em>(de Caruaru, Pernambuco). Com muita honra, para mim, sou padrinho de uma de suas duas filhas, Indira Ess\u00eania. Decidiram gravar um disco,\u00a0<em>Violas de ouro<\/em>, ele e Geraldo Am\u00e2ncio Pereira. Duas lendas, na cantoria. E pediram que escrevesse a contra-capa, uma honra. Como estavam brigados por muitos anos, dei os parab\u00e9ns<\/p>\n<p>? Ainda bem que fizeram as pazes.<\/p>\n<p>E Ivanildo<\/p>\n<p>? \u00c9 que j\u00e1 estava na hora, doutor, de desatar o n\u00f3 dessa desuni\u00e3o.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>\u00c9 dele essa\u00a0<em>Cantiga de Conselho<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>? Voc\u00ea pode no muque arrebentar<\/p>\n<p>Seja a porta da frente, ou da dispensa<\/p>\n<p>Mas apenas pedindo\u00a0<em>com licen\u00e7a<\/em><\/p>\n<p>Ela pode se abrir, voc\u00ea passar.<\/p>\n<p><em>Me perdoe\u00a0<\/em>diga sempre quando errar<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 feio ningu\u00e9m ser educado<\/p>\n<p>Nem humilde, gentil ou delicado<\/p>\n<p>O contr\u00e1rio \u00e9 que \u00e9 constrangedor<\/p>\n<p>Por favor diga sempre\u00a0<em>por favor<\/em><\/p>\n<p>E obrigado por dar\u00a0<em>muito obrigado<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>JO\u00c3O FURIBA (Jo\u00e3o Batista Bernardo),\u00a0<\/strong><em>cantador<\/em>\u00a0(de Taquaritinga do Norte, Pernambuco). Cantando com Lourival Batista, Furiba come\u00e7ou<\/p>\n<p>\u2013\u00a0 Meu colega Lourival<\/p>\n<p>Acho que j\u00e1 vou embora<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 quase meia noite<\/p>\n<p>Breve vai dar zero hora<\/p>\n<p>E eu n\u00e3o quero dar ma\u00e7ada<\/p>\n<p>Na mulher que me adora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Louro foi em cima<\/p>\n<p>? Furiba n\u00e3o vai agora<\/p>\n<p>Com essa garota sua<\/p>\n<p>Pois l\u00e1 fora tem malandro<\/p>\n<p>Que mexe at\u00e9 com a lua<\/p>\n<p>Carrega ela e lhe deixa<\/p>\n<p>Vagando s\u00f3 pela rua.<\/p>\n<p>Para ver, desalentado, Furiba completar<\/p>\n<p>? Mais perigoso \u00e9 a sua<\/p>\n<p>Ficar em casa sozinha<\/p>\n<p>Voc\u00ea entra pela sala<\/p>\n<p>Outro sai pela cozinha<\/p>\n<p>Eu pra n\u00e3o correr perigo<\/p>\n<p>Pra onde vou levo a minha.<\/p>\n<p><strong>JO\u00c3O PARAIBANO,\u00a0<\/strong><em>cantador\u00a0<\/em>(do S\u00edtio Pinica-Pau em Princesa Isabel, Para\u00edba). Fazia cantoria com Rog\u00e9rio Menezes (de Imaculada, Para\u00edba, embora tenha desde menino vivido em Caruaru) quando um cidad\u00e3o botou dinheiro na bandeja e pediu que falassem mal das esposas, um do outro. Com as pr\u00f3prias presentes! Jo\u00e3o n\u00e3o se fez de rogado e acabou sextilha dizendo<\/p>\n<p>? N\u00e3o sei como tu aguentas<\/p>\n<p>Uma mulher braba e feia.<\/p>\n<p>Rog\u00e9rio respondeu<\/p>\n<p>? A minha mulher \u00e9 feia<\/p>\n<p>Por\u00e9m digna e singela<\/p>\n<p>Sua mulher \u00e9 bonita<\/p>\n<p>Entre todas a mais bela<\/p>\n<p>Por isso que muitos ursos<\/p>\n<p>Est\u00e3o pulando a janela.<\/p>\n<p>E Jo\u00e3o<\/p>\n<p>? A minha mulher \u00e9 bela<\/p>\n<p>Estando vestida ou nua<\/p>\n<p>Mais parece uma sereia<\/p>\n<p>Quando desfila na rua<\/p>\n<p>Melhor ser corno da minha<\/p>\n<p>Do que marido da tua.<\/p>\n<p><strong>LOURIVAL BATISTA\u00a0<\/strong>(Louro do Paje\u00fa),\u00a0<em>cantador\u00a0<\/em>(de S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito, Pernambuco)<em>.\u00a0<\/em>Numa cantoria deram mote,\u00a0<em>mulher,\u00a0<\/em>que cantou assim<\/p>\n<p>? Um cientista profundo<\/p>\n<p>Me perguntou certa vez<\/p>\n<p>Se eu conhecia os tr\u00eas<\/p>\n<p>Desmantelos deste mundo.<\/p>\n<p>Eu respondi num segundo<\/p>\n<p>Doido, mulher e ladr\u00e3o<\/p>\n<p>E disse mais a raz\u00e3o<\/p>\n<p>Doido n\u00e3o tem paci\u00eancia,<\/p>\n<p>Ladr\u00e3o n\u00e3o tem consci\u00eancia,<\/p>\n<p>Mulher n\u00e3o tem cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>LUIZ BERTO,<\/strong>\u00a0<em>escritor<\/em>. Funcion\u00e1rio concursado na C\u00e2mara dos Deputados (Bras\u00edlia), e mais conhecido como\u00a0<em>Papa Berto<\/em>\u00a0(por ter criado uma igreja imagin\u00e1ria, a Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Sertaneja ? CAS, onde nomeia os amigos padres, bispos e cardeais). Numa sexta-feira, foi procurado por Orlando Tejo (autor de\u00a0<em>Z\u00e9 Limeira, o poeta do absurdo<\/em>), que estourou seu cheque especial e a Caixa Econ\u00f4mica deu at\u00e9 segunda para cobrir. Precisava de um agiota. Berto o p\u00f4s em contato com Jo\u00e3o Canind\u00e9 Tolentino Ribeiro. Tejo disse quanto precisava e foi mais tarde, ao apartamento de Berto, para saber se o dinheiro havia chegado. Informado que n\u00e3o, pegou num papel e escreveu na hora (g\u00eanio \u00e9 isso) essa\u00a0<em>Louva\u00e7\u00e3o a Canind\u00e9<\/em>. Seguem, para ideia, s\u00f3 duas de suas oito d\u00e9cimas<\/p>\n<p>\u2013 Estando sem um tost\u00e3o<\/p>\n<p>E me encontrando bem perto,<\/p>\n<p>Fui procurar Luiz Berto<\/p>\n<p>Para alguma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Berto disse Meu Irm\u00e3o,<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m queria at\u00e9<\/p>\n<p>Fazer um querrequequ\u00e9<\/p>\n<p>Daquele que o diabo pinta<\/p>\n<p>Para ver se arranco trinta<\/p>\n<p>Do bolso de Canind\u00e9.<\/p>\n<p>O cabra fuma e n\u00e3o traga<\/p>\n<p>Faz do crime o seu id\u00edlio!<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 Fl\u00e1vio Marc\u00edlio<\/p>\n<p>Que n\u00e3o demite esta praga?<\/p>\n<p>Ao menos dava-se a vaga<\/p>\n<p>Pra um sujeito de f\u00e9,<\/p>\n<p>J\u00e1 que esse indiv\u00edduo \u00e9<\/p>\n<p>Um tratante e delinquente<\/p>\n<p>Haja chumbo grosso e quente<\/p>\n<p>No rabo de Canind\u00e9.<\/p>\n<p>Assim que acabou, enorme coincid\u00eancia, toca o telefone. Era Canind\u00e9 informando, a Berto, que seu amigo podia ir buscar a grana. Foi quando Tejo pediu outro papel e, tamb\u00e9m na hora, escreveu\u00a0<em>Nosso amigo Canind\u00e9<\/em>. Seguem mais duas (das oito) d\u00e9cimas<\/p>\n<p>\u2013 Um sujeito despeitado,<\/p>\n<p>Desses de baixa mar\u00e9,<\/p>\n<p>Inventou que Canind\u00e9<\/p>\n<p>\u00c9 um canalha safado.<\/p>\n<p>Eu fiquei preocupado<\/p>\n<p>Com a informa\u00e7\u00e3o ral\u00e9,<\/p>\n<p>Por\u00e9m n\u00e3o perdi a f\u00e9<\/p>\n<p>Em quem merece louvores\u2026<\/p>\n<p>Haja palmas e haja flores<\/p>\n<p>Na fronte de Canind\u00e9.<\/p>\n<p>Santo Agostinho, dos santos<\/p>\n<p>Foi o mais puro entre os ermos<\/p>\n<p>Que consolava os enfermos<\/p>\n<p>E lhes enxugava os prantos.<\/p>\n<p>Obrava milagres tantos,<\/p>\n<p>Pela pureza e a f\u00e9<\/p>\n<p>Pois acreditava at\u00e9<\/p>\n<p>Em fala de passarinho.<\/p>\n<p>Mas sabem?, Santo Agostinho<\/p>\n<p>\u00c9 pinto pra Canind\u00e9.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o que foi-se Tejo embora, feliz. Berto juntou aqueles pap\u00e9is e guardou, pensando na posteridade. Fez bem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-457437 size-full\" src=\"https:\/\/www.chumbogordo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/cantadores1.jpg\" alt=\"conversas cantadores\" width=\"264\" height=\"191\" \/><\/p>\n<p><strong>LUIZ GONZAGA,<\/strong><em>\u00a0compositor, cantor e no Nordeste quase Deus.\u00a0<\/em>Eveready (a pilha do gato) pediu que fizesse um jingle para sua marca. Hist\u00f3ria contada por ele mesmo a Santana Cantador, no terra\u00e7o do apartamento no edif\u00edcio Cerejeira (pertencente a sua segunda mulher, Edelzuita Rabelo, de S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito). Lembrou que um cantador lhe disse n\u00e3o ter, a palavra \u201cl\u00e2mpada\u201d, rima em nossa l\u00edngua. Para ele, um desafio. Ent\u00e3o usou na propaganda m\u00fasica sua,\u00a0<em>Vida de Vaqueiro<\/em>, com outra letra<\/p>\n<p>? Pilha Eveready, pilha Eveready<\/p>\n<p>Pilha Eveready minha luz, minha alegria<\/p>\n<p>Com minha l\u00e2mpada, com minha l\u00e2mpada,<\/p>\n<p>Eu vejo a estampa da<\/p>\n<p>Estrela de Maria.<\/p>\n<p>Mais tarde o compositor Belchior, ao ouvir essa hist\u00f3ria, lembrou ao mesmo Santana que o poeta portugu\u00eas Jo\u00e3o de Deus (1830\/1896 ? anterior, portanto, a Gonzaga) j\u00e1 havia utilizado essa rima. Longe disso, meus senhores. Que Jo\u00e3o de Deus, em\u00a0<em>L\u00e1grimas de um homem,\u00a0<\/em>nem chegou perto de Gonzag\u00e3o. Basta comparar<\/p>\n<p>? De que serve o meu pranto, a minha dor<\/p>\n<p>Se a l\u00e2mpada da esperan\u00e7a se apagou<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a do teu rosto, meu amor<\/p>\n<p>Causa-me um sofrimento que n\u00e3o afago.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MANOEL EMERENCIANO,\u00a0<\/strong><em>advogado.\u00a0<\/em>Num anivers\u00e1rio, me deu gravata nas cores do Sport (e n\u00e3o do N\u00e1utico, como deveria). Agradeci num bilhete<\/p>\n<p>\u2013 Man\u00e9 Emerenciano<\/p>\n<p>Recebi o seu presente<\/p>\n<p>Que julguei impertinente<\/p>\n<p>Porque na cor houve engano.<\/p>\n<p>Assim nesse fim de ano<\/p>\n<p>Quando outra me mandar<\/p>\n<p>Vermelho melhor deixar<\/p>\n<p>Mas o preto por favor<\/p>\n<p>Tire logo e pode p\u00f4r<\/p>\n<p>O branco no seu lugar.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MARIA LECT\u00cdCIA,\u00a0<\/strong><em>esposa.<\/em>\u00a0Escrevi 244 p\u00e1ginas de versos para um disco (<em>Ivanildo Vilanova e Oliveira de Panelas cantam Cantorias de P\u00e9 de Parede, com versos de Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti<\/em>), selo Polydisc.\u00a0Naquele ano, um dos 10 mais vendidos em Pernambuco, evo\u00e9! Nele, a faixa\u00a0<em>As coisas que eu gosto de fazer.\u00a0<\/em>Mais um martelo que virou g\u00eanero, como\u00a0<em>O que \u00e9 que me falta fazer mais<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>Perguntei em martelo agalopado, e quem responde em martelo \u00e9 campe\u00e3o<\/em>. Adapta\u00e7\u00e3o de Jorge Macedo, cantador do Cear\u00e1. Trata-se de d\u00e9cima em decass\u00edlabo onde um cantador canta as coisas que aprecia, findando com o mote\u00a0<em>S\u00e3o as coisas que eu gosto de fazer<\/em>; e o outro, ao contr\u00e1rio, canta o que n\u00e3o lhe agrada, findando com o mote\u00a0<em>S\u00e3o as coisas que eu fa\u00e7o sem gostar<\/em>. Nele, est\u00e3o esses versos que escrevi para dona Lect\u00edcia<\/p>\n<p>\u2013 Eu ficava querendo um dia ver-te<\/p>\n<p>Quando um dia te vendo eu me perdi<\/p>\n<p>Em teu rosto afinal compreendi<\/p>\n<p>Que a vida s\u00f3 vale para ter-te.<\/p>\n<p>E o pecado t\u00e3o doce de querer-te<\/p>\n<p>N\u00e3o permite que eu possa te esquecer<\/p>\n<p>Em teus bra\u00e7os me entrego por saber<\/p>\n<p>Que tu\u2019alma ser\u00e1 um dia minha<\/p>\n<p>Para sempre ser\u00e1s minha rainha<\/p>\n<p><em>S\u00e3o as coisas que eu gosto de fazer.<\/em><\/p>\n<p>Na manh\u00e3 radiosa desse dia<\/p>\n<p>Pelo qual sem saber sempre esperei<\/p>\n<p>Pressenti que te tendo eu n\u00e3o terei<\/p>\n<p>A tristeza que o peito pressentia.<\/p>\n<p>E que eras tu mesma eu j\u00e1 sabia<\/p>\n<p>Sem que fosse preciso nem dizer<\/p>\n<p>Porque sempre sonhei que iria ver<\/p>\n<p>Teu sorriso sorrindo para mim<\/p>\n<p>E eu sorrindo a teu lado at\u00e9 o fim<\/p>\n<p><em>S\u00e3o as coisas que eu gosto de fazer.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 Por Jos\u00e9 Paulo Cavalcanti Filho \u00a0\u2013 \u00a0Escritor, poeta, membro das Academias Pernambucana de Letras, Brasileira de Letras e Portuguesa de Letras. \u00c9\u00a0 um dos maiores conhecedores da obra de Fernando Pessoa. 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